23 de outubro de 2018
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As eleições estão virando uma verdadeira guerra santa! 

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Edgar Lisboa

Mas, tenho a impressão de que esse filme é bem mais antigo.

Essa é uma prática que remonta ao tempo da inquisição. A igreja romana aterrorizava as pessoas com as ameaças do fogo do inferno para infundir nelas a necessidade de uma tábua de salvação. Então, por meio de indulgências, era oferecido o escape da perdição eterna.

Para aqueles que se encurvavam, era concedido o perdão temporário, mas aos que se insurgiam, as fogueiras da inquisição.

Guardadas as devidas proporções, vivemos esse mesmo roteiro na política brasileira. A diferença é que, no passado quem sofria eram os evangélicos, hoje os evangélicos se tornam inquisidores daqueles que não rezam segundo a cartilha do mercado consumista que, em nome do ter, despreza o valor do ser, pregando a salvação e a chancela da benção divina por meio da aquisição de bens materiais para os seus próprios deleites e em detrimento dos valores espirituais e humanitários.

Defender o fim da desigualdade, da violência  e da injustiça é sinônimo de ser “comunista” ou “petralha” (mesmo quando a pessoa não se identifica com nenhum desses jargões) que merece ser exterminado do meio do arraial dos santos. Pregar o amor? Que nada! É hora de invocar a ira do além sobre todos os apóstatas que acreditam na possibilidade de vivermos o Evangelho da Paz – que para alguns soa como uma tremenda heresia! Outros galgam postos na carona de políticos bem sucedidos e se transformam em verdadeiros déspotas em seus altos e bem remunerados cargos, com poder. Esquecem os fundamentos da igreja e passam a pisar nos “fiéis” que dependem de seu trabalho para viver. Acho que é hora de reflexão e preocupação com todos. Os ensinamentos da bíblia devem ser seguidos e não utilizados para proveito próprio. Tudo tem limite e é preciso que seja respeitado este limite das pessoas.

Minha esperança é que, do mesmo modo que a inquisição ou – como na recente história política brasileira – o ex-presidente Fernando Collor se tornaram página virada, um dia retomaremos a serenidade e descobriremos que política é política. E que políticos e partidos são todos “farinha do mesmo saco”, com algumas poucas exceções que são levados a erros por assessorias não bem intencionadas ou do mal como dizem alguns pastores. Por isso não vale a pena nos matarmos nem nos ameaçarmos mutuamente por causa de nenhum deles!

“Os martelos se quebram, a bigorna permanece”.

Edgar Lisboa é jornalista