Inicial / Destaques / Efeito colateral da mudança na Fundação Palmares é a disputa de evangélicos e afro-culturalistas
Efeito colateral da mudança na Fundação Palmares é a disputa de evangélicos e afro-culturalistas - Blog Edgar Lisboa. Foto: Facebook/ Reprodução

Efeito colateral da mudança na Fundação Palmares é a disputa de evangélicos e afro-culturalistas

Print Friendly, PDF & Email

José Antônio Severo

Conflito religioso no radar. Um subproduto das mudanças anunciadas nas áreas de políticas identitárias na administração púbica, iniciada com a mudança de comando da Fundação Palmares, poderá acirrar as relações habitualmente tensas e, às vezes, violentas entre evangélicos e religiões de matriz africana.

O novo presidente da Fundação Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, é adversário aberto dos movimentos identitários negros que são reconhecidos no Brasil.

A reversão do movimento negro vai dar o que falar. Começa com a troca de orientação na fundação Palmares, entidade mater da recuperação da identidade africana na formação do Brasil. Depois, outras partes desse movimento deve ser atacado pela ala ideológica do novo governo, retirando apoios oficial, de verbas e reconhecimento. Esta é a perspectiva neste momento.

Neste segmento da rivalidade religiosa entre evangélicos e seitas afro-culturalistas, as disputas não se restringem ao território brasileiro. As religiões brasileiras de orientação pentecostal com sede no Brasil vêm liderando uma forte expansão na África como um todo, onde enfrentam a hostilidade das seitas muçulmanas. As ditas religiões de inspiração animistas, como candomblé o vudu, nos países africanos estão desaparecidas, figurando apenas como identidade folclórica.

A primeira reação já foi vigorosa em todos os meios, da mídia às instituições ligadas à cultura, História e todos os influenciadores da opinião pública. No entanto, isto parece apenas reforçar o ânimo dos conservadores, como demonstram outras ações nesse sentido, como nos embates com ambientalistas, indigenistas e na orientação da política cultural.

Por outro lado, os conservadores dizem não temer reações efetivas, pois avaliam que os movimentos identitários não detêm a força política que se lhes atribui. Não obstante as estatísticas apresentarem números expressivos, até majoritários, os situacionistas dizem que os movimentos racialistas não têm a expressão política relevante nas bancadas de parlamentos, ao contrário das corporações, religiões e outros estamentos, suas representações especificas são praticamente nulas nas câmaras e assembleias. Muito barulho, que não será do couro dos tambores.

Blog Edgar Lisboa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *