20 de janeiro de 2019
Inicial / Matérias Especiais / Gaúchos e Catarinenses temem danos ao Mercosul com a nova política externa

Gaúchos e Catarinenses temem danos ao Mercosul com a nova política externa

Print Friendly, PDF & Email

José Antônio Severo

O gaúcho Ernesto Araújo, novo chanceler do Brasil, criou um a saia justa com a Argentina, aponto de o presidente do País não comparecer à posse de seu colega brasileiro, Jair Bolsonaro. O Rio Grande do Sul está de cabelos em pé, pois o acordo com os vizinhos no âmbito do Mercosul é tido pelo Rio Grande do Sul e Santa Catarina como uma porta aberta para a expansão de suas economias. Além de apagar um passado de guerras e rivalidades.

Tensão no Cone Sul? Dia 16 o presidente Maurício Macri virá ao Brasil apertar a mão de Jair Bolsonaro. Então poderá esclarecer-se em profundidade o que que se passa realmente nas relações entre o Brasil e seu vizinho mais próximo e principal parceiro comercial. A Argentina é o maior importador de produtos industrializados do Brasil, ou seja, é geradora de empregos internos no País.

O outro grande freguês, a China, é compradora de commodities agrícolas, ou seja, a mais importante geradora de divisas para o caixa do Banco Central. A diplomacia brasileira está fustigando esses os dois clientes.

O Cone Sul já foi a sub-região mais conflitiva da América do Sul desde que os bandeirantes paulistas, desobedecendo às ordens de Lisboa, rasgaram o Tratado de Tordesilhas, no Século XVII. E assim veio, ora mais quentes, ora menos, até os últimos embates sobre o posicionamento e tamanho das barragens no rio Paraná, Itaipu e Corpus, nos na os 1970, volta a aumentar a temperatura. Pela primeira vez, desde a invenção do avião a jato, que um presidente da Argentina não comparece à posse de seu colega brasileiro.

Cadeira vazia

Chamou atenção no salão de honra do Itamarati a cadeira vazia de Maurício Macri.  O novo presidente brasileiro não fez essa desfeita a sua contraparte argentina só para vingar a eliminação do seu Palmeiras pelo Boca Juniors de Marcri (ele foi o presidente que relançou o Boca, e por aí fez sua carreira política). Também não foi birra com o River Plate ou por esquecimento ou desfeita que o novo ministro do Exterior, o gremista Ernesto Araújo, não citou uma única vez, em seu discurso de posse, o nome do país vizinho.

Araújo também não falou de outros dois fregueses de produtos do agronegócio brasileiro, China e Oriente Médio. No oeste de Santa Catarina e noroeste gaúcho, as grandes regiões produtoras de aves do mundo, os colonos estão abismados com a possibilidade real de restrições de volume ou tributárias dos mercados árabes. Coisas do comércio internacional. Quando um fornecedor perde competitividade, logo outro toma seu lugar.

No caso argentino, o temor dos industriais exportadores brasileiros é que o Mercosul vá para o vinagre. Ou seja, que o Brasil esterilize o acordo regional, tirando seu conteúdo político de bloco. Esse fato teria repercussões no comércio inter-regional. Por isto tanto se falou da vinda ao Brasil dos presidentes dos demais sócios do MERCOSUL (Paraguai e Uruguai) e agregados (Chile e Bolívia são associados).

Já a questão do “desconvite” aos três países que repudiaram oficialmente o ato do Congresso brasileiro que depôs à presidente Dilma Rousseff, não tem consequência imediatas. Cuba e Venezuela devem muito dinheiro ao BNDES. Nicarágua é um parceiro distante. Na área de comércio, de compra a venda, não deve haver retaliações. Na área política, esses países já estavam em retórica hostil ao Brasil e, retirando seus embaixadores de Brasília. A Venezuela é um caso a pensar, pois o presidente Nicolás Maduro ele o Brasil como “inimigo externo” e já está convidando o vice-presidente Hamilton Mourão (que já foi adido militar em Caracas) para uma briga de socos (“que venha desarmado”, disse o presidente venezuelano). O perigo é alguma provocação, do tipo de prisão de um brasileiro destacado (empresário ou funcionário) acusando-o de espionagem, por exemplo, criando uma saia justa e dando motivo para a mídia brasileira vociferar. Seria bom convocar chamar o Barão do Rio Branco.

José Antônio Severo, blog Edgar Lisboa/ Agência Digital News