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Marcelo Goedert

Gente de Brasília
Marcelo Goedert

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A partir desta data, todas as semanas, serão publicadas crônicas Gente de Brasília do empresário, radialista, especialista em planejamento e produção de projetos em áudio
Marcelo Goedert, da Rádio Digital News.

    Cinema e mediunidade

Marcelo Goedert (Foto: José Paulo Lacerda)

No último domingo, fui ao cinema assistir o filme “Chico Xavier”. A diversão já começou bem quando comprei os ingressos, duas horas antes, sentado na sala da minha casa, com meu notebook e, ainda, com lugares marcados. O cinema evoluiu! Muito bom isso. Nos anos 80, ouvi de muita gente que “os cinemas estão com seus dias contados, pois agora (há 30 anos) todo mundo vai ter videocassete em casa e vai poder assistir todos os filmes, quantas vezes quiser. Ninguém mais vai sair de casa pra ir ao cinema”. Pois é … esses incautos não contavam com duas coisas: primeiro, aconteceu uma modernização no cinema! Além de podermos comprar os ingressos antecipadamente e com lugares marcados, como já falei, as salas de cinema tem poltronas superconfortáveis, reclináveis, com porta copos (agora podemos comer e beber no cinema), apoios de braço que levantam, dispostas modernamente de maneira que o cabeçudo da frente não te atrapalha mais. O som e a imagem são um espetáculo! O som é ultradolbysurroundxismegapower e a imagem nos permite ver o movimento da íris do olho do ator se emocionando. Isso, sem falar em 3D. E, segundo, porque o cinema, com um bom filme, continua sendo onde conseguimos sair da nossa vida e entrar na vida de outras pessoas por algum tempo. Nossos sentidos são totalmente absorvidos. Pois é, ir ao cinema continua sendo um programão que nenhum home theater substitui.

Mas, voltando ao meu cinema de domingo… Achei alguns detalhes interessantes. Primeiro, que a plateia era na sua maioria de gente mais velha. Ok, é o público que se interessa pela estória do médium. A sala estava lotada. Ok, é um ótimo filme. Mas não havia nem aquelas cadeiras vazias que sempre ficam nos cinemas entre os grupos que vão juntos. Sabe quando você entra no cinema, olha para as fileiras que te interessam e tem um casal, um lugar vazio, uma família de 3, um lugar vazio, e por aí vai até um lugar vazio no fim da fileira. Como vocês são 2 pessoas…. Fica com vergonha de pedir pra todo mundo pular uma cadeira, sentarem ao lado dos outros pra que sobrem duas poltronas lado a lado. Então, porque não havia aqueles espaços? Lembrem que os lugares são escolhidos na hora da compra. Então, como explicar que as pessoas não gostam de sentar ao lado de quem já está sentado, mas não tem problema em escolher antecipadamente, em uma tela de computador, sua poltrona ao lado de uma que já está ocupada? Será que as pessoas são mais racionais virtualmente do que pessoalmente?

Sentamos em nossos lugares marcados, confortáveis, ao lado de desconhecidos e assistimos a um ótimo filme. Durante o filme todo não se ouviu um pio da plateia. Ao final do filme, alguns aplausos e silêncio novamente. Subiram os créditos e o silêncio continuou. Acenderam-se as luzes e muito lentamente as pessoas começaram a se mexer, a se levantar, e, em silêncio, todos saíram. O talento do cineasta conseguiu transmitir à plateia a principal mensagem de Chico Xavier, a paz.