19 de dezembro de 2018
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Mineiro de Montes Claro, Carlos Alberto Dayrell, subiu numa Tipuana, árvore de origem boliviana, e, marca o início do movimento ambientalista no Brasil.

Ambientalistas: casa de marimbondos para o novo governo

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A casa de marimbondo que vai atazanar o novo governo é o segmento ambientalista. Articulado internacionalmente, difundido em uma centena de formas pelo país a fora, o elemento que caracteriza as pessoas nessa temática é que todos são ativistas digitais. Pelas redes sociais eles poderão criar um canal de intercomunicação capaz de criar um denominador comum e se articularem apartidariamente, e se mobilizarem chegando às ruas. Mensagem: vamos salvar o Planeta. Não é pouco. É preciso que o Rio Grande do Sul e Porto Alegre relembrem ao Brasil que o tal movimento ambientalista surgiu na avenida João Pessoa (líder nordestino), quando, em 20 de novembro de 1975, o mineiro de Montes Claro, Carlos Alberto Dayrell, subiu numa Tipuana, árvore de origem boliviana, e, marca o início do movimento ambientalista no Brasil.

Até a ditadura recuou

Apoiado pela população comovida, o jovem funcionário da agência porto alegrense do Banco Mineiro do Oeste, acadêmico de Engenharia Mecânica na UFRGS, recusou-se a descer da árvore ameaçada pelas motosserras do prefeito, Telmo Thompson Flores, comovendo a população a tal ponto que a própria ditadura, no seu auge, recuou diante daquele espetáculo de desobediência civil. Portanto, o movimento surgiu de um gesto ousado e temerário. Isto deve ser lembrado e considerado neste momento de demonização do conservacionismo.

Imagens estereotipadas

Por trás (ou por baixo do pano), a avaliação das repercussões da mexida no establishment ambiental, é que está retardando a escolha do novo ministro. Alvo da ira de setores da produção industrial e agrícola, o ativismo ambientalista está demonstrando que suas imagens estereotipadas, aqui e ali, não correspondem à complexidade real, política, técnica econômica dos problemas dessa área.

Luvas de Pelica

Em resumo, embora não tenha emergido no noticiário político sobre a formação do governo, os conselheiros mais atirados, já deram o sinal de alerta: é aí que mora o perigo de se ver outra vez a avenida Borges de Medeiros tomada por milhões de jovens e velhos em protestos politicamente desconectados. É difícil lidar com isto, como foi no caso do “passe livre”. A escolha de um nome para esse cargo é uma tarefa mais complicada do que simplesmente atender a este ou aquele interesse. É preciso encontrar alguém com a capacidade de usar luvas de pelica, e muito cuidado para enfiar a mão no ninho dos terríveis vespídeos.

A coluna  Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comércio, o Jornal de Economia e Negócios do Rio Grande do Sul.