23 de outubro de 2018
Inicial / Repórter Brasília / Campanha eleitoral mais cedo

Campanha eleitoral mais cedo

Print Friendly, PDF & Email

O julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para o próximo dia 24, está antecipando a campanha. Deputados e senadores, em recesso, acompanham de suas bases, a movimentação política dos partidos. Temas que tradicionalmente só entram no calendário político, após o carnaval; já começam a surgir nas manifestações dos candidatos e dos não candidatos, com certa prudência, antecipando as decisões que terão enorme influência no processo eleitoral de outubro.

Julgamento é o divisor

A coluna conversou com alguns poucos parlamentares acessíveis, neste período de recesso do Congresso Nacional. A maioria está aguardando o resultado do julgamento de Lula. Antes disso, evitam falar em caminhos a serem tomados, “por falta de informações mais claras”. Adiantam que os calendários dos partidos e dos pré-candidatos, aguardam o resultado do julgamento do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre; que julgará o caso do triplex no Guarujá, pelo qual o petista foi condenado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, para começar a costurar as parcerias. Até porque, Lula sendo candidato a corrida ao Planalto muda de figura.

Disputa da centro-direita

Entre os candidatos já em plena campanha, apesar da preocupação do Palácio do Planalto, estão o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Os dois disputam com o governador de São Paulo (PSDB), o eleitorado de centro-direita. O Emprego e renda e foco no social, é a pauta do tucano. Já Meirelles e Maia, disputam a mesma agenda, querem a paternidade das reformas, principalmente, da Previdência.

Reforma da Previdência

O deputado Afonso Motta (PDT-RS, em roteiro pelo interior gaúcho, afirmou que “existe uma pressão muito grande dos setores empresariais e de alguns governadores para botar na pauta do dia 19, a reforma da previdência. Mas o governo não vai colocar na pauta se não tiver os votos necessários. Não tenho como fazer essa avaliação agora. Acho que tem um jogo de cena do Meirelles e do Rodrigo Maia na busca da aprovação da Reforma. Acredito que o Carlos Marun é quem vai centralizar a movimentação a partir de agora. Tem que acompanhar a movimentação do Marun”, para saber o que acontece, sugeriu.

Tudo tem influência

Na avaliação de Motta, se o governo fizer as articulações necessárias, é provável aprovar a reforma da previdência; mas ressalta que estamos num ano eleitoral, e tudo terá influência. Temos que ver o que vai dar com o Lula, e como estará o cenário para que se faça um bom debate. Acho que o grande desafio é viabilizar o processo eleitoral; é um ano eleitoral e se tiver saída para a crise, se constituir uma agenda única de interesse nacional, é o caminho eleitoral”

Definição de coligações

Quanto aos candidatos ao Palácio do Planalto, Motta disse que o PDT vai com “Ciro Gomes total”. Entretanto, salientou que “enquanto não se souber o resultado do julgamento do Lula”, as coligações, na grande maioria, ainda não se definem. O deputado lembra que temos Lula e Bolsonaro na polarização, e ainda é difícil prever alguma coisa mais concreta. Adiantou que o PSB é a grande parceria do PDT.