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Embaixada do Brasil em Wasghinton

Eduardo Bolsonaro será exposto a massacre midiático nos Estados Unidos

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José Antônio Severo

A indicação do nome do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) para embaixador dos Estados Unidos é uma das variáveis da crise no setor de comunicação do Palácio do Planalto. Os profissionais da mídia que têm acesso à secretaria de imprensa não se cansam de advertir que a ida do 03 para os Washington será um dos maiores desastres de imagem que o Brasil vai ter de carregar. Entretanto, pega mal tocar no assunto com o presidente Jair Bolsonaro. Aí o problema. Expulse o mensageiro.

Na América do Norte e, também, na Europa Ocidental, as canetas ferinas da imprensa estão afiando as penas para cobrir o que se espera seja a atuação do futuro embaixador brasileiro junto à Casa Branca. Será um conveniente e indefeso saco de pancadas.

É isto que seria um temor do general Rego Barros, porta-voz da presidência, duramente atacado pelos arautos do situacionismo, o vereador Carlos Bolsonaro e o deputado federal Marcos Feliciano (Podemos/SP). Talvez cada qual dos adversários do general tenha motivações diferentes, mas o efeito é o mesmo: os dois querem 03 longe de Brasília. Entretanto, lançá-lo no turbilhão de político-partidário de Trump, em ano eleitoral, será uma operação de alto risco. O representante diplomático do Brasil vai atrair fogos amigo e inimigo. Afinal, não sendo americano, é alvo livre para tiro de todos os calibres.

Com as últimas declarações do presidente Jair Bolsonaro atacando de frente todos os mantras politicamente corretos, Eduardo pode se converter no alvo preferencial de todos os adversários do presidente Donald Trump durante a campanha eleitoral que se aproxima nos Estados Unidos. A pergunta: que fará o presidente norte-americano quando a imagem desastrosa do filho de seu parceiro brasileiro desabar sobre ele?

A dúvida é o quanto Donald Trump estaria disposto a segurar, antes de alijar esse pesado aliado ao mar. A percepção dos marqueteiros é que o peso de todas as polêmicas de origem norte-americana que se implantaram no Brasil serão reativadas: índios, mulheres, LGBT, desmatamento, fundamentalismo religioso, enfim, tudo, e não são poucos, isto pode ser esgrimido, sem que 03 possa interferir, pois, afinal, Bolsonaro não é candidato nos Estados Unidos.

Admirador acrítico de seu próprio filho, o presidente estaria surdo às advertências de sua assessoria. Esse seria um dos temas a provocar o desgaste do general porta-voz. Rego Barros pode esvaziar as gavetas.

José Antônio Severo