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Atualidades Inquietantes: Bolsonaro e o próximo presidente digital do Brasil

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Gregório Salles

Me surpreendo com mais um vídeo do tal Bolsonaro, o tal ator-político muito bem pago que arrasta uma legião de fãs-eleitores ávidos por uma selfie ou um autógrafo com seu ídolo. No vídeo que recebo pelo Whatsapp (o serviço digital gratuito que mais conecta pessoas e seus celulares pelo mundo) o político aparece desembarcando em um aeroporto, e começa os seus discursos intermináveis sempre batendo nos pontos esperados por seus fãs. De tão clichê, parece até bobinho: Tradição, família, moral, ética, Ulstra! Tudo vale nas vociferações de Bolsonaro, todas elas bem engendradas por seus assessores e time de publicitários pagos pelo nosso suado imposto. Whatever….

Mas algo realmente chama atenção nisso tudo – poucas vezes no Brasil, vimos um político tão conectado! Mal sai um vídeo no Facebook trazendo algum assunto que o “interessa”, e já é possível vê-lo opinando quase que em tempo real em todos os seus canais de mídia digital. Bolsonaro é o “inimigo do meu inimigo”, e esse approach vem aumentando o seu sucesso no famigerado Brasil que separa, que segrega pobres de ricos, bonitos de feios, esquerdas de direitas, coxinhas de mortadelas; o Brasilzão daquela grade à la Fla-Flu erguida no gramado do Congresso antes do Impeachment da ex-presidente, onde os lados separados podiam se cuspir à vontade. Quer algo mais separatista? O mesmo país que tem os problemas tão básicos que estamos cansados de bater em cima, e que antes de tudo ainda possui 60% de seus esgotos correndo a céu aberto. Como “educar” num ambiente tão agressivo?

Aí vem o digital, a velocidade que tramitam os vídeos e conteúdos relacionados; o que se quer ouvir e dizer, a sensação de democracia num prato aberto e limpo, onde todos começam a ter voz. E é nesse ambiente que um candidato inserido no digital irá triunfar! Mostrando o que come, o que ouve, o que odeia, os que estão com ele. Acompanhando e sendo acompanhado por seu público alvo. Audiência bem marcada, bovina em pensamento, mas leonina em opinião.  É o BBB da vida política, cada vez mais rápido e chegando em nossos celulares sem a gente querer!

Não sou um Michael Moore, que acertou previamente todos os estados dos EUA que elegeriam Trump, mas ouso dizer que é preciso uma resposta digital à campanha de um Bolsonaro, por exemplo. É nesse ambiente que um “outsider” (alguém que surge de fora do meio político) poderá mostrar as garras e surpreender na concorrida disputa política do país… porque Bolsonaro, ninguém merece.

Gregório Salles.E-mail: gregoriosalles@hotmail.com

Um Comentário

  1. Eduardo Rodrigues Vianna

    Mas Bolsonaro é isso aí mesmo, não é, Gregório? Um produto das distorções da moribunda Nova República, que permitiu aos parlamentares se candidatarem quantas vezes quisessem: em meio a isto o Bolsomito foi formando os seus Bolsominions, como a turma diz por aí. Mas ele está muito longe de ser Trump. Os próprios dirigentes do conservadorismo que interessa, que é o conservadorismo econômico (e mesmo o PT é muitíssimo conservador sob esse ponto de vista, sempre foi) ignoram o Bolsonaro com solenidade, como no caso da recente eleição à presidência da Câmara Federal, em que o “Mito” obteve quatro votos. No Balcão de Ouro do Parlamento, Bolsonaro é apenas alguém muito hábil em constituir um público pagante, e nada mais. A bola está no pé dos grandões PMDB e PSDB, até segunda ordem. E o máximo que Bolsonaro pode fazer é capitular a esses dois, buscando o tal do “centro”. Ele sabe muito bem que não se elegerá à Presidência. Quer seguir com o show, com a perspectiva de ampliar o seu público. A política é para ele um negócio incrivelmente lucrativo que passa de pai para filho, e está bem que continue assim. É disso que ele vive.