22 de fevereiro de 2019
Inicial / Repórter Brasília / Alcolumbre, o Novo Rei do Bastidor

Alcolumbre, o Novo Rei do Bastidor

Print Friendly, PDF & Email

O novo presidente do Congresso, senador David Alcolumbre (DEM/AP) é considerado no Senado Federal como “o rei do bastidor”. Distante dos holofotes, jejuno de tribuna, o parlamentar amapaense embora longe dos holofotes, era uma figura presente em todas as articulações e movimentos de composição política. Surgir como uma estrela nova não seria surpresa para os astrônomos que acompanham o firmamento com lentes poderosas.

Bote certeiro

Distante da mídia, desconhecido do grande público, Alcolumbre deu o bote certeiro na hora certa, enfrentando a máquina poderosa e testada que dominava o Senado há décadas, integrada pelos ex-aliados eleitorais e parceiros políticos, o MDB e o PT, há mais de uma década majoritários e hegemônicos na Câmara Alta.

Navegando em profundidade

Como exímio operador do mundo submarino, navegando em profundidade de periscópio, o jovem senador democrata Davi Alcolumbre pode perceber que algumas placas tectônicas que se movimentaram no tsunami de outubro ainda provocavam marolas que chegariam à superfície. Foi assim com mira de caçador, e não por um passe de mágica, que ele se preparou para o ataque, contando com a ação decisiva de dois gaúchos que, como ele, também davam passos inesperados aos olhos de observadores desatentos.

Ação de dois gaúchos

Um deles, decisivo para a composição das forças difusas que compõem o novo Senado, foi o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM/RS). Já quase desacreditado como coordenador político do presidente Jair Bolsonaro, apareceu na hora certa como um furacão. Ele armou a manobra regimental da sexta-feira, em que Alcolumbre usando a prerrogativa de sobrevivente da antiga mesa, assumiu o comando do plenário. Mesmo enfraquecido por sua condição de candidato, a falha ética não abalou sua posição do senador. Ele foi atacado com todas as forças pelas forças do MDB/PT, tendo à frente a aguerrida senadora Katia Abreu (PDT/TO), que se valendo de sua saia, armou um tremendo “barraco”, como se chamam essas brigas nas favelas cariocas. Não adiantou. Até o supremo dar seu veredito a favor do voto secreto, que seria a arma da traição, na madrugada do sábado.

Fortalecimento de Lasier

Essa manobra, contudo, foi sepultada pela ação decidida do senador Lasier Martins (PSD/RS), agora no PODEMOS,que lutou e esbravejou no plenário, propondo desobediência branca à decisão do STF. O parlamentar gaúcho já vinha de longa data desafiando, inicialmente solitário, contra os dois alvos nesse embate:  mesmo nos momentos de maior prestígio do então presidente do Senado, Lasier atacava frontalmente Renan Calheiros, perdendo assim pontos junto à maioria de antanho, mas firmando posição. Em paralelo, insurgia-se contra o voto secreto no plenário, apresentando um projeto de lei que, no fim e ao cabo, depois de ignorado tanto tempo, foi o que valeu para o desfecho.

Onyx terá muito trabalho

Assim foi. Entretanto, não se pode diminuir o trabalho de construção dessa candidatura. Percebendo os ventos que soprariam em fevereiro, Alcolumbre visitou os novos senadores e falou com os descontentes antigos. Venceu, mas a guerra não acabou: a oposição MDB/PT será feroz. O ministro Onyx Lorenzoni vai gastar muita saliva nos próximos meses.

A coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comércio, o Jornal de Economia e Negócios do Rio Grande do Sul.

Blog Edgar Lisboa