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Jair Bolsonaro

Deflação é sinal de fraqueza da economia

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Ivanir José Bortot

Assessores do Palácio do Planalto estão comemorando a deflação de 0,04% em setembro por acreditar em novas quedas nas taxas de juros em patamares nunca antes praticados pelo Banco Central(BC).  A inflação acumulada de janeiro a setembro no governo do Presidente Jair Bolsonaro ficou em apenas 2,49%, o mercado financeiro acredita que fechará o ano em 3,43%, dentro da meta do BC. A equipe palaciana acredita que Bolsonaro já pode considerar como seu, o Presidente que praticou as menores  taxa de juros em ambiente de baixa inflação.

Com a queda dos preços de apurados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último mês  seria um sinal claro de que a economia estaria indo tão bem ao ponto de permitir ao pessoal do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom)  promover novas rodadas de redução de juros este ano a um patamar inferior a 5%, hoje a taxa Selic é de 5,5%.

O  aumento ou queda das taxas de juros é principal instrumento utilizado pelo Copom para controlar a inflação dentro de uma meta estabelecida em lei de 4,25 % ao ano, com possibilidade de variar 1,5%   para mais ou menos.

A inflação, no entanto,  funciona como um termômetro que vai medir a febre do paciente para aferir se esta saudável ou não.

Enquanto a redução das taxas de juros pode contribuir para estimular o crédito ao consumo e o investimento, a queda da inflação para patamar negativo, contrário pode indicar uma grande fragilidade da economia e um quadro recessivo.

É que a deflação explicita um desequilíbrio nas relações de consumo – ou seja, a oferta de bens e serviços no mercado se torna maior do que o número de clientes demandando por ele. Caso o ICPA continue caindo pode agravar ainda mais as expectativas de retomada de crescimento. Os motivos para esta deflação de setembro estão presentes na nossa economia com possibilidade  de queda de demanda de forma generalizada, o elevado  desemprego e a retração de investimentos empresarial . Mesmo com a aprovação da reforma da previdência na Câmara e no primeiro turno no Senado Federal, ao contrário do que previa o Ministro da Economia, Paulo Guedes, os investimentos não vem ocorrendo. A equipe econômica, da mesma forma, não está tomando iniciativas que possam injetar recursos na economia amenizar os efeitos do desemprego e queda de renda da população.

Um dos fatores que pode amenizar esta visão mais pessimista deste processo deflacionário  no horizonte foi o comportamento de preços de alguns alimentos pesquisados entre 28 de agosto a 27 de setembro,  que pode não se repetir daqui pra frente.

A deflação de setembro deve-se em grande parte a queda de 16,17 % no preço do tomate,  de 9,89% cebola e 8,42% na batata.  Os preços destes três produtos dependem em grande parte de fatores climáticos e oferta de produção. Com a retração dos preços, os agricultores deixam de produzir e com isso cai a oferta no mercado e os preços voltam a subir.  Outro fator a ser lembrado ao leitor, é que nem todos os grupos de produtos tiveram queda de preços apurados pelo IPCA.  Os preços de itens de saúde e higiene tiveram alta de 0,07% e de vestuário 0,02%.  Os preços dos combustíveis tiveram elevação de preços em grande parte dos 11 locais pesquisados no País pelo IBGE.

Blog Edgar Lisboa

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