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Opiniões sobre a implantação do sistema de Rádio Digital no Brasil

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O governo anunciou para uma multidão de radiodifusores, em junho de 2012, que até dezembro seria decidido o sistema a ser adotado para o rádio digital no Brasil. O blog (www.edgarlisboa.com.br)publicou um artigo analisando a “caótica implantação do Rádio Digital no Brasil”. De acordo com o Ministério das Comunicações, nos testes feitos em julho de 2012, tiveram algumas áreas de sombra tanto com o modelo europeu, o DRM, quanto com o modelo americano, o HD. O grupo de trabalho está cogitando fazer novos testes, mas ainda não há certeza. Já o deputado Sandro Alex (PPS-PR), relator da subcomissão da Câmara dos Deputados disse que irá fazer uma indicação do melhor sistema para o Ministério das Comunicações. De acordo com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, ABERT, com o crescimento desordenado das cidades do Brasil, há muitas interferências, criando assim as “áreas de sombra”. E esse é um problema dos dois sistemas em teste no país: o europeu (DRM) e o americano (HD). “A tecnologia não é acostumada aos níveis de interferência do Brasil”, destacou a gerente de tecnologia da Abert, Monique Cruvinel.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), coordenadora da Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito a Comunicação com Participação Popular afirmou, por sua vez, que há aspectos técnicos, políticos, sociais e econômicos que tem que ser discutidos antes de definir o padrão do rádio digital.

O representante no Brasil do Consórcio DRM, Marcelo Goedert não concorda com alguns dos pontos levantados por deputados, Ministério das Comunicações e Abert. Mandou e-mail ao blog fazendo suas considerações. Publicamos a seguir, a íntegra do texto:

“Rádio Digital – Breves comentários

Brasília - DF 06/04/2010Equipe EdgarFoto: José Paulo LacerdaEquipeInicialmente gostaria de parabenizar ao jornalista Edgar Lisboa pela iniciativa de trazer à tona este assunto tão importante. O rádio é uma mídia vital para a população brasileira, que dele necessita e se apoia em diversos níveis, e por outro lado, absurdamente, é a única mídia eletrônica que ainda opera em analógico. Entre os BRICs, países que hoje encantam o mundo com seu desenvolvimento, a Rússia já decidiu seu sistema (DRM) e a Índia também (DRM). A All India Radio acaba de comprar 27 transmissores e vai cobrir todo o país em AM digital. Na América do Sul todos aguardam o Brasil. Por telefone, na última semana, conversei com o governo do Equador que já está realizando testes em DRM, e conta com a indústria brasileira para equipamentos de transmissão e recepção, por isso, só vão oficializar seu sistema depois do Brasil fazê-lo. Portanto essa demora na decisão está “amarrando” o rádio da América latina também.

Desde o ano passado o Ministério das Comunicações vem fazendo, com muita seriedade, o possível pra testar os sistemas tecnicamente. Também já compreendeu que não é só a técnica que vai determinar o sucesso de um sistema ou do outro, é preciso analisar: o modelo de negócio; as possibilidades de nacionalização em curto prazo; e qual sistema vai possibilitar o fomento da indústria brasileira de radiodifusão. A ABIRD – Ass. Brasileira da Indústria de Radiodifusão já publicou seu apoio ao DRM.

Quanto às colocações do deputado Sandro Alex, realmente há dois anos, quando só havia um sistema disponível, o americano, foi definido que ele seria adotado no Brasil. Decisão esta sabiamente vetada pelo governo à época, pois colocaria todo o sistema radiofônico brasileiro na mão de uma empresa privada americana. Agora temos opção de escolha, e o trabalho do Conselho Consultivo do Rádio Digital está minucioso e bem feito, apesar do referido deputado nunca ter participado de nenhuma das reuniões.

Quanto às colocações da Engenheira da ABERT de que existem zonas de sombra no sinal digital, gostaria de alertá-la que: 1. No sinal analógico também existem zonas de sombra, onde  em uma tecnologia que vem sendo desenvolvida há 90 anos, não há solução para estas zonas. O DRM possui um sistema chamado SFN pra resolver esse problema do analógico; 2. Os testes foram feitos com o digital usando 10% da potência do analógico; 3. Os testes em AM foram realizados em São Paulo capital, onde realmente os níveis de interferência são absurdos, portanto não acho correto creditar esse problema aos sistemas, é como testar um carro com um “motorzão” na hora do rush no centro da cidade e depois alegar que o motor é fraco.

A Deputada Luíza Erundina tem razão, temos que analisar todos os aspectos, mas o fôlego tá acabando pra todos. Já já não tem volta e o rádio vai virar museu.

Marcelo Goedert

Representante do Consórcio DRM no Brasil

marcelo@audiofidelity.com.br

Saiba mais acessando:

http://www.edgarlisboa.com.br/?p=68350

http://www.edgarlisboa.com.br/?p=68437

http://www.edgarlisboa.com.br/?p=68634