30 de setembro de 2017
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Farmácias de manipulação no Brasil crescem quase 40%

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Farmácias de Manipulação, no Brasil, movimentam cerca de R$ 5 bilhões por ano, se destaca pelo “feito sob medida” e também pelo preço. Empresários dizem que os medicamentos manipulados podem custar até 40% menos que os convencionais, que foram reajustados em quase 5% em abril

Já são 20 anos com uso de medicamento continuo, a dona de casa Maria Helena Brandão chega a gastar R$900,00 per mês na farmácia, são remédios para Pressão alta, Colesterol, tireoide e antidepressivo, ou seja, não da para ficar sem.

Para agravar a situação, há um mês o gasto ficou ainda maior, em um único remédio, ela chegou a pagar quase R$10,00 a mais.“Tem um remédio de colesterol que eu pagava R$30,00, até R$35,00, agora, o máximo que consigo é R$45,00, e é coisa de longo prazo”.“900,00 realmente pesa, mas vou fazer o que? No mês seguinte vou precisar de novo, tenho que retirar de outras coisas para poder pagar os remédios”.

Remédios industrializados subiram 4,76%

Desde abril os consumidores viram os preços dos remédios industrializados subirem até 4,76%, o índice máximo de reajuste passou a valer para 19.000 produtos. Incentivados pelo preço e pelo tratamento individualizado, alguns consumidores migraram para farmácias de manipulação, é o caso do advogado Marcelo. “Eles são feitos sob encomenda, o custo também fica mais em conta” relatou o advogado.

O presidente do Conselho Regional de Farmácias do Rio Grande do Sul, Roberto Canquerini, o manipulado pode ser até 40% mais barato do que um remédio industrial, por que consegue reunir mais de 1 medicamento em 1 capsula, além disso, evita o desperdício.

“Você consegue fazer uma economia em um tratamento em torno de 30, 40%, evidentemente vai ter uma redução de preço, por que vai estar manipulando apenas um medicamento, a vantagem do manipulado em cima da individualização da dose, com a necessidade do tratamento do paciente, se ele precisa de um tratamento para 14 dias, consegue manipular 14 capsulas”.

Preço mais barato nas farmácias de manipulação não é regra

Para o presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF )de São Paulo, Pedro Menegazzo, o preço mais baixo não é regra, por que depende de fatores, como as substancias utilizadas e a quantidade prescrita. Mas há casos que é possível economizar. “Individualizando os tratamentos, pode no geral se tornar mais barato e principalmente o uso do medicamento fica bem racional, por que você só vai utilizar a quantidade que realmente precisa, e não aquela dose padrão. Neste geral, pode ser que o tratamento fique mais barato”.

Uma pesquisa feita pela Associação Nacional de Farmacêuticos magistrais aponta que 39% dos empresários do segmento tiveram crescimento no faturamento, mesmo diante da crise econômica, 34% se mantiveram estáveis e 27% notaram queda nas vendas.

O diretor executivo da Anfarmag, Marco Fiaschetti, atribuiu a personalização e o crescimento na procura. “A gente poderia inferir e pode existir uma maior demanda em produtos individualizados, nós não queremos mais ser atendidos nas nossas necessidades de uma maneira genérica, essa pendencia de customização, por exemplo, uma grande empresa de confecção que permite personalizar uma roupa, um sapato ou um automóvel, e a farmácia de manipulação, na verdade já tem a sua essência de fazer produtos sobre medida”.

A pesquisa feita entre o segundo semestre de 2015 e o primeiro semestre de 2016, só no ano passado o setor de farmácias de manipulação movimentou no Brasil cerca de R$5 bi. Ainda de acordo com dados da Anfarmag, a especialidade que mais prescrevem manipulados no país é a dermatológica, em seguida estão, ortopedia, endocrinologia e nutrição.

Bem estar & Saúde/blogedgarlisboa/CBN