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Estado necessário

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Jerônimo Goergen

A atual crise do Coronavírus nos colocou diante de muitas interrogações, cujas respostas ainda estamos tentando formular. O chamado “lockdown” ou bloqueio dos arranjos produtivos nacionais quebrou a corrente de transmissão que fazia girar a economia. O isolamento social é a materialização da música de Raul Seixas, que sonhou com o dia em que a Terra parou. Nunca nos preparamos para este momento. Tanto é que esta situação deu um verdadeiro nó na mente dos maiores especialistas sobre o assunto. Sem trabalho, não há salário, sem salário, não há como viver. O que estamos presenciando é a construção de pacotes com amplo alcance social, econômico e sanitário, que vão exigir o desembolso de bilhões de reais. As medidas mais generosas surgem exatamente nos países onde impera o capitalismo. A discussão que travamos entre Estado mínimo e máximo agora se coloca como Estado necessário, que vai precisar articular todas as políticas públicas de reconstrução das nações devastadas por um inimigo invisível. O Estado que precisamos é aquele que cuida daquilo que é fundamental para as pessoas: saúde, educação e segurança pública. Sem que isso seja exclusividade do poder público, obviamente, permitindo a atuação da iniciativa privada. Portanto, há que se ter o cuidado para que as reservas não sejam utilizadas somente para controlar a política macroeconômica, mas sim para atender a sociedade na hora que ela mais precisa. Assim como fizemos agora com a aprovação do chamado “coronavoucher”, renda emergencial para que desempregados, autônomos e famílias de baixa renda consigam superar este momento dramático. Portanto, a travessia para este momento ímpar na história da humanidade será mais dura para aqueles cujas economias não dispõem de reservas emergenciais. Aqui não está em jogo o modelo vencedor. A disputa agora já não é mais comunismo versus liberalismo econômico. As dificuldades serão enormes para todos, um pouco menos para aqueles que fizeram poupanças robustas. A sociedade paga seus impostos exatamente para isso. Chegou a hora do cidadão ser socorrido. O alarme de emergência foi acionado. Agora, o Estado precisa ser 100% Estado necessário.

Jerônimo Goergen é deputado federal pelo Partido Progressista do Rio Grande do Sul.