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Carrefour compra 30 lojas do Makro fora de São Paulo por quase R$ 2 bilhões

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A rede francesa vai transformar as unidades compradas em Atacadão e reforça a operação no País; o Makro vai se concentrar apenas em São Paulo, mantendo 24 lojas no Estado

O Carrefour anunciou neste domingo, 16, a compra de 30 lojas da rede Makro, por R$ 1,95 bilhão. Com o negócio, a gigante francesa do setor de supermercados dá um salto na operação de atacarejo com a bandeira Atacadão e, somado com a abertura de 20 lojas prevista para 2020, ganha o equivalente a um ano e meio de faturamento numa tacada só, segundo o presidente do Grupo Carrefour, Noël Prioux. A rede vai transformar as lojas do Makro em unidades do Atacadão, conforme adiantou o Estadão no último dia 6.

“Essa transação é o movimento mais importante para o Grupo Carrefour no Brasil desde a compra do Atacadão em 2007”, afirmou, em comunicado, Alexandre Bompard, presidente do Conselho de Administração  e CEO do Grupo Carrefour.

A negociação, que vai permitir maior atuação da rede no Rio de Janeiro, com sete lojas, e nos Estados do Nordeste, com mais oito lojas, também envolveu a compra de 14 postos de combustível e de 22 imóveis. “Essa transação é um acelerador do crescimento do Carrefour no Brasil, estamos prontos para fazer a integração e agora é esperar a decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, disse ao Estadão Prioux.

O grupo mantém o plano de investir R$ 2 bilhões este ano. A compra das lojas do Makro será alvo de captação extra no mercado na época em que for quitada a aquisição, após a aprovação no Cade,  explicou ao Estadão Sébastien Durchon, CFO do Grupo Carrefour Brasil.

As unidades adquiridas devem ser convertidas em Atacadão em até 12 meses. Com a implantação do modelo de operação, essas lojas devem ter aumento de até 60% no faturamento, segundo Prioux. Dos R$ 62 bilhões que o Carrefour faturou no ano passado, R$ 42 bilhões vieram dessa bandeira. O faturamento nesse segmento deve crescer R$ 2,8 bilhões com o novo investimento e o grupo vai aumentar de 187 para 217 as lojas Atacadão.

Makro

O Makro, de propriedade do grupo holandês SHV, não vai sair do País. O objetivo, segundo Roger Laughlin, presidente da companhia, é focar as operações da marca em São Paulo, mantendo 24 pontos de venda no Estado.

Com a venda das 30 unidades para o Carrefour – todas fora de São Paulo -, o total de unidades do Makro cai para 38. Laughlin afirmou ao Estadão que a companhia ainda negocia a venda de mais 14 unidades para outras redes de varejo. Com o dinheiro do negócio, o Makro pretende modernizar as lojas de São Paulo, especialmente no que diz respeito à oferta de perecíveis. “É um novo negócio, praticamente um modelo de atacarejo”, disse o executivo. “Temos massa crítica em São Paulo, e um bom market share (participação de mercado) relativo. Por isso vamos focar as nossas operações aqui.”

Junto com a transformação das 24 lojas que continuarão com a marca Makro, a SHV pretende também acelerar a estratégia de atendimento personalizado ao mercado de alimentação fora do lar, o chamado food service. Além disso, a companhia diz que poderá abrir lojas menores, de cerca de um quarto do tamanho atual, cuja média é de 8 mil metros quadrados.

Das 30 unidades vendidas ao Carrefour, 22 eram de propriedade do Makro, enquanto 8 eram alugadas. A rede teria intenção de aproveitar pelo menos parte dos funcionários das lojas vendidas nas operações do Atacadão.

Além de estar presente no Brasil, o grupo SHV tem operações com a bandeira Makro na Argentina, no Peru, na Colômbia e na Venezuela. Nesses países, de acordo com o presidente do Makro, a participação de mercado da marca é mais relevante do que no Brasil. Apesar de ainda estar presente na região, a SHV se desfez da operação na Europa há mais de 20 anos. Hoje, a marca é administrada pela rede alemã Metro no continente.

Com faturamento de cerca de R$ 7 bilhões, o Makro vinha organizando sua operação há alguns anos para uma venda. A companhia fechou lojas nos últimos anos e também modificou sua operação, antes voltada apenas a atacadistas, para aceitar cartões de crédito e débito, atendendo ao público geral.

O Estado de S.Paulo