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Ética e a crise global

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Ronaldo Carneiro

ronaldo-carneiro Solicito sua atenção para a proposta abaixo, que além de defender toda o pensamento liberal, introduz a variante social. Seria muito construtivo que os tecnocratas neoliberais entendessem que, embora necessário, ajuste das contas orçamentárias não é o valor supremo do universo do desenvolvimento. É necessário, mas não suficiente

Embora o texto abaixo se refira à crise brasileira, os argumentos listados se aplicam a discussão central no mundo atual. Se substituirmos, neste texto, o conflito brasileiro de neoliberais x socialistas  por americanos republicanos conservadores x liberais democratas ou ainda por gregos socialistas x conservadores alemães – genericamente falando o mundo discute atualmente: austeridade x necessidades sociais e exige respostas claras, objetivas, de aplicação prática e convincentes.

Empresários e trabalhadores: uni-vos!!!!

“Os lugares mais quentes do inferno são destinados àqueles que escolhem a neutralidade em tempos de crise” – Dante Alighieri (1265-1321)

Coletivismo é a crença que o individuo deve ser subserviente ao grupo, significa que seus valores e crenças são, muitas vezes, irrelevantes.

“Há apenas um tipo de liberdade, que é a liberdade individual. Nossas vidas vêm de nosso Criador e nossa liberdade vem do nosso Criador. Não tem nada a ver com concessão de governo”. Ron Paul – ex senador americano republicano

Crise e confronto de ideias, este o Brasil de hoje, milhões de brasileiros nas ruas de ambas as ideologias dominantes: coxinhas e petralhas. Vamos tentar radiografar isto, olhando além de interesses pessoais e políticos. Certamente o foco é a visão de mundo, a economia e posturas politicas.

Coxinhas acreditam e priorizam a austeridade, colocar as contas do governo sob controle, não gastar mais que arrecadam e deixar os problemas sociais por conta de programas que serão ativados conforme disponibilidade de recursos. Algo como: este é o salario mínimo possível, se os petralhas conseguirem comer é problema deles, não da pra pagar mais. Estes neoliberais ou neocon acreditam na possibilidade de gerenciar as leis econômicas!!! Priorizam, sobretudo, o pagamento aos banqueiros que são nossos credores e financiadores de nosso desenvolvimento, geradores de empregos. Em outras palavras, coxinhas acreditam que o econômico, baseado na credibilidade do País, vai avançar sobre o social e todos viverão felizes. Seria muito construtivo que os tecnocratas neoliberais entendessem que, embora necessário, ajuste das contas orçamentárias não é o valor supremo do universo do desenvolvimento. FMI e neoliberais acreditam nesta meia verdade. É necessário, mas não suficiente. Resultado da filosofia dos coxinhas é uma elite de privilegiados, capitaneada pelos banqueiros, e uma multidão de excluídos. Sabe quando os petralhas conseguirão comer – nunca.

“O melhor programa econômico de governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem”.

(Barão de Mauá – 1813-1889)

Petralhas priorizam o social, descobriram na própria pele, que para gerar trabalho produtivo é preciso estar alimentado, com saúde e educação – o que é uma verdade biológica, ate o automóvel precisa de combustível a priori para rodar.  Entretanto, isto fornecido pelo governo, vale dizer pelos impostos capturados de trabalhadores e empresários, vai gerar um tremendo déficit e inviabilizar o governo que perde credibilidade internacional e reduz os investimentos. Acreditam, sobretudo, que pessoas bem alimentadas, com saúde e educação, vale dizer com o social resolvido o econômico se expande e todos viverão felizes. Sabe quando esta equação vai fechar – nunca.

Nesta bagunça de concepções distintas, os políticos, legitimados por neo keynesianos, interferem na economia de forma desastrada – se intrometem até sobre compra de plataformas de petróleo de empresas estatais – absurdo dos absurdos – isto não pode dar certo!!! Esperteza de toda sorte, eles descobriram que eleição é um bem econômico com preço no mercado – bombeiam recursos dos prestadores de serviços, dependentes do governo, para suas campanhas eleitorais, deixando um pedaço nos próprios bolsos!!! Aqui coxinhas e petralhas agem de forma semelhante. Não tem Madre Teresa nesta casa de tolerância!!!

O que podemos aprender disto tudo. Como podemos conciliar visões tão distintas?

“O bem que o Estado pode fazer é limitado; o mal, infinito. O que ele nos pode dar é sempre menos do que nos pode tirar” (Roberto Campos)

Coxinhas estão corretos em manter um orçamento equilibrado. Petralhas, corretíssimos, descobriram o óbvio: todos precisam se alimentar e ter acesso aos sistemas de saúde e educação.

Temos que transformar estes 3 setores: nutrição, saúde e educação de despesa orçamentaria de governo em investimento empresarial – através de um novo Pacto Social onde empresas assumem estas responsabilidade sociais e governo reduz a tributação correspondente. A partir dai livre mercado, laisser faire, laissez passer!! Meritocracia, redução de governo, responsabilidade individual, reversão da migração campo-cidade, agricultura, saúde e educação altamente rentáveis, enfim resgatam-se os valores tradicionais que fizeram prospero e rico o mundo ocidental.

Desta forma economia fica, definitivamente, separada de politica – são como óleo e agua – não se misturam.

Esta proposta representa um chamamento a responsabilidade de empresários e trabalhadores – uni- vos !! É a única forma de tirar o governo de suas costas: assumir aquilo que representa intervenção legitima do governo: subsidiar os setores de agricultura, saúde e educação. Mais mercado, menos governo, mais comida menos pobreza. Difícil imaginar uma sociedade onde o lucro depende da saúde das pessoas. Aos céticos, oportuno lembrar que o fiador deste Pacto Social proposto será o pleno emprego produtivo e a ampla competição de mercado. Somente com pleno emprego não precisamos da supervisão do estado – mão invisível age de forma inexorável!!

Uma palavra de gratidão ao juiz Sergio Moro que resgata a dignidade de todo o povo brasileiro, podemos andar de cabeça erguida, corrupção é caso de policia, não importa se coxinha ou petralha.

 Ronaldo Campos Carneiro é ex-diretor da Associação Comercial do Distrito federal