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Paulo Guedes

As abóboras de Bolsonaro se acomodam na carruagem 

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José Antônio Severo

As abóboras se acomodam no andar da carruagem. Ainda não se pode afirmar que sejam as placas tectônicas a se movendo ou uma manobra tática consciente e planejada do presidente para se posicionar em campo. Seja o que for essa realidade, o presidente parece encastelar-se na sua fortaleza política numa trincheira aparentemente defensiva, aguardando por fatos novos.

Os analistas estão começando a admitir que há um sentido nessa guinada para o confronto. Bolsonaro estaria recuperando seu discurso eleitoral e botando uma prática seu ataque a seus arquirrivais do PT, alvo principal. Enquanto se estapeia com a esquerda, delimita o terreno da luta.

Esse movimento tático vai acabar com conforto do muro. O chamado Centrão, que ora está de um lado, ora de   outro, pescando em águas turvas, terá que descer ao chão. Encurtando o cabresto, Bolsonaro esfria as ambiguidades próprias do parlamento brasileiro.

A se confirmar esse quadro, o governo terá conseguido isolar os dois campos de ação política a que se propõe: a agenda pragmática, centrada nas reformas da economia (previdência em primeiro lugar) e da segurança pública, correm em faixa própria, enquanto o Palácio vai para a briga de rua contra a esquerda.

Assim, o Centrão conservador terá de optar por um posicionamento menos voraz, pois se mantiver seu “toma-lá-dá-cá” vai terminar falando sozinho. Terá de optar e, seu caminho será, nessa situação, apoiar a direita. Por mais que a esquerda faça “cara de moça” (atitude da onça antes do ataque, diz o escritor Mário Palmério em seu livro “Vila dos Confins”), os conservadores ainda não têm como se aliar aos seus ferozes antagonistas nos plenários das duas casas do Congresso.

Esse esticar da corda seria uma forma de o governo trazer para seu lado as bancadas recalcitrantes dos ditos partidos “independentes”. Sendo assim, com a luta ideológica exacerbada, o ministro Paulo Guedes terá condições de fazer passar a maior parte de seu purgante salvador. Logo em seguida Sérgio Moro vem com seus pacotes para dar um choque de dureza na bandidagem, como diz o presidente da República, referindo-se à repressão à violência disseminada e ao crime organizado.

O curioso desse quadro é que, uma vez mais, se configura nos Estados Unidos. O primeiro avanço neste sentido se deu na primeira viagem. Agora, em Dalas, Bolsonaro botou os pontos nos ii, deixando bem claro que a briga recém começou.

Bolsonaro foi claro: vai meter a tesoura no orçamento para não cair, como a ex-presidente Dilma Rousseff, no crime de responsabilidade fiscal. Já outro correligionário peesselista acrescenta: “e também não incorrer no estelionato eleitoral”. Entrega o que prometeu, disseram dois ministros nas sabatinas da Câmara. Jogo duro.

Blog Edgar Lisboa