16 de novembro de 2018
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Alceu Moreira

Alceu Moreira no comando da Frente Ruralista; Tereza Cristina vence UDR e será a ministra da Agricultura.

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O deputado federal gaúcho Alceu Moreira (MDB/RS) vai assumir o comando da Frente Ruralista, a bancada mais influente e numerosa do Congresso Nacional, com 237 deputados e senadores inscritos. Como vice-presidente em exercício ele substitui à deputada federal Tereza Cristina (DEM/MS), indicada pelo grupo político e apontada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro como ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) do novo governo.

Feito o convite, ficou claro que não haverá fusão entre os ministérios da Agricultura e Meio Ambiente. Para o ministério dos ecologistas o nome mais falado é do agrônomo paulista Xico Graziano, ex-secretário de Meio Ambiente daquele estado e que foi secretário particular do presidente Fernando Henrique Cardoso no primeiro governo do PSDB.

Com ascensão de Alceu Moreira à presidência executiva da Frente Parlamentar da Agropecuária, o Rio Grande do Sul reassume uma proeminência no cenário ruralista que perdera para o centro-oeste nos últimos anos. No passado, quando o Estado era o maior produtor de alimentos e commodities do País, os gaúchos monopolizavam os cargos federais no setor. O primeiro ministro da agricultura da República foi o pelotense Luís Simões Lopes. Agora são os estados centrais que dão as cartas: Katia Abreu (MDB/TO), de Tocantins, Ronaldo Caiado DEM/GO), de Goiás, Nilson Leitão (PSDB/MT), de Mato Grosso e Tereza Cristina, dos Democratas de Mato Grosso do Sul, foram os últimos líderes da Frente.

A escolha de Tereza Cristina representou, também, a vitória da Frente Ruralista diante da UDR, entidade rival no movimento patronal agropecuário. A Frente Parlamentar da Agropecuária, é identificada com os setores avançados da agricultura exportadora (carne e cereais) e à produção moderna de alimentos em pequenas e médias propriedades (leite, horticultura, fruticultura e outros); já a União Democrática Ruralista, é hostil aos movimentos ambientalistas e se apresenta como excessivamente conservadora. A célebre UDR que liderou movimentos regressivos nas décadas de 1980/90, foi extinta, mas em 1996, reativada para acolher esses segmentos ultraconservadores que ficaram sem tribuna por causa dos avanços dos parlamentares da Frente. O presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan Garcia, chegou a se apresentar como ministro do novo governo, mas seu nome foi descartado na tarde desta quarta-feira.

Também esteve muito cotado o nome da senadora gaúcha Ana Amélia (PP/RS), mas Jair Bolsonaro optou pela sul-mato-grossense. As duas tinham as mesmas cartas: Ana e Tereza era adequada, quando o novo presidente está à procura de mulheres para integrar seu governo. As duas desfrutam de boa imagem pública, têm reputação ilibada e tradição na área. Entretanto, devido  à sua formação técnica Tereza Cristina constituiu um perfil mais abrangente, pois além do gênero feminino é uma agrônoma renomada, graduada por uma das mais tradicionais escolas de agronomia da América do Sul, a Escola de Agricultura de Viçosa, em Minas Gerais.

A atual faculdade de agronomia de Viçosa é uma pioneira no estudo e na difusão da agricultura moderna no Brasil, desde sua fundação, ainda no Segundo do Império. O imperador Pedro II mandou abrir quatro escolas de agronomia no País para dar sustentação técnica e científica às grandes regiões produtoras de exportações do Século XIX. As faculdades de Viçosa, em Minas, Luís de Queiroz, em Piracicaba, a Faculdade do Km47, na Baixada Fluminense, estado do Rio (atual município de Seropédica), cuidavam das regiões que produziam o café, nos três estados. A faculdade de Agronomia de Pelotas, no Rio Grande do Sul, era voltada para a zootecnia. O Estado era grande exportador de carnes, integrando a região maior produtora e mais avançada do mundo naqueles tempos a Bacia do Prata, integrada por Argentina, Brasil (RGS) e Uruguai.

Ana Amélia ainda frequenta listas de ministeriáveis. Seu nome estaria sendo cotado para o Ministério de Relações Exteriores devido à sua atuação destacada na Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Senado, nas duas últimas legislaturas. A parlamentar gaúcha concorre com diplomatas profissionais, que estariam sendo sondados, dentre os quais três mulheres ministras de primeira classe, o posto mais alto da diplomacia profissional brasileira.

Blog Edgar Lisboa

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