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Brasil cuidado com a fanfarronice econômica, diz Financial Times

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O jornal britânico Financial Times publicou um editorial nesta quarta-feira (5) intitulado Latin swagger (Bravata latina) e alerta para uma “fanfarronice latina”, em especial do Brasil, em relação à sua própria situação econômica. O diário avalia a maré de boas notícias econômicas sobre a região e, em especial, sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Embora reconheça que haja motivos reais para celebrar sua situação econômica, o Financial Times faz uma alerta para o que chama de “complacência” latino-americana, e brasileira em especial, em relação ao seu próprio futuro.

“O maior perigo financeiro que a América Latina enfrenta agora é a complacência, especialmente no Brasil. As piores quedas normalmente ocorrem justo quando se está cantando de galo.”

A argumentação do jornal é a de que a região contou com uma boa dose de “sorte” na última década. Primeiro porque, calejados por crises anteriores, os bancos latino-americanos preferiram olhar para o mercado interno e evitar embarcar no risco de se expor aos empréstimos do tipo subprime, que terminaram contaminando as economias mais avançadas.

Além disso, diz o editorial, a demanda por commodities na Ásia puxou as economias latino-americanas durante a tempestade econômica nos países ricos. Por fim, argumenta o Financial Times, as baixas taxas de juros americanas, próxima do zero, fizeram a região receber um influxo de recursos em busca de retorno mais alto.

“Qualquer um desses fatores sozinhos seria capaz de sustentar um boom. Mas a América Latina está desfrutando de todos ao mesmo tempo. Como alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI), se trata de uma bonança sem precedentes.”

Para o jornal, os países da região devem procurar olhar para além da bonança e tomar medidas como evitar a apreciação exagerada do câmbio – o jornal menciona especificamente o Brasil e a Colômbia – e investir em obras de longo prazo, como no setor de infraestrutura.

“Ainda assim, pode haver um excesso de capital. O crédito brasileiro tem saltado a uma taxa de 47% e os preços de imóveis no Rio de Janeiro têm subido cerca de 50% ao ano.”

Para o diário, esses são “apenas dois sinais de alertas de uma dor-de-cabeça pós-boom que ainda está por vir”.