24 de setembro de 2018
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Ciro critica substituição de Lula por Haddad, diz que Brasil não aguenta ‘outra Dilma’ e que PT ‘só pensa em si’

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O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes (foto), criticou nesta quarta-feira (12), em sabatina do jornal “O Globo” em parceria com o “Valor Econômico” e a revista “Época”, a indicação do ex-prefeito e ex-ministro Fernando Haddad para a cabeça de chapa do PT na eleição presidencial com a bênção do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Afirmou que o comandante do Exército tentou “calar as cadelas no cio que estão abaixo dele se animando com a candidatura de Jair Bolsonaro”. Sobre a relação com as forças armadas,caso vença a eleição, disse: “Eu mando e eles obedecem.”

O pedetista afirmou que “o Brasil não aguenta outra Dilma”, em referência ao fato de Haddad ter sido apadrinhado por Lula como ocorreu com a ex-presidente em 2010, quando ela era ministra da Casa Civil.

A entrevista foi conduzida pelos colunistas de “O Globo” Miriam Leitão, Merval Pereira, Lauro Jardim, Ancelmo Gois e Bernardo Mello Franco e pela diretora de redação da revista “Época”, Daniela Pinheiro.

Questionado sobre a oficialização da candidatura de Haddad à Presidência nesta terça (11), Ciro afirmou que tem “afeição” e “carinho” pelo ex-prefeito paulistano, porém, disse que o petista não conhece o interior do Brasil. Na avaliação do presidenciável do PDT, não há a “menor dúvida” de que, caso Haddad vença a eleição, o resultado se dará por ter obtido uma procuração de Lula.

“Não é assim que vamos sair dessa encalacrada [eventual eleição de Haddad]. […] O Brasil não aguenta outra Dilma, uma pessoa que é indicada”, declarou Ciro Gomes aos jornalistas.

Em outro momento da entrevista, o candidato pedetista disse que fica “ofendido” quando, eventualmente, alguém o compara com Dilma Rousseff. Na avaliação dele, o governo da ex-presidente, que acabou com um impeachment em 2016, foi “desastrado”.

“Quando me compara com a Dilma, fico ofendido. Fico ofendido mesmo. A Dilma foi um governo desastrado. olha aí o que dá ter pessoa que foi indicada”, enfatizou.

“Esse é o meu medo. Uma pessoa boa como o Haddad chega lá e vai encarar a turma. E aí?”, complementou.

Partido dos Trabalhadores

Ciro também criticou durante a entrevista a postura do Partido dos Trabalhadores no episódio da candidatura de Lula ao Palácio do Planalto. Ele disse que, na visão dele, “a burocracia do PT só pensa em si”.

Segundo o presidenciável, apesar de saberem que o ex-presidente não conseguiria obter registro para disputar a eleição por estar inelegível com base na Lei da Ficha Limpa, a legenda insistiu em “manipular” os eleitores, mantendo a candidatura até o último momento.

De acordo com o pedetista, a intenção do PT foi “tentar fraudar a ideia do Lula vítima”, “insultando a inteligência média do brasileiro a toda hora”.

“O PT, muitas vezes, dá demonstrações de que só pensa em si. […] A burocracia do PT só pensa em si”, declarou.

Apesar das críticas contra o PT, Ciro disse que não atribui a Lula a responsabilidade pelo episódio da candidatura. Para ele, o ex-presidente está com dificuldades de avaliação porque, atualmente, está cercado de “puxa-sacos”.

“Agora, o Lula está com problema. O Márcio Thomaz Bastos morreu, o [Luiz] Gushiken morreu. O Palloci está preso. Ele perdeu a dona Marisa. Lula perdeu sua visão genial da realidade porque está isolado na prisão e cercado de puxa-sacos”, ressaltou Ciro.

‘Jumento de carga’ e ‘cadelas no cio’

Indagado na sabatina sobre como será, caso vença a eleição, a relação dele com as Forças Armadas, Ciro Gomes foi bem direto: “Eu mando e eles obedecem.”

Ao ser questionado sobre declarações polêmicas recentes do chefe do Exército, general Eduardo Villas-Bôas, de que “a legitimidade de novo governo pode até ser questionada”, Ciro disse que, na avaliação dele, o comandante tentou “calar as cadelas no cio que estão abaixo dele se animando com a candidatura de Jair Bolsonaro”.

Ciro afirmou que, na opinião dele, “sem nenhuma dúvida”, a pior opção para o Brasil é a eventual eleição de Bolsonaro. Segundo ele, o candidato do PSL à Presidência “representa a destruição da nação brasileira”.

O pedetista destacou que, para ele, o rótulo para a política defendida por Bolsonaro é o “protofascismo”. Ciro lembrou que, dentro do hospital onde se recupera de um atentado à faca, o capitão do Exército posou para fotografias simulando com as armão que estava empunhando armas. “Ele não aprendeu nada.”

O candidato do PDT também chamou o vice-presidente na chapa de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, de “jumento de carga”. Ciro Gomes disse que Mourão reclamou da declaração na qual o general afirmou que os militares são “profissionais da violência”.

“[Mourão] é um jumento de carga. Acha que tem o poder. Ele disse para a imprensa estrangeira ‘nós é que somos os profissionais na violência’. Olha para quem estamos ameaçados de entregar o nosso país”, ironizou.

“Militares não são profissionais da violência. São profissionais da defesa. Duque de Caxias, que é o patrono do Exército brasileiro, deve estar morrendo de vergonha, seu jumento de carga”, declarou.

O presidenciável disse ainda que, se assumir o comando do Palácio do Planalto, não quer ver as Forças Armadas envolvidas com o combate ao narcotráfico.

Leia aqui matéria completa.

Blog Edgar Lisboa / G1

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