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Delfim Netto: "“O combate à pandemia é o maior fracasso do governo Bolsonaro..."

Delfim avalia governo Bolsonaro

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Com 70 anos de vida pública, Antônio Delfim Netto, que foi ministro da Fazenda, do Planejamento e da Agricultura, na ditadura, professor universitário e economista, levou muita gente a ficar de olho na televisão, até a madrugada desta terça-feira (21) para assistir uma entrevista inteligente, concedida a Pedro Bial, na TV Globo. Com 92 anos de idade, lúcido e sem rodeios, comentou as eleições de 2018. Além de fazer uma avaliação do trabalho do ministro do governo Bolsonaro, Paulo Guedes.

Maior fracasso de Bolsonaro

Nascido em 1928, 10 anos depois da passagem da Gripe Espanhola pelo Brasil, Delfim comparou as duas pandemias e lamentou que, mesmo 100 anos depois, o país não tenha se preparado para enfrentar a Covid-19: “O combate à pandemia é o maior fracasso do governo Bolsonaro. Não porque ele colocou um militar, mas porque nós não tínhamos nos preparado para o que aconteceu”.

Brasileiros invisíveis

O economista salientou que, em sua opinião, a maior consequência da tragédia foi a descoberta de 38 milhões de brasileiros “invisíveis”: “Estavam vivos, mas não existiam. Para os quais não demos nem água tratada, nem esgoto tratado”.

Desigualdade escandalosa

Ao salientar a urgência “de combatermos” o que definiu como uma “desigualdade escandalosa”, Delfim defendeu uma prática política que gere igualdade de oportunidades, e não deixou de fazer um mea culpa. Na opinião de Delfim, não há força política que vá impedir o lançamento de uma renda básica inteligente que proteja os mais necessitados e dê a eles a oportunidade de recuperarem sua cidadania. “Enquanto não partirmos do mesmo ponto, meritocracia não significa nada”.

Fracassada chapa Ciro-Haddad

Com a experiência desse longo caminho integrando governos, e hoje, ainda um personagem relevante da política brasileira, Delfim Netto revela bastidores da chapa Ciro-Haddad em 2018: “PT não teve a grandeza de ser o segundo na chapa”. Lula não tomava decisão econômica sem consultá-lo em seus mandatos como presidente. Na formação da chapa de 2018, inicialmente formada por Ciro Gomes (PDT) e Fernando Haddad (PT), ele conta que também teve participação: “Lula tinha organizado Ciro como presidente e Haddad como vice. Os dois foram ao meu escritório, o objetivo era formular um programa de desenvolvimento do Brasil para sair da situação complicada em que se encontrava”.

PT na vitória de Bolsonaro

Para Delfim Netto, a desistência do PT foi decisiva para a vitória de Bolsonaro. Na opinião do ex-ministro, atacar Ciro seria mais difícil e teria menos credibilidade, já que o pedetista passou incólume pela Lava Jato. “Se não tivessem traído o Ciro, ele teria sido eleito. O PT não teve a grandeza de ser o segundo na chapa. ”

Tem que ter voto

“Não concordo com essa análise”, afirmou o deputado Bohn Gass (PT/RS), ao ver a entrevista do ex-ministro Delfim Netto. “Sempre tentam interditar o PT”. Acrescentou: “Tem que ter voto. Nós temos votos”. O parlamentar enfatizou: “Estamos em sintonia com o povo”. Bohn Gass concluiu destacando: “O PT foi presidente quatro vezes e o Haddad foi para o segundo turno”.

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