Crise dos Estados “é muito pior que a da União”, alerta especialista

Yoshiaki Nakano

A crise na União é feia, mas a crise nos estados é muito pior. A afirmação é do diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente (IFI), Felipe Salto. E o horizonte não é bom. “Nos descemos fundo no poço, ainda estamos no fundo do poço engatinhando, a ensaiar uma recuperação”, disse. De acordo com o diretor da Escola de Economia em São Paulo (EESP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Yoshiaki Nakano, o Brasil tem um histórico de descontrole. “A política fiscal sempre foi um problema para o Brasil. Sejam de esquerda ou de direita, governantes brasileiros tendem a achar que o governo pode tudo e tem recursos ilimitados”. A IFI é vinculada ao Senado e criada pelo então presidente Renan Calheiros (PMDB-AL) a partir de um projeto do senador José Serra (PSDB-SP).

À beira do colapso

Ainda no fundo do poço e com uma pá na mão, o Rio Grande do Sul tenta renegociar a sua dívida com a União. O governador José Ivo Sartori, acompanhado do Secretário da Fazenda do Estado, Giovani Feltes, e do Secretário-Chefe da Casa Civil do Estado, Márcio Biolchi, estiveram em Brasilia na semana passada para uma reunião com o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. “O governador tem liderado um movimento para renegociar a dívida do Estado com a União. O Estado do Rio Grande do Sul passa por uma dificuldade imensa e sem precedentes na sua história. As suas finanças estão à beira do colapso. O Governador assumiu a responsabilidade de negociar com o Governo Federal”, disse o deputado Jones Martins (PMDB-RS). O estado não paga as dívidas há oito meses.

Cobrança de todos

Uma comitiva de deputados estaduais gaúchos veio à Brasília nesta terça-feira (14), para tratar da crise fiscal, o direito dos Estados em relação a compensação das perdas da Lei Kandir e a concessão de rodovias no Rio Grande do Sul. Dez partidos terão representantes, da bancada do PT vai a líder Stela Farias e o deputado Tarcísio Zimmermann, além do presidente da Assembleia Legislativa, Edegar Pretto. Os parlamentares têm audiências com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ); a bancada federal gaúcha e o ministro dos Transportes, Maurício Quintella Lessa.

Carro na frente dos bois

A possibilidade da volta dos pedágios na BR 386 fez o deputado Heitor Schuch (PSB-RS) criticar a cobrança antes das obras. “Não tinha nexo nenhum estabelecer um pedágio agora e começar a duplicação da rodovia daqui a 12 anos. Ora, por favor, ninguém é ignorante para achar que não existe alguma outra coisa por trás disso! Querem cobrar primeiro a contribuição de cada cidadão que passa por ali, para só depois então começarem a obra da duplicação? ”, questionou.

Curta

Projeto de lei da senadora Ana Amélia (PP-RS) que trata de pesquisas clínicas em seres humanos e institui o Sistema Nacional de Ética em Pesquisa Clínica com Seres Humanos chegou à Câmara. A proposta acelera a liberação desse tipo de pesquisa.