A denúncia diabólica de Janot

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Darcísio Perondi

Os brasileiros foram envolvidos por uma narrativa de que o presidente Michel Temer tinha dado aval para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e que teria de renunciar. O Congresso paralisaria as votações, as reformas não andariam e a economia descarrilaria de vez. Nada disso aconteceu.  Todo mundo está cansado de saber que a gravação ilícita feita por Joesley Batista não fala em compra de silêncio de Cunha. Essa é uma interpretação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, repetida mil vezes como sendo a verdade. O próprio Cunha declarou à Polícia Federal que essa tal compra de silêncio nunca existiu. Desde o início, o presidente negou veementemente que tenha solicitado isso ou qualquer outra coisa ao bandido confesso Joesley Batista. Na conversa, constata-se que é o empresário-grampeador quem fala e pede, sem conseguir nada.

Foi tudo uma grande armação, feita com escutas ilegais, para tentar imputar ao presidente o crime de obstrução de justiça. O Ministério Público Federal quer agora criminalizar o presidente por uma mala de dinheiro que ele nunca viu nem passou perto, a partir de um flagrante montado. Janot já admitiu não ter prova cabal contra Temer, mas apenas uma “narrativa” de indícios. Quem entende de leis, como o ex-presidente do STF Carlos Velloso, classificou a denúncia como “inepta, precipitada e descabida”. A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara também entendeu assim e rejeitou a primeira das denúncias apresentadas por Janot por 40 a 25.

A reforma da Previdência seria logo votada e isso talvez tenha ameaçado os setores mais privilegiados do país, sobretudo na alta administração pública. Corporações de gente graúda do serviço público federal, como juízes, promotores e fiscais, resistem à reforma da previdência, procurando manipular a desinformação dos trabalhadores desprivilegiados em defesa dos próprios privilégios. Rodrigo Janot é o maior representante dessas corporações e por isso ataca Temer.

A “denúncia diabólica”, aquela que não precisa de provas, acompanhada de anúncios de supostas delações bombásticas, não fizeram o presidente renunciar nem o governo parar. Problemas históricos foram resolvidos, como a convalidação de incentivos fiscais dos Estados; foram aprovadas a regularização fundiária urbana e rural e a permissão ao comércio para dar descontos a quem paga à vista; e a modernização trabalhista foi aprovada e sancionada. Acordos coletivos de trabalho negociados entre empresas e trabalhadores ganham força de lei e todos os direitos constitucionais são preservados, como seguro-desemprego, FGTS, salário mínimo e 13º salário, por exemplo.

As reformas estão avançando e a economia não para de produzir resultados expressivos. A produção industrial avançou 0,8% em maio ante abril e cresceu 4,0% em relação a maio de 2016. O investimento em bens de capital, que indica a retomada do consumo, cresceu 3,5% no ano. De janeiro a junho tivemos um superávit de R$ 36,2 bilhões na balança comercial, o maior em 29 anos, determinado sobretudo pelos automóveis, cujas vendas também aumentaram no mercado interno.

Em abril, o varejo já havia encerrado 22 meses de índices negativos. Na primeira semana de junho, o Brasil registrou a menor inflação de maio desde 2007 e o menor índice acumulado desde o ano 2000. Graças a este resultado, o Conselho Monetário Nacional reduziu as metas inflacionárias para os próximos dois anos, um feito inédito em 14 anos. O IPCA de junho registrou deflação e estima-se que feche o ano em 3,46%.

Com a destinação de R$ 190,25 bilhões para a agropecuária, com juros menores, a supersafra de 2017 será 30% maior que a de 2016. A participação do investimento estrangeiro na economia brasileira chegou a 18,6% no primeiro trimestre, o maior nível desde dezembro de 2002. A entidade que reúne todos os países desenvolvidos, a OCDE, confirmou o fim da recessão e afirmou que o Brasil terá um crescimento de 0,7% este ano.

Com muito esforço e trabalho, o país se recupera e cresce. Mas há quem queira tirar o Brasil dos trilhos do desenvolvimento, talvez querendo jogar uma revanche do impeachment, criando o caos político e administrativo. Os fatos, no entanto, insistem em não lhes dar razão. A esperança renasce nos corações dos brasileiros e o Brasil já olha para o futuro.

 

Darcísio Perondi é deputado federal pelo PMDB/RS e vice-líder do Governo na Câmara.