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Banzé Brazuca

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Tegucigalpa

Continua sem solução o impasse na embaixada do Brasil em Tegucigalpa. Como escreve o jornalista e escritor José Nêumanne,” o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um gênio da política e disso não dá para duvidar. Reconhecer essa verdade, contudo, não esclarecerá se ele foi sincero (e, portanto de um desconhecimento sesquipedal dos fatos) ou se apenas destilou um gosto peculiar pela ironia, quando na Cúpula América do Sul-África, execrou “retrocessos” institucionais em nosso continente – caso da deposição de Manuel Zelaya. Pois o fez ao lado do tirano líbio Muamar Kadafi, no poder há 40 anos, e do ditador de Zimbábue há 29 anos, Robert Mugabe. Falar em ironia no episódio chega a ser um cruel acinte às memórias das vítimas de tantas ditaduras que prosperaram na América Central à sombra das bananeiras em flor”.

-Dirigente sindical no fim da ditadura militar, quando o general Geisel cunhou sua “democracia relativa”, Lula inventou a “democracia de conveniência”, adaptação petista da sentença de Artur Bernardes: ”Para os amigos, tudo; para os inimigos, o rigor da lei”

O Brasil, realmente, entrou numa enrascada de difícil solução. A única saída agora é conceder asilo a Manuel Zelaya em território nacional. Mas não será tão fácil assim. Quem conseguirá convencer Zelaya, hoje, no comando da embaixada em Tegucigalpa aceitar asilo para tirar o país da armadilha perigosa. Na forma da lei restam poucas as possibilidades para o Brasil regularizar a situação de Manuel Zelaya: asilo diplomático (Zelaya fica na embaixada, mas não pode fazer declarações políticas); Asilo territorial (presidente tem de ser retirado de Honduras e trazido ao Brasil); refugiado (para obter status, Zelaya tem de vir ao Brasil e se submeter a comitê); Hóspede (presidente permanece em limbo jurídico, sem status definido).

De qualquer maneira, é uma enrascada de difícil solução e que ainda dará muitas dores de cabeça ao Itamaraty e ao governo Lula.