22 de novembro de 2017
Inicial / Mil palavras / A crise hídrica e o desperdício de água no Distrito Federal

A crise hídrica e o desperdício de água no Distrito Federal

Print Friendly, PDF & Email

O blog recebeu de uma leitora, indignada, com o descaso da CAESB, com o desperdício de água em Brasília. Ela conta, em detalhes, a tentativa de tentar responsabilizar síndicos ou pessoas que não estão nem um pouco preocupadas com a falta de água e o desespero de alguns moradores que não conseguem nem lavar a louça ou tomar banho pela falta do precioso líquido. Campanhas, sem levar à responsabilidade os autores do festival de desperdício não vão solucionar o problema de água do DF.

A narrativa da leitora: “Já tem alguns dias que ao sair para passear com o cachorro pela manhã, sempre por volta das 07:20, 07: 30 da manhã, tenho observado que alguns prédios comerciais da 308 Norte, estão regando os seus jardins. Acredito que os responsáveis pela irrigação e cuidados dos jardins, bem como os síndicos dos prédios, saibam que o Distrito Federal está passando por uma séria crise hídrica, e que já nos próximos dias deveremos sair do sistema de rodízio de água, ou seja, do dia que vai faltar água, para o dia que vamos ter água.

Apesar disso, me atrevi a ligar para a Caesb, para o número 115 da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal para registrar uma denúncia, pois já vivi em lugares que não tinha água sequer para beber, quanto mais para regar os jardins. Pois bem, ao pedir para registrar a reclamação, o atendente da Companhia me informou que eu deveria registrar uma ocorrência para cada prédio que estava molhando os jardins; disse que eu não poderia registrar uma única ocorrência para os três prédios da quadra que estavam desperdiçando água.

Por fim, afirmou que os prédios poderiam fazer uso da água para molhar os jardins, que apesar da crise hídrica pela qual estamos passando, não é proibido molhar os jardins. Disse que a Caesb apenas orienta as pessoas a economizarem água, mas que não é proibido “desperdiçar” molhando as plantas.

Disse o atendente que mesmo eu registrando a reclamação, a única coisa que a Caesb poderia fazer era enviar uma equipe ao local para fiscalizar e orientar o condomínio a economizar água. E que apenas num segundo momento, em caso de reincidência, a Companhia poderia vir a aplicar uma multa ao condomínio.

Fiquei tão indignada que resolvi desistir de registrar a reclamação, já que iria dá em nada mesmo, segundo o atendente do 115. E já que eu teria que registrar uma reclamação uma reclamação para cada condomínio que estivesse “desperdiçando” água, já que não é crime gastar água, apesar da crise hídrica.

Desta forma, me pergunto. Está correto isso? Nós estamos quase sem água para as atividades vitais do dia a dia, como para o banho e até mesmo para beber, mas ainda assim não é proibido regar os jardins dos condomínios todos os dias? Porque tem condomínio aqui da 308 Norte que rega os jardins todos os dias.

É inexplicável. Fiquei indignada. Não é possível que as pessoas, e a própria Caesb não saibam a importância que a água tem para ser humano! Tudo que bem que um jardim verdinho é lindo; mas não temos água, estamos passando por uma seca extensa e que se agrava cada dia mais. Não é possível que as pessoas não tenham consciência disso. Desperdiçar água é um absurdo! E é crime também. Pode até não está tipificado no Código Penal, mas nem por isso deixa de ser crime.

Eu lamento muito. E espero sinceramente que o funcionário que me atendeu seja apenas um funcionário desinformado e despreparado”.

Blog Edgar Lisboa