Fraga diz que bancada da bala é melhor do que bancada da mala

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O deputado Alberto Fraga (DEM-DF) se incomodou com a pecha de “bancada da bala” dada aos parlamentares que defendem uma liberalização maior no acesso a armas de fogo. “É lamentável que, volta e meia, quando apresentamos um requerimento de urgência para resolver a questão, alguns meios de comunicação rotulem a bancada de segurança pública como bancada da bala. E quem defende bandido? É bancada de quê? “, questionou. Pouco tempo depois, ele tomou o apelido com orgulho. “Eu aceito, sim, o rótulo de bancada da bala, porque eu não sou da bancada da mala. Com a arma na mão, o cidadão pode salvar a própria vida. E, com certeza, a polícia sempre vai chegar um pouco atrasada, só para recolher o cadáver”, afirmou.

Satanismo infantil

A adoção do livro A Máquina de Brincar, do escritor gaúcho Paulo Bentancur (1957-2016), por escolas públicas de Goiás, vem causando celeuma. Isso porque a obra infantil mostra o diabo como amigo. Isso seria, de acordo com o senador Wilder Morais (PP-GO), “um culto ao satanismo”. Segundo o parlamentar, o Brasil, como um país laico, não deveria dedicar dinheiro público a materiais com esse conteúdo. “Em vez de apreciar os clássicos da literatura, a criança é apresentada ao diabo como um personagem cortês e a Deus como algo questionável. O livro é um bem duradouro, vai continuar nas escolas à disposição das crianças, com a personalidade ainda em formação e a mente exposta e sem defesa”, afirmou. O senador ainda disse que o livro infantil “é uma heresia” e “faz troça” com pessoas religiosas. A acusação é antiga.

Os dois lados

Desde o lançamento do livro, em 2005, parte da internet que acredita em teorias da conspiração viram a obra como uma tentativa de “proselitismo satanista”. Bentancur, antes de morrer, teve que se defender, afirmando que brincou “com o lado bom e o lado ruim das coisas”. Em 2014, o deputado Missionário José Olímpio (DEM-SP) apresentou um projeto de lei proibindo a implantação de chips em seres humanos. De acordo com ele, era uma “antecipação ao fim do mundo”. Na mesma época, uma corrente de WhatsApp dizia que chips subcutâneos eram “a marca da besta” e que o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama era o Anticristo.

A última coisa

O deputado Henrique Fontana (PT-RS) se irritou com a possibilidade de uma anistia “ampla e irrestrita” ao caixa 2. “A última coisa de que o Brasil precisa para melhorar sua política é defender anistia ao caixa dois, é defender anistia a crimes eleitorais. É preciso fazer uma reforma política que garanta que empresa nunca mais financie eleições, que garanta o fim do abuso do poder econômico em eleições, que garanta um sistema político em que o povo se sinta representado”, disse o parlamentar. “Dizer que no Brasil sempre houve caixa dois e que a política sempre foi financiada assim não é perspectiva de futuro para o País. Nós temos que mudar o sistema político, e não querer anistiar caixa dois para salvar aqueles que estão respondendo neste momento a acusações e processos”, completou.

A coluna Repórter Brasília é publicada simultaneamente no Jornal do Comércio do Rio Grande do Sul