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Coronavírus: hora de reflexão

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O deputado Alceu Moreira (MDB/RS), presidente da Frente Parlamentar da Agricultura (FPA), sintetizou para o Repórter Brasília, a situação criada pelo coronavírus, maior crise sanitária do mundo desde a gripe espanhola. Segundo o líder do agronegócio, no Congresso Nacional, “talvez o coronavírus sirva para um bom espaço de reflexão entre todos. Hoje, mostra-se algo que está acima de qualquer sentimento ideológico, diferença pessoal, diferença política”.

Unidade de todos

“O coronavírus precisa da unidade de todos para fazer seu combate. Talvez isso sirva, num comparativo paralelo, para as questões do País”, afirmou o parlamentar, enfatizando que “o País pode perfeitamente ter dissenso. O país não é um lugar de eterno consenso. Ela pode ter dissenso normalmente”, destacou

Não pode sempre discordar

Para o congressista, “o problema é que não pode sempre começar a conversa sobre aquilo que tu discordas. É possível fazer uma série de consensos sobre as coisas que são mais importantes para o Brasil, e depois discutir as diferenças”. Na opinião de Moreira, “nós estamos marcando terreno a vida inteira numa disputa de espaços como se os espaços fossem únicos, e não são”.

Pouco inteligente

Na avaliação do presidente da FPA, “é pouco inteligente o que nós estamos fazendo, e acho que o coronavírus vai chamar atenção de muita gente, e acordar muita gente para a realidade do Brasil”. Acrescenta Alceu Moreira: “o Brasil que nós queremos está bem ao alcance da nossa mão. Se nós tivermos unidade de pensamento e consciência do país que nós queremos, do projeto de país que nós queremos, nós rapidamente atingiremos esse objetivo. Se nós não fizermos isso, vamos acabar atrasando as reformas, não fazendo o que tem que ser feito”. O deputado chama atenção para o fato de que “a cada dia perdido é, certamente, um dia de mais prejuízos para todos”.

Atentado à saúde pública

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), considerou um “atentado à saúde pública”, a atitude de Jair Bolsonaro de ter participado da manifestação pró-governo no domingo na área externa do Palácio do Planalto, interagindo com manifestantes. Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) classificou o comportamento como “inconsequente” e um “confronto” à democracia.

Cancelamento de atividades

 

O Congresso Nacional avalia a possibilidade de, até suspender os trabalhos por causa do coronavírus. O primeiro parlamentar diagnosticado positivamente com o vírus, senador Nelsinho Trad (PSD/MS), antes de saber que estava infectado, teve uma rotina intensa no Parlamento: “eu abracei meio Congresso”, disse.

Medo de levar ao pânico

Há possibilidade de cancelamento das atividades no Legislativo. O temor é que o simbolismo da medida leve a população ao pânico. Na mesma linha da cautela, estão governadores e prefeitos. Parar tudo terá também uma consequência econômica irrecuperável. Pode trazer a sensação de que o Brasil pare, que a economia brasileira vai parando aos poucos. As decisões deverão ser tomadas em cima de pareceres de infectologistas, buscando evitar as explorações políticas das decisões.

Impacto político

Entre os governadores, três pelo menos, estão buscando caminhos para evitar o caos em capitais que a epidemia cresce progressivamente: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Não só no ponto de vista da saúde pública, mas também por causa do impacto político, Wilson Witzel (PSC) do Rio, parte para a internação compulsória; João Doria (PSDB), cauteloso, busca evitar medidas drásticas. Já o mineiro Romeu Zema (Novo), está preocupado com o impacto financeiro num estado já bastante endividado.

Blog Edgar Lisboa

A coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente, no Jornal do Comércio, o jornal de economia e negócios do Rio Grande do Sul