19 de dezembro de 2018
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Entrevista do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine

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imagem: Reprodução/É Notícia - RedeTV!
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Aldemir Bendine nasceu e foi criado no interior em São Paulo, mas especificamente em Paraguaçu Paulista, uma cidade da região oeste de São Paulo. Contou como foi seu trabalho ainda bem jovem, com 14 anos.Isso mais de 30 anos atrás:” Comecei minha trajetória profissional também nessa cidade como office-boy no Banco do Brasil”.

Kennedy Alencar: Como era a sua família? O que fazia seu pai e sua mãe?

Aldemir Bendine: “Eu venho numa família extremamente simples, mas muito unida. Uma família espetacular, uma família pequena. Infelizmente, já perdi meu pai e minha mãe. Meu pai inclusive recentemente. Eu tenho uma única irmã. Meu pai era um representante comercial, viajava muito. Minha mãe era uma dona de casa, mas apesar da simplicidade, das dificuldades da vida, uma família muito bem estruturada que me ajudou muito.”

Kennedy Alencar. Esse Bendine é italiano?

Aldemir Bendine: É italiano, origem do meu pai. Meus avós vieram da Itália são da região da Emilia Romanha. Família bastante espalhada lá na Itália, traz um pouquinho a tradição da Itália.

Kennedy Alencar: Você é torcedor do Palmeiras, não é isso?

Aldemir Bendine: Com certeza. Um torcedor ardoroso.

Kennedy Alencar: Esse Aldemir vem de onde? Porque tinha o Ademir da Guia do Palmeiras, tinha uma história que seu pai era fã de futebol. Como é que surgiu esse Aldemir meio que inspirado no Ademir da Guia é isso mesmo ou não?

Aldemir Bendine: A versão oficial diria que era uma homenagem ao Aldemir Martins, um pintor cearense, que minha mãe gostou muito do nome e meu pai também queria ter a tradição dos filhos que começam com a letra A. Ele se chamava Antônio, apareceu esse nome para mim o Aldemir e minha irmã é Andréia. Mas as más línguas dizem, que na verdade, ele queria homenagear o Ademir da Guia. Quis fazer de uma forma um pouco disfarçada e colocou um “L” no meio para tentar mudar um pouquinho.

Kennedy Alencar: O Dida surgiu de onde? Quem lhe deu esse apelido?

Aldemir Bendine: Bom, esse nome de Aldemir de difícil pronúncia por conta desses “L”. Acabou sendo de difícil pronúncia para minha irmã, que é quatro anos mais jovem, a época que ela estava aprendendo a falar, ela tinha uma dificuldade danada para pronunciar o nome e acabou gerando um Dida. Eu tenho esse apelido desde os seis, sete anos de idade. Isso acabou se perpetuando e trago ele comigo até hoje, até na vida profissional.

Kennedy Alencar: A gente vê nos noticiários dos jornais que virou o presidente do Banco do Brasil e nos títulos é Bendine, Bendine, Bendine. Mas quando vai conversar com as pessoas do mercado financeiro ninguém fala Bendine, todo mundo fala Dida. É conhecido como Dida.

Aldemir Bendine: Essa tradição acabou se mantendo. Formalmente me chamam de Bendine, mas no dia-a-dia, na intimidade se usa o Dida.

Kennedy Alencar: Onde o senhor estudou no Fundamental, no Ensino Médio e na Universidade?

Aldemir Bendine: Eu comecei toda parte do Ensino Fundamental e Ensino Médio feito na minha cidade, Paraguaçu Paulista, no Colégio público Dilma Figueiredo Silveira, conhecido com Cene. Posterior a isso, iniciei na Faculdade de Engenharia Civil, em Presidente Prudente. Mas passei no concurso do banco, voltei, não tive como conciliar esse lado da Engenharia com o trabalho no dia-a-dia do banco. Procurei uma carreira voltada mais ao dia-a-dia da gestão bancária. Me formei em Administração e tenho alguns MBAs tudo voltado para a área.

Kennedy Alencar: Se não fosse um executivo de sucesso. Que outra profissão teria?

Aldemir Bendine: Tenho duas vertentes. Falaram que era um bom jogador de futebol, talvez teria seguido por esse caminho, mas não acredito muito não.

Kennedy Alencar: Qual posição jogava?

Aldemir Bendine: Goleiro. Depois não cresci muito, acho que não ajudaria muito. Acho que tenho um pensamento cartesiano e gosto muito de Cálculo. Acho que, talvez, muito provavelmente, teria seguido na carreira de Engenharia.

Kennedy Alencar: Quando é a data do seu nascimento?

Aldemir Bendine: 10 de dezembro de 1963.

Kennedy Alencar: Jovem, hein?

Aldemir Bendine: Foi uma trajetória rápida.

Kennedy Alencar: Dezembro que signo é?

Aldemir Bendine: Sagitário.

Kennedy Alencar: Acredita em horóscopo?

Aldemir Bendine: Não acompanho muito. Não procuro me pautar por isso, não.

Kennedy Alencar: Procura manter a forma, cuida da saúde, tem uma dieta?

Aldemir Bendine: Não da forma que gostaria, infelizmente. No dia-a-dia bastante corrido. Mas vivo me penitenciando. Então, de vez em quando, bate pouquinho a pressão mais forte, procuro fazer algum tipo de caminhada, algum tipo de exercício, mas não me cuido da forma que deveria. Reconheço isso.

Kennedy Alencar: Dorme quantas horas por noite?

Aldemir Bendine: Muito pouco. A atividade é extremamente puxada. Deixo para o final de semana para dormir um pouco mais. No dia-a-dia, no máximo, cinco horas de sono ou quando muito cinco e meia.

Kennedy Alencar: E fica bem?

Aldemir Bendine: A gente acaba ficando um pouco cansado no final de dia, né. Acho que dá para recuperar e final de semana a gente consegue se estabilizar um pouquinho.

Kennedy Alencar: No final de semana, quando está no seu tempo livre, tem um hobby, gosta de fazer o quê?

Aldemir Bendine: Hoje não tenho tempo para exercer algum tipo de hobby. Desde de garoto, sou muito ligado a questão de leitura. Adoro ler, acho que talvez seja meu maior hobby. E também o futebol. Essa paixão que tenho pelo meu time. Acompanho futebol muito próximo.

Kennedy Alencar: Quando tem uma reunião com Lula no dia seguinte, assim, que o Palmeiras foi bem e o Corinthians foi mal. Como é que faz? Porque ele é corintiano doente.

Aldemir Bendine: Nessa hora, é melhor entrar quieto. Esperar o chefe se pronunciar, antes de fazer qualquer gozação.

Kennedy Alencar: Tem alguma superstição?

Aldemir Bendine: Não, não. Sou uma pessoa extremamente pragmática. Apesar de ter minha religião, ter minha fé.

Kennedy Alencar: Qual?

Aldemir Bendine: Fui criado sobre a égide do ensinamento católico. Não sou um praticante, mas tenho uma fé muito forte.

Kennedy Alencar: Tem algum santo especial de devoção?

Aldemir Bendine: Tenho uma afinidade maior com Nossa Senhora. Tenho uma história curiosa. A minha avó é de origem portuguesa e era da região de Fátima. E ela presenciou aquela aparição de Nossa Senhora em 1914, lá em Portugal. A família teve por tradição essa devoção. Então, acho que tenho um pouquinho lado de Nossa Senhora de Fátima, um pouquinho lado Nossa Senhora Aparecida, já pelo lado brasileiro de ser.

Kennedy Alencar: Dida, queria entrar um pouco sobre a questão dos bancos públicos, que é a sua praia. Os dados mostram que durante a crise, os bancos públicos foram responsáveis pelo fornecimento de crédito na economia brasileira. Se não tivessem feito isso, a crise teria sido muito mais grave do que foi. A pergunta que se faz é a seguinte: essa ação dos bancos públicos na crise, ela é sustentável no longo prazo? Não vai sobrar um esqueleto lá na frente, no Banco do Brasil ou na Caixa, pro contribuinte pagar, como já sobrou no passado em que houve um uso político muito forte nos bancos públicos?

Aldemir Bendine: Tenho repetido isso freqüentemente e volto aqui a frisar. Toda prática de concessão de crédito no Banco do Brasil é feito de uma forma extremamente técnica, dentro da maior condição de prática bancária. O que, na verdade, o Banco do Brasil mostrou nesse período é que ele anteviu uma melhoria significativa do que você tinha na questão econômica e acabou sendo um agente indutor desse papel. Prova disso, é que os bancos privados, agora, seguem também essa mesma cartilha que o banco adotou no início do primeiro semestre. Isso é prova que nós tínhamos espaço para fazer essa oferta. Essa oferta foi feita de uma forma extremamente profissional, dentro da boa qualidade. Até porque hoje, você tem um sistema de governança corporativa dentro do Banco do Brasil extremamente eficaz e moderna que não te permite mais situações como o próprio banco já viveu no passado.

Kennedy Alencar: Como anda a situação de lucro do banco e as garantias que foram dadas em troca desse empréstimo?

Aldemir Bendine: Tem dois pontos extremamente positivos em relação ao Banco do Brasil. Ele tem a melhor média de inadimplência do sistema financeiro nacional. Nós temos uma gestão da nossa carteira de crédito e no controle da nossa inadimplência extremamente positivo.

Kennedy Alencar: Ou seja, leva pouco cano, pouca gente não paga a conta.

Aldemir Bendine: Exatamente. Sobre o outro lado, o que nós estamos acompanhando em relação a toda essa movimentação que nós fizemos do primeiro semestre e que está continuando no segundo semestre, tem mostrado uma qualidade na carteira de crédito extremamente positiva. Prova disso, é que nós fizemos esse grande movimento em crédito e a qualidade da nossa carteira medido por índices, que são medidos pelo próprio Banco Central, mostram que a saúde da nossa carteira é uma das melhores do mercado e não teve nenhum decréscimo.

Kennedy Alencar: O senhor falou no aspecto técnico. Eu me lembro que durante a crise, o Lula cobrou muito o Banco do Brasil, inclusive houve uma troca na presidência do Banco do Brasil, você foi nomeado porque o Presidente da República queria trocar a diretoria, porque achava que a diretoria anterior, do presidente anterior, não estava correspondendo no fornecimento de crédito, ou seja, houve uma decisão política do Lula (do governo) de pegar e falar: “O Banco do Brasil tem que pegar e entrar firme nesse momento difícil”. É a chamada política anticíclica. No momento em que faltam recursos, o poder público entra e supre o mercado privado. Então, teve um uso político nesse sentido até benéfico, não?

Aldemir Bendine: Costumo dizer o seguinte. Primeiro, o Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista. Por si só não tem uma característica totalmente diferente de um banco privado. O primeiro ponto é o seguinte: quem nomeia o presidente do Banco do Brasil é o presidente da República.

Kennedy Alencar: Que é o acionista majoritário.

Aldemir Bendine: Que é o acionista majoritário. Segundo, o banco público está aí justamente para exercer esse papel. Senão, você não tinha sentido nenhum em manter um banco público. Se fosse para ter uma atuação simplesmente comercial era melhor que se privatizasse o Banco do Brasil. O Banco do Brasil se cumpre a vários papéis. Dentre eles, ter uma postura mais agressiva em momentos que se exija uma posição mais forte do banco. Como você citou, isso foi uma política cíclica de fato e que era o que a gente imaginava acontecer. Na verdade, estava dentro de um processo natural de troca, que já estava acontecendo. Acabou se associando um pouquinho porque o presidente vinha insistindo numa postura mais efetiva do Banco do Brasil, inclusive, no que diz respeito a política de juros. Mas o que costumo dizer é o seguinte, isso para mim não se trata de ingerência política, Kennedy, acho que o controlador o que ele faz é orientar até porque como dono da instituição, ele tem que passar essa orientação, assim como é na iniciativa privada.

Kennedy Alencar: Esse papel, nesse momento, é importante de política pública.

Aldemir Bendine: Sem dúvida. Até porque, como disse, não teria sentido em ter o Banco do Brasil se não fosse para atuar nas várias frentes sociais que hoje ele faz.

Kennedy Alencar: Agora, o banco vai continuar nesse embalo, nessa toada ou agora vai pisar um pouco o pé no freio, está melhorando. Como é que vai ser isso aí?

Aldemir Bendine: Nós estamos com uma capacidade de alavancagem de crédito ainda muito boa. O que a gente está percebendo.

Kennedy Alencar: O que é capacidade de alavancagem de crédito? É a possibilidade de emprestar?

Aldemir Bendine: É a possibilidade de emprestar.

Kennedy Alencar: Caixa cheio para os seus capitais?

Aldemir Bendine: Sim, o caixa do banco está cheio. Tem a possibilidade de alavancar muito. O que nós estamos observando, agora no segundo semestre, não é tanto uma demanda tão forte como ocorreu no primeiro. Talvez não se repita o boom tão grande como se teve no primeiro semestre. Porém ,nós estamos prontos para isso e acreditamos no crescimento dessa carteira de crédito. Bem, como em outros negócios que a gente está apostando muito fortemente.

Kennedy Alencar: O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, esteve nesse programa (foi a última entrevista). Ele disse que os bancos públicos podem ter essa ação anticíclica, essa ação mais ousada na crise porque ele tem um grande lastro que é o Tesouro, ou seja, o banco privado está ali, é o negócio dele que está ali. Claro que o dinheiro público é dinheiro de todo mundo. Tem que ser mais respeitado e tem tanto valor como dinheiro privado. Até mais porque é sacrifício de toda a sociedade. Mas, isso dá uma vantagem competitiva aos bancos públicos. Agora, passado o momento, se o banco público que tem esse lastro continua nessa toada, aí não há um desequilíbrio na competição com o privado. O privado não vai sair perdendo não, Dida?

Aldemir Bendine: Não. Veja bem, não há grandes vantagens em relação a isso. Acho que essa vantagem está mais na questão da confiança. De fato, em momentos de crise, o Banco do Brasil tem uma vantagem competitiva. A própria confiança da sociedade brasileira, do cliente brasileiro acaba levando um aumento da nossa captação. Há uma tendência natural de direcionar os seus recursos para o Banco do Brasil. Mas, isso é uma questão de confiança. Hoje, o que você tem que passar no momento como esse é sua estrutura de capital, é sua estrutura de caixa para poder atuar dentro de um planejamento que nós já temos estabelecido. O Banco do Brasil não vai ficar continuando só operando em crédito. O banco é uma loja um pouco mais ampla que tem uma série de ações para ser feitas e nós estamos apostando em todas essas frentes.

Kennedy Alencar: O Banco do Brasil voltou ao topo. Retomou o primeiro lugar do Itaú Unibanco. É sustentável essa liderança? Está colocando dianteiro e o Unibanco correndo atrás ameaçando. Como está isso, Dida?

Aldemir Bendine: Essa competição é extremamente salutar. Isso prova a força dos conglomerados bancários brasileiros. Minha intenção é que o Banco do Brasil tenha reassumido de volta essa posição e não mais a perca. Para isso, a gente está acordando um pouquinho mais cedo, dormindo um pouquinho mais tarde, para manter essa posição. Isso tem algo a ver, lógico, com também ao lado emocional. Nós somos a instituição mais antiga desse país. São mais de 200 anos de história. Hoje, nós temos uma pequena folga porque até quando readquirimos essa liderança, ainda não estava contabilizado a nossa participação adquirida no Banco Votorantim. Mas, não tenho dúvida, que o concorrente está trabalhando firme e forte para crescer e a gente vai estar disputando a cada palmo este mercado, mas eu tenho sim, a convicção que nós vamos permanecer na frente.

Kennedy Alencar: Você citou a compra de 50% do Votorantim. Houve um acordo porque parece que a gestão total não é do Banco do Brasil. Há uma gestão compartilhada, não é isso? Isso daí, foi algum pedido político do Governo para chegar esse acordo? Qual a vantagem do Banco do Brasil comprar um banco que tem compartilhar a gestão? Não seria melhor ter 51% e mandar no banco?

Aldemir Bendine: A gestora financeira tem um modelo diferenciado do sistema bancário. Ela é uma estrutura verticalizada. Com outro tipo de atuação. Quem está lá na ponta, quem está trabalhando não é um bancário, é um comerciário, um financista, que está na frente daquele modelo.

Kennedy Alencar: Um banco forte na área de veículos, não é isso?

Aldemir Bendine: Ele já era o quarto melhor banco nessa área. Com a junção com o Banco do Brasil com essa parceria. Nós passamos a ter a terceira maior carteira. E temos pretensão de continuar crescendo muito forte.

Kennedy Alencar: Interessava porque complementava o banco numa área que o banco não era tão forte, não é isso?

Aldemir Bendine: Não só tão forte que ele não tinha atuação nessa área. Na verdade, a gente vinha estruturando a criação de uma financeira em parceria com o sócio estrangeiro. Dado o início da crise, em setembro, o sócio teve que repensar os seus projetos de investimento. Acabamos não concretizando essa parceria. O que a gente viu naquele momento, então, foi buscar oportunidades no mercado brasileiro para que a gente continuasse tendo essa solução que a gente havia encontrado no financiamento de veículos. Como te disse, o financiamento de veículos se dá fora do balcão do banco. Nós só tínhamos uma operação para financiamento ao cliente do banco. Então, ela veio complementar uma deficiência que o banco tinha nesse financiamento a pessoa física.

Kennedy Alencar: Foi apenas uma ação de mercado? Ou ministro da Fazenda ou o presidente da República, o Emilio de Moraes está lá, o banco está numa crise, tem interesse numa parceria. Houve esse tipo de coisa? Ou foi meramente uma ação privada do mercado bancário?

Aldemir Bendine: De forma alguma. Na época, saímos procurando as oportunidades que você tinha. Notadamente, porque os bancos médios e pequenos passaram a ter dificuldade naquele momento em relação a “Fandi”, em relação, a captação de dinheiro para manter a sua atividade. Como nós entramos naquele momento agindo também de uma forma anticíclica, procurando comprar carteiras conforme orientação da própria autoridade monetária. Nós tivemos a oportunidade de avaliar todos esses bancos que tinham carteiras a ofertar. Tivemos a felicidade de poder fazer uma parceria com a maior que tinha disponível no mercado naquele momento.

Kennedy Alencar: O governo deu a diretriz. Eu lembro daquela MP 443 que permitiu que o Banco do Brasil e a Caixa pudessem comprar outros bancos, mas também outras empresas. Isso permitiu que o banco pudesse procurar no mercado oportunidade de negócio boa porque momento de crise é bom para comprar também, né?

Aldemir Bendine: Costumo dizer, se tem algo que a gente deve creditar a forma que o Brasil demorou mais para entrar nessa crise e ter saído mais rápido, foi à pronta eficiência da equipe econômica do Governo brasileiro. Eu acho que se reconheça lá fora mais do que aqui, internamente, o grande trabalho liderado pelo ministro Guido Mantega, que teve uma efetividade muito grande, em ter sido muito rápido nas ações que mitigaram os possíveis efeitos que você teria na crise. Acho que essa política de melhorias de cunho fiscal, de estimular determinadas cadeias produtivas que estavam passando dificuldade, de ajudar de uma forma indireta bancos pequenos e médios que tinham dificuldade naquele momento. Acho que isso foi emblemático. Isso foi o grande sucesso do Brasil rapidamente ter saído dessa crise.

Kennedy Alencar: Para entender essa relação política e econômica, ou seja, quando a diretriz é política (que foi a linha correta, tanto o Brasil está saindo mais rápido da crise), mas tem a execução técnica, a execução econômica. Quais são as garantias institucionais, o modelo institucional, os freios, os contrapesos que tem para impedir que se avance no sinal? O que você viu no passado, o Banespa quebrou porque um político decidiu usar o banco para fazer um sucessor. Agora, deu certo, mas a gente tem um arcabouço institucional que garanta que sempre vai dar certo? Ou esse arcabouço tem que ser construído, isso foi uma experiência?

Aldemir Bendine: Não. A gente já tem esse arcabouço no banco. Primeiro, a governança corporativa do banco é reconhecida como uma das melhores e mais eficazes que nós temos hoje no mercado brasileiro. Segundo, nós somos um banco que tem ações em estados novo mercado. Terceiro, que a gente está sujeito as demais regras que a autoridade monetária, no caso o Banco Central, impõe a todo sistema financeiro. Além do mais, a gente ainda tem, uma fiscalização extra em relação aos bancos privados que diz respeito a fiscalização do próprio governo (órgãos reguladores e fiscalizadores, como o próprio Tribunal de Contas da União, Controladoria-Geral da União, Ministério Público, imprensa e assim por diante). Mas, o que eu gostaria de frisar é que nesse aspecto o Banco do Brasil dentro da sua governança corporativa, ele tem uma política extremamente moderna e muito bem blindada. Nós temos um Conselho de Administração extremamente eficaz, nós temos nossos Comitês de Auditorias, nossas camadas de alçadas de decisões de operações são extremamente pulverizadas. Eu te digo o seguinte, eu como banco, eu como presidente do banco muitas vezes não tenho a caneta para assinar operação individualmente. Nenhuma decisão do banco é de ossada individual. Todas são colegiais.

Kennedy Alencar: Você falou a pouco, que o empréstimo do Banco do Brasil não sai numa canetada do Dida. Ou seja, há um compartilhamento de responsabilidades. Nós também estávamos falando da pressão política, das diretrizes políticas e tal. Algumas empresas se queixam muito que ainda há dificuldade para se obter crédito. Queria que o senhor me respondesse o seguinte, se o político (um deputado, um senador, um ministro) ligar para o senhor, o senhor institucionalmente o atende e ele fala “fulano de tal, empresário tal está querendo um empréstimo do Banco do Brasil”. Como é que o senhor dá o encaminhamento? Quais são os critérios que o banco exige para a empresa poder receber esse crédito, Dida?

Aldemir Bendine: Encaminhamento, Kennedy, é o mesmo que qualquer cliente que procurar uma agência. Vou atender a pessoa que está me pedindo com a maior simpatia, com a maior cortesia, mas ela vai iniciar todo esse processo como se inicia através de um relacionamento com uma agência. Ali nosso gerente vai visitar aquela empresa, vai avaliar dentro dos nossos critérios técnicos em relação a análise de crédito, de risco, assim por diante. Vai subir nos determinados níveis que o banco tem, em termos, de alçada e de governança. De forma alguma, a gente dá algum tipo de tratamento, onde uma operação se inicia pela direção geral do banco. Ela sempre vai se iniciar por uma agência. Seguir todas as camadas, instâncias de alçada.

Kennedy Alencar: O Banco do Brasil é um grande patrocinador cultural e esportivo. Patrocina o vôlei, tem um retorno tremendo em termos de imagem. Patrocina alguns filmes, bom na bilheteria, há um retorno de imagem. Mas, também, há patrocínios pequenos para peças no interior, bandas de música, pequenos eventos esportivos. Esses patrocínios valem a pena para o Banco do Brasil?

Aldemir Bendine: Vou extrapolar um pouquinho a sua pergunta, quero contar um pouquinho sobre a história do Banco do Brasil. Banco do Brasil é uma instituição de 200 anos que tem uma imensa capitularidade e está totalmente vinculada com a história brasileira. Nós estamos presentes em todos os municípios do País. Dizia-se lá trás, que as maiores autoridades numa pequena cidade do interior era o prefeito, o delegado e o gerente do Banco do Brasil. Acho que isso é um papel que o Banco do Brasil sempre exerceu no desenvolvimento econômico-social desse país.

Kennedy Alencar: Não tem que ter somente retorno de mercado é bem preconceituoso isso então.

Aldemir Bendine: De forma alguma. Até porque muitas vezes um patrocínio de uma festa junina no interior numa pequena cidade. Tenha talvez para aquela comunidade, para aquela agência uma importância muito maior do que você está patrocinando um grande evento em São Paulo. A gente acredita nisso muito piamente. O funcionário do Banco do Brasil, eu acho, que é maior ativo que nós temos. O funcionário do Banco do Brasil tem uma coisa de pele com a instituição. Eu, particularmente, sou um desses exemplos. Eu tenho o Banco do Brasil como se fosse a minha própria família, a importância dele é tão grande quanto a minha família, quanto minhas filhas, quanto a minha esposa. Nós temos essa identificação porque nós temos prazer em atender a sociedade brasileira. O funcionário do Banco do Brasil tem um comprometimento um pouco maior, em relação, aquilo que ele faz. Ele está engajado a cada dia no anseio daquela pequena comunidade. Ele tem aquela coisa extraordinária em relação ao Brasil. Ele se sente no papel social também. Então, costumo dizer que adoro esta posição. O que faço é o que eu amo. E que o funcionalismo do Banco do Brasil ama também o que faz.

Kennedy Alencar: Os critérios desse patrocínio são técnicos, também?

Aldemir Bendine: Sempre. Nós temos uma política, uma norma de patrocínio, de publicidade que segue todos esses mesmos processos em relação, por exemplo, a crédito. Nós temos uma norma. Os patrocínios de pequeno porte são descentralizados, mas você tem um acompanhamento pela superintendência.

Kennedy Alencar: Para ver se não foi feito alguma besteira?

Aldemir Bendine: Exatamente. Existe um sistema de verificação com toda a parte documental tem que ser cumprida.

Kennedy Alencar: Você citou os funcionários do Banco do Brasil. Mas, os bancários estão em greve. Há uma negociação geral com Febraban [Federação Brasileira de Bancos], que é a entidade que representa todos os bancos públicos e privados, como está a negociação do Banco do Brasil com os seus funcionários? Essa greve vai acabar logo?

Aldemir Bendine: Tenho expectativa que sim. Até porque aí são duas negociações. Uma, que você faz na mesa da Febraban, onde há um acordo coletivo que diz muito respeito a índices de reposição econômicos. Nós temos, em paralelo, um acordo específico, uma discussão específica com o sindicato no que diz respeito a cláusulas específicas do Banco do Brasil. Esse é um processo contínuo de avanço, de aprimoramento. Eu te diria que nós estamos muito bem adiantados nessa discussão quanto às cláusulas específicas. Inclusive, reconhecido pelos próprios bancários e próprio movimento sindical que, hoje, nós temos uma política de participação de lucros de resultados da mais moderna do mercado brasileiro. Que é referência para os demais bancos. Então, acho que a gente vai chegar a algum termo rapidamente, acho que permanece somente a questão da discussão do índice de reajuste.

Kennedy Alencar: A gente viu na última sexta-feira (2), o Rio de Janeiro foi escolhido ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O Banco do Brasil tem planos tanto para a Copa do Mundo 2014 quanto agora para 2016? Acabou de ter a notícia. Já estavam pensando nisso?

Aldemir Bendine: Na verdade, a gente já tinha um grande projeto, que esse vai ser o grande desafio que o Brasil vai ter que enfrentar: o desafio da infraestrutura. Nós já tínhamos uma estratégia para alguns grandes projetos de infraestrutura para esse país. Isso passa por alguns eventos. O próprio evento do pré-sal, que acho que vai haver um grande movimento de investimento em infraestrutura. Nós já estávamos nos preparando para a Copa de 2014. Não tenha dúvida que essa boa notícia da sexta-feira, que encheu o brasileiro de orgulho, com certeza, nós estaríamos presente, também, nesse projeto de infraestrutura para o Rio de Janeiro.

Kennedy Alencar: A gente viu que a herança do Pan de 2007 não foi uma herança muito positiva. Estimavam gastar R$ 400 milhões e gastaram R$ 4 bilhões. Não há um risco de esses eventos serem um “tiro pela culatra”? O Brasil alocar dinheiro em eventos e deixar de priorizar problemas mais graves?

Aldemir Bendine: Eu acho que, aqui também, fez parte do processo de aprendizagem. Acho que foi nosso primeiro grande investimento num evento mundial. Eu não participei efetivamente ou diretamente daquele projeto, mas entendo que todo e grande projeto mundial, onde você faz uma alocação em infraestrutura é uma maneira de você aprender. O País é muito jovem, em relação, a isso. Então, acho que isso tem um papel fundamental, sim, para o País. Acho que isso é um grande desafio do País nesse momento. Encontrar uma maneira correta de investir forte em infraestrutura. Oxalá, ocorra aquilo que a gente está imaginando, em poucos anos, o País passe a ser a quinta economia mundial. Eu acredito piamente que será.

Kennedy Alencar: É a previsão do Banco Mundial para 2016, né?

Aldemir Bendine: Não tenha dúvida.

Kennedy Alencar: Foi o que Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, usou na campanha em Dinamarca para candidatura do Rio.

Aldemir Bendine: Exatamente.

Kennedy Alencar: O Banco do Brasil é muito forte na área de crédito agrícola. A gente viu nesse ano de 2009 que o arroz e feijão estão muito baratos. O preço caiu. Isso ajudou a controlar a inflação. Como que está a safra e o preço dos alimentos para o próximo ano? Qual vai ser o comportamento deles? Vai ter pressão inflacionária ou vai ser mais uma safra boa? Os alimentos vão estar mais baratos, também? Na previsão?

Aldemir Bendine: A questão agrícola, apesar da grande evolução em tecnologia que a gente tem a isso, ainda, sempre é algo que possa ser surpreendido porque você tem influências climáticas e assim por diante. Nós tivemos uma bela safra. A nossa previsão, os nossos técnicos também apontam para essa safra 2009/2010 (a safra é contada de junho a junho), nós temos uma perspectiva, sim, de grande crescimento. Tanto é que o banco alocou com aproximadamente 40% a mais de recursos nessa próxima safra. A gente tem dentro dos critérios técnicos uma previsão que haja uma evolução na produção brasileira. Então, a gente está vendo com essa perspectiva deva se dar no lado positivo. Nós temos um sucesso na próxima safra e com isso mantém estabilizado os preços das nossas commodities para o nosso consumo interno. E, também, ajudando, é lógico, na exportação, enfim. A tudo isso que o agronegócio brasileiro tanta contribuição dá para a economia desse país.

Kennedy Alencar: O senhor lida com todo mercado financeiro. É uma atividade diária. Qual é a sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma das riquezas do país em um ano, qual a sua previsão de crescimento do PIB para 2009 e 2010.

Aldemir Bendine: Em 2009, não tenho dúvida, que já passamos daquela fase negativista que estaríamos encerrando o PIB com retrocesso.

Kennedy Alencar: Não vai encolher? Vai ser de forma positiva?

Aldemir Bendine: De forma alguma. Vai ser um PIB positivo. A gente tem uma perspectiva mais otimista que ele deve fechar na ordem de 1 a 1,5% positivo.

Kennedy Alencar: Bastante otimista. Porque o mercado privado está 0,4% ou 0,5% ou 0,7%.

Aldemir Bendine: Se você pegar o último trimestre, vai ver que foi anualizado que isso já foi 7%. Isso é indicativo. Nós temos a condição de recuperar aquele primeiro trimestre tão ruim desse ano.

Kennedy Alencar: Explique anualizado, ou seja, no último trimestre se anualizasse a taxa por ano inteiro, isso significaria …

Aldemir Bendine: 7%.

Kennedy Alencar: É um crescimento forte.

Aldemir Bendine: É um crescimento forte que permite recuperar aquele primeiro trimestre muito ruim. Eu não tenho dúvida que vai fechar positivo. Agora, a perspectiva para 2010 não tenho dúvida de perspectiva extremamente positiva. Nós estamos projetando. Nós não temos esse número fechado ainda. Mas, internamente no Banco do Brasil a gente está com perspectiva de crescimento da ordem de 5,5% para o próximo ano.

Kennedy Alencar: Também bastante otimista, em relação, a média do mercado aí, né?

Aldemir Bendine: Mas saiba que muitos estão revendo. Inclusive, um concorrente nosso, reviu essa posição para próximo disso, na semana passada.

Kennedy Alencar: Um outro assunto que queria tratar com o senhor é a queda do dólar. Isso é um problema? Porque se o dólar cai demais e o real se valoriza. Que é uma coisa boa. Você ter uma moeda forte, valorizada, ajuda a controlar a inflação. Ela também prejudica os setores exportadores. A economia brasileira tem fortes setores exportadores. Sob o risco de alguma crise cambial, ainda no governo Lula? Acha que pode haver uma crise cambial no futuro? Ou essa questão está bem administrada? Vamos ouvir essa questão do cambio valorizado.

Aldemir Bendine: Acho que nós já aprendemos, em relação, a essa questão do cambio. Eu acho que depois de tantas fórmulas ortodoxas ou heterodoxas, a gente chegou na seguinte conclusão: cambio é flutuante. Quem dita esse ritmo é o mercado. Cabe a autoridade monetária, em determinados momentos, controlar a questão de fluxo ou liquidez. Acho que isso está muito bem administrado. Não entendo isso como algo que possa causar uma preocupação muito grande. É natural que, num determinado momento, a posição que esteja o dólar em relação a nossa moeda possa favorecer determinado setor e, num determinado momento, pode também não colaborar para isso. O que acho que se deve evitar é ficar com políticas intervencionistas nesse modelo.

Kennedy Alencar: O cambio tem que flutuar, mesmo?

Aldemir Bendine: O cambio tem que flutuar. Quando muito a autoridade monetária controlar a questão de fluxo e liquidez.

Kennedy Alencar: O Banco Central tem feito algumas compras de dólares, ou seja, vai lá compra dólar para poder ver se segura um pouco a valorização do real. Você acha que as intervenções tomam um patamar adequado ou deveriam ser feitas – sei que não é muito a sua área – mas, você está lidando com todo o mercado financeiro. (pergunta interrompida)

Aldemir Bendine: A gente acompanha isso em participar fortemente dos leilões que o Banco Central promove. Não, eu acho que ele está na justa medida. Ele tem esse controle desse fluxo de capitais em moeda norte-americana. E tem agido corretamente quando ele acha que a especulação está exagerada e ele entra vendendo ou comprando para justamente manter esse equilíbrio.

Kennedy Alencar: Uma questão importante do dia-a-dia dos clientes do banco é a questão das tarifas. A gente vê banco que cobra oito reais para transferência de uma TED, aquela transferência eletrônica, você vai na internet, faz e cobra-se oito reais. Sei que ali é um investimento de segurança e que isso é caro, ou seja, para permitir que você possa ter esse conforto. Agora, as tarifas não podiam ser menores do que são?

Aldemir Bendine: O que costuma ditar preço, na verdade, é a questão de concorrência em escala. Por um lado você tem, primeiro, um sistema extremamente eficiente. Hoje, o sistema bancário brasileiro consegue fazer uma transferência on-line. Isso não é muito comum em nenhuma parte do mundo. Você faz uma compensação do cheque em um dia. Quer dizer, os bancos também investiram fortemente em poder dar um serviço de qualidade. É lógico que o serviço quanto maior a qualidade mais caro ele custa.

Kennedy Alencar: As tarifas do Banco do Brasil, hoje, estão mais baratas que há um ano ou estão mais caras?

Aldemir Bendine: Talvez na média, eu considere que estão mais baratas. Provavelmente, você vai encontrar uma ou outra tarifa que é um serviço mais específico. Até recentemente, nós tivemos uma matéria na imprensa dizendo que os bancos públicos teriam elevado fortemente suas tarifas para compensar a possível redução que fizeram na taxa de juros.

Kennedy Alencar: Foi uma matéria da Folha de São Paulo. Parte do lucro do Banco do Brasil há uma receita de tarifa.

Aldemir Bendine: Exatamente. O único detalhe que faltou é que a repórter deveria ter tomado cuidado porque ela pegou, simplesmente, aquela linha do balanço do dia 31 de dezembro do ano passado e comparou com 30 de junho deste ano. Esqueceu de dizer que nós incorporamos a Nossa Caixa nesse primeiro semestre. Então, colocou que o banco teria aumentado suas receitas com tarifas na ordem de 40%.

Kennedy Alencar: Mas, aumentou mesmo as receitas com tarifas, não? Pode não ter aumentado o valor da tarifa, mas cresceu. Se entrou cliente que pagava tarifa e não pagava antes. Você tem agora um bolo maior.

Aldemir Bendine: O que eu digo é o seguinte, não houve majoração de tarifas. Na realidade, descontados essa acrescimento de base, o crescimento se deu na ordem de 8%. Também temos que levar mais um ponto em consideração: nós tivemos um volume de operação de crédito muito forte no primeiro semestre e toda operação de crédito tem uma tarifa de contratação.

Kennedy Alencar: Dida, o programa está quase acabando, mas tem a questão do spread bancário que é uma coisa muito complicada (que é a diferença entre o custo que o banco tem para captar o dinheiro e quanto ele cobra do cliente nas diversas operações que tem). O Lula bate muito nisso, o Governo bate muito nisso que diz que tem diminuir esse spread. Que na prática seria o quê: juros mais barato. Porque os juros básicos estão em 8,75% ao ano. A gente sabe que na prática quando o cara vai pegar financiamento da casa dele ou para um carro os juros são maiores. O Banco do Brasil não podia liderar um movimento muito mais forte de queda do spread e redução de taxa, Dida?

Aldemir Bendine: Na verdade, Kennedy, a gente já vem liderando esse movimento desde abril. Se você comparar em algumas linhas o Banco do Brasil já reduziu, em média, 30% das suas taxas de juros. O que costumo dizer é que, de fato, o spread brasileiro ainda é alto, mas ele é alto por uma série de circunstâncias. Acho que chegamos num patamar, não estou falando especificamente do Banco do Brasil, nós chegamos num patamar mais adequado. O que acho que agora nós temos que trabalhar mais fortemente. O Banco do Brasil estima que pode ainda fazer redução de taxas de juros e transferir esse ganho para o seu cliente. Vai se dá muito num dos pontos da composição desse spread. Se você pegar a composição de uma taxa de juros, ela vem lá desde o custo do dinheiro mais a tributação depois o compulsório, assim por diante. Aos bancos cabe ingerência, simplesmente, em dois fatores: por desrespeito a questão da sua eficiência e qual a margem de ganho que ele quer ter na sua atividade. Isso se você não tem uma grande imagem de manobra. Mas, tem um aspecto, acho que isso que compõe mais fortemente a taxa de juros, diz respeito à inadimplência. A inadimplência do País ainda é muito alta, apesar de o banco ter essa condição privilegiada da sua perda da categoria ser menor.

Kennedy Alencar: O bom pagador paga o pato. Paga mais juros.

Aldemir Bendine: Exatamente. A gente precisa evoluir em mecanismos para que de fato você consiga reaver seus capitais quando você tiver um problema de inadimplência.

Kennedy Alencar: Dida, queria falar rapidamente com você sobre política, para não ficar só na economia. Eu queria a sua opinião sobre quatro potenciais candidatos a presidência da República, está pintando um cenário mais provável, em que o José Serra, governador de São Paulo, deverá ser o candidato do PSDB; a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff do PT, disputará também; o Ciro Gomes, o deputado federal do PSB e a senadora Marina Silva do PV do Acre. Qual é a sua opinião sobre o Serra?

Aldemir Bendine: Uma coisa curta ou você quer uma explanação.

Kennedy Alencar: Curta. Uma coisa curta.

Aldemir Bendine: Eu o acho um grande gestor e acima de tudo um grande palmeirense.

Kennedy Alencar: Dilma Rousseff?

Aldemir Bendine: Eu acho que é a maior administradora pública que nós temos nesse país.

Kennedy Alencar: Marina Silva?

Aldemir Bendine: Defende uma causa que no Brasil precisa cada vez mais se aprofundar nessa questão do meio ambiente.

Kennedy Alencar: Ciro Gomes?

Aldemir Bendine: Acho um grande líder.

Kennedy Alencar: Já entramos no pinga-fogo que é aquela parte que eu pergunto e você responde de uma forma sucinta. Vamos continuar assim e vou começar agora. Getúlio Vargas?

Aldemir Bendine: Acho que teve uma grande contribuição para legislação trabalhista desse país. Foi muito importante.

Kennedy Alencar: JK?

Aldemir Bendine: O grande empreendedor desse país.

Kennedy Alencar: Ditadura militar de 1964?

Aldemir Bendine: O período mais triste da nossa história.

Kennedy Alencar: José Sarney?

Aldemir Bendine: Um político hábil e experiente.

Kennedy Alencar: Fernando Collor de Mello?

Aldemir Bendine: Um político que amadureceu muito. Acho que hoje, não cometeria os erros que cometeu no passado.

Kennedy Alencar: Itamar Franco?

Aldemir Bendine: Foi muito importante no momento de transição, no momento de dificuldade para democracia brasileira que se estabelecia naquele momento.

Kennedy Alencar: Fernando Henrique Cardoso?

Aldemir Bendine: Contribuiu muito para estabilização econômica do País, da moeda.

Kennedy Alencar: Lula?

Aldemir Bendine: Acho que o maior presidente que esse país já teve e que dificilmente teremos um tão grande. O grande líder que essa nação já teve.

Kennedy Alencar: O filme preferido do Dida?

Aldemir Bendine: A trilogia O Poderoso Chefão.

Kennedy Alencar: Excelente. Um diretor de cinema preferido?

Aldemir Bendine: O que fez esse filme. Coppola.

Kennedy Alencar: Um ator preferido?

Aldemir Bendine: Marlon Brando.

Kennedy Alencar: Uma atriz?

Aldemir Bendine: Atriz Julia Roberts.

Kennedy Alencar: Uma música preferida?

Aldemir Bendine: My way.

Kennedy Alencar: Um cantor?

Aldemir Bendine: A que canta essa. Frank Sinatra.

Kennedy Alencar: Uma cantora preferida?

Aldemir Bendine: Cantora preferida. Acho que fico com a Elis Regina.

Kennedy Alencar: Um livro?

Aldemir Bendine: O livro que sempre gostei muito, Cem Anos de Solidão de Gabriel García Marquez e se fosse falar de um autor mais atual, Stieg Larsson, um autor sueco que faleceu e não viu o sucesso que ele fez recentemente.

Kennedy Alencar: Um ídolo?

Aldemir Bendine: Ademir da Guia.

Kennedy Alencar: Uma frase ou um pensamento no qual gosta muito? Pode ser um poema.

Aldemir Bendine: Tem em relação ao momento que a gente está vivendo hoje. Eu vi outro dia uma frase de um teólogo inglês do século passado que diz: “O pessimista reclama do vento, o otimista espera ele mudar direção e o realista ajusta as velas”. Uma outra frase que gosto muito “fiz do meu jeito”.

Kennedy Alencar: Pô, my way. Legal, né? Dida, quero te agradecer muito pela entrevista, muito obrigado.

Aldemir Bendine: Eu que quero agradecer. Fico sempre a disposição.