Gaúchos no Cerrado | | Edgar Lisboa
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Gaúchos no Cerrado

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Uma integração entre gaúchos e brasilienses que começou há cinco anos teve mais um encontro neste fim de semana, em Brasília, reunindo empresários, agricultores, aposentados, industriais, industriários, funcionários públicos, profissionais liberais e comerciantes. O empresário gaúcho, João Pedro Flach, de Tapera, com empresa agropecuária instalada em Formosa, em Goiás, promoveu o encontro entre dois times de futebol: a Associação dos Veteranos de Sobradinho (Aveso) e o Grêmio América Futebol Clube, de Tapera, no Rio Grande do Sul, com mais de 60 anos de tradição futebolística.

O primeiro encontro aconteceu em 2005 quando um grupo foi até Tapera. Depois, o encontro foi em Brasília, mais uma vez em Tapera e, neste fim de semana, novamente no Distrito Federal. O grupo de cerca de 40 pessoas participou de almoço na quinta-feira, depois fez uma visita e um jogo no PAD-DF (Programa de Desenvolvimento do Distrito Federal) onde o presidente da associação local, Derci Censi, que é de Putinga, mostrou o desenvolvimento da agricultura no Cerrado.Depois tiveram um encontro em Formosa, no CTG local e finalmente em Sobradinho. Impressionados, os gaúchos conheceram a área de maior produtividade por hectare de algumas culturas. O feijão, por exemplo, explica Derci, cultivado com irrigação e tecnologia tem uma produtividade de 78 sacas por hectare. Outra cultura é o milho que alcança 232 sacas por hectare; o trigo, 122 sacas por hectare. Com isso, o Cerrado que tinha fama de não produzir quase nada, agora dá exemplo de produtividade.

O presidente da Aveso, empresário Cosmo Pereira Gomes, que é paraibano, promoveu com seus parceiros uma reforma geral na sede da entidade e no estádio localizado há cerca de 30 quilômetros do centro de Brasília para receber os gaúchos.
A recepção foi com muita costela, ao estilo dos churrascos de campanha do Rio Grande do Sul. Um dos grandes incentivadores do grupo é o vice-prefeito de Tapera (um dos mais jovens da caravana), com 37 anos, Roberto Luiz Visoto (PMDB) que fala com entusiasmo da troca de experiências e principalmente sobre a integração entre os dois Estados. Ele aproveitou a viagem à Brasília para fazer contato com parlamentares e líderes gaúchos em busca de apoio para o município de 11 mil habitantes que enfrenta sérias dificuldades, principalmente, na geração de emprego.

“Estamos tentando liberar verba do Governo Federal para um projeto de construção de 250 mil casas”, explica Visoto (foto), que reivindica também uma escola técnica, pois falta qualificação no município. “Hoje a agricultura é o que move a economia de Tapera, contudo, o distrito industrial começa a se desenvolver e a prefeitura está preocupada em preparar esta mão de obra para o desenvolvimento” diz Visoto. Por isso, através de um convênio com a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), o município começa a preparar profissionais para o “pólo de empresas de esquadrias, madeira e móveis”. Já iniciou o curso de gestão e ação na cidade e no interior. Ele lembra que o Senai também está avaliando a definição de cursos para preparar os jovens da região para atender a demanda das empresas que se instalarem no pólo industrial.

Sobre o Governo do Estado, o vice-prefeito peemedebista acha que a governadora Yeda Crusius começou a “colocar gestão no Estado”, mas admite que os problemas com a governadora se agravem a cada momento. Integra também o eclético grupo de atletas que, além da busca da integração e da troca de informações, veio conhecer o desenvolvimento do Cerrado, o gerente do Banco do Brasil de Soledade, Enio Ferrari, que é atleta do América; o médico Marcos Dalssaço, do vizinho município de Tapera, Lagoa dos Três Cantos, entre outros. O menos importante para os dois grupos foi o resultado do jogo. Acabou em três a dois para a Associação de Veteranos do Distrito Federal. ”A vida é amizade e relacionamento”, como sintetizou o encontro o deputado Darcísio Perondi que aproveitou o sábado para continuar seu treinamento para disputar a São Silvestre, no final do ano, em São Paulo.