Em retirada com pouca munição | | Edgar Lisboa
Inicial / Repórter Brasília /  Em retirada com pouca munição
Vice-Presidente, Hamilton Mourão

 Em retirada com pouca munição

Print Friendly, PDF & Email

Esta semana, na economia, promete ser do vice-presidente Hamilton Mourão. Enquanto o presidente da República, Jair Bolsonaro, debate-se com as ameaças do novo cornavirus que tomou conta de seu organismo, a general manobra para romper o cerco que se aperta sobre o País. Acossado por ameaças reais de investidores internacionais o de cortar o fluxo de recursos externos para nossos mercados. Desarranjo cambial à vista.

Sem proteção garantida

É um problema grave, que, à esta altura, ultrapassou a rede de proteção garantida pelas reservas e pelos superávits da balança comercial. Além do constrangimento externo, a situação interna é também, preocupante.  De um lado o governo está sob pressão crescente do desequilíbrio fiscal gerado pela queda de arrecadação e pelo socorro às vítimas da pandemia; de outro, as perspectivas do crescimento da economia socorrer o erário são mínimas, pois a paralisação dos serviços e negócios indicam que o recuo do PIB deverá ultrapassar os 10%, um mergulho inédito na História do País.

Missão difícil

Na semana passada, o vice-presidente iniciou sua contraofensiva, enfrentando os grupos de investidores que fizeram um ataque frontal. Na condição de presidente do Conselho Nacional da Amazônia Legal, Mourão está esgrimindo com as costas na parede. É uma missão difícil, pois suas defesas estarão enfraquecidas pela crise econômica interna, que promete agravar-se na medida em que se aprofunda o fosso fiscal e sob fogo cerrado dos concorrentes externos que, valendo-se do desastre amazônico, procuram tirar o País dos seus mercados.

Acordo com o Mercosul

Nestes casos, o Brasil perde não só nas áreas de commodities, como mais aparece nos jornais, mas também uma grande lista de produtos industrializados será acrescida, haja visto as notícias de que os parlamentos nacionais dos países membros da União Europeia vão derrubar o acordo com o Mercosul. Situação dramática, pois, ao cair, o Brasil leva junto seus parceiros sul-americanos. Indesculpável derrota política da nossa diplomacia.

Leão do Caverá

Com tantos obstáculos, resta ao general Mourão repetir o aforismo do general maragato Honório de Lemes, o Leão do Caverá: “batendo em retirada com pouca munição, mas pelejando”.

Villas Boas tem proposta

O ex-comandante do Exército, general Eduardo Villas Boas, gaúcho de Cruz Alta, está lançando o Instituto General Villas Boas, um centro de estudos avançados com a finalidade de elaborar projetos para o Brasil nas páreas estratégica e, paralelamente, de soluções para pessoas com deficiências. Diz na introdução: “Somos um país com mais de 200 milhões de habitantes, cuja população contém em si própria riquezas geradas desde 1500, decorrentes da miscigenação em que as três raças se mesclaram, cada uma delas aportando características ímpares. A criatividade, a alegria de viver, a tolerância, a adaptabilidade, a resiliência, a religiosidade, o sentido de família, o patriotismo, enfim, esses e outros atributos são como uma vasta produção de frutos, à espera de serem colhidos e colocados na grande cesta da nacionalidade brasileira”.