23 de outubro de 2018
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Aldo Rebelo (Wilson Dias/Agência Brasil)

Alternância de sistema político

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Alternância de poder. A República Federativa do Brasil conhecerá esse mecanismo dos regimes democráticos. Não tem sido a regra. No modelo anterior, nos tempos dos Estados Unidos do Brasil, houve uma tentativa com Jânio Quadros. Também no atual regime, com Fernando Collor; deu errado. A eleição deste domingo (7) de um sistema de forças que não fez parte da formação da Nova República. Efetivamente, é uma verdadeira alternância.

Forças Antagônicas

O Brasil sempre teve uma composição de forças antagônicas, mas simétricas. Como costuma dizer o atual chefe da Casa Civil de São Paulo, o ex-multi-ministro, Aldo Rebelo; o país sempre saiu de suas grandes crises com uma composição entre as forças aparentemente antagônicas. Ele dá os exemplos: a independência foi um acordão entre patriotas nacionalistas (muitos republicanos) com portugueses estabelecidos no País, monarquistas e escravistas. A República, um outro acerto entre militares positivistas, ultranacionalistas e liberais paulistas, integrados à economia internacional.

Controlam os governos

O mesmo ocorreu na Revolução de 1930, na deposição de João Goulart e, por fim, na Nova República, produto de um acordo entre a oposição parlamentar (integrada, inclusive, pelos comunistas, os arqui-inimigos dos militares). Essa vertente, de que foram gerados os partidos que controlaram os governos desde a redemocratização, foi inteiramente derrotada neste primeiro turno das eleições.

Contato Histórico

Jair Bolsonaro e seu leque de partidos não tem nenhum ponto de contato histórico ou doutrinário, com as forças remanescentes da devastação no sistema em fase de formação de 7 de outubro. Mesmo os partidos que aderiram ao capitão, na última hora, não terão o espaço tradicional das forças políticas. Bolsonaro diz que não fará acordo com partidos, mas com pessoas. Há uma mudança de profundidade que estaria embutida nesta eleição. O próprio Bolsonaro ainda não captou tudo o que veio na garupa dessa eleição. Há em curso, portanto, mais que uma troca de partidos, como foi do PMDB para PSDB e depois para o PT. No modelo de Bolsonaro os partidos não entram. Desafio à teoria política. No entanto, ninguém pode dizer que não haverá alternância. É esperar para ver.

Clãs perderam nas urnas

Uma eleição diferente, em todos os sentidos. Figurões do Senado e clãs políticos perdem nas urnas e não terão representantes eleitos. Nomes antes vitoriosos nas urnas perderam a disputa e ficam de fora da política. O caso mais emblemático é o do senador Romero Jucá do MDB, líder de presidente de quatro governos diferente, mas envolvido em investigações da Lava Jato. Em Minas Gerais, a ex-presidente Dilma Rousseff do PT, que tinha bons números nas pesquisas, perdeu a disputa ao senado.

Algumas Surpresas

Já figurões do Senado, como Magno Malta e Ricardo Ferraço, no Espírito Santo; Eunício Oliveira no Ceará, Cássio Cunha Lima na Paraíba, Vanessa Grazziotin no Amazonas, Valdir Raupp em Rondônia, Lindbergh Farias, no Rio de Janeiro e Cristovam Buarque em Brasília, deixam o Senado. No Maranhão, a família Sarney perdeu a disputa para o governo do Estado, com Roseana Sarney, e o senador Sarney Filho não conseguiu a reeleição. Outro político de expressão no Estado, Edison Lobão, também não retorna ao Senado. Na opinião do cientista político, Alexandre Bandeira, a renovação é positiva. Lembra, entretanto, que poderia ser maior se houvesse uma reforma política mais ampla e os eleitores participassem de um outro sistema de escolha de seus representantes.