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Governadores Eduardo Leite e João Doria vão à China

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O governador Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, fechou com o governador de São Paulo, João Doria, a tática de uma manobra para arregimentar um grupo de governadores não-alinhados em torno do projeto da bossa nova do PSDB, representada por esses dois líderes, que estão avançando sobre o comando nacional do partido.

Isca aos descontentes

A isca aos descontentes com o governo Bolsonaro é uma vaga na comitiva que Doria e Leite estão articulando para uma visita empresarial à China no ano que vem, possivelmente em maio, para atrair investimentos. E, claro, chamar muita mídia para esse segmento em sedimentação, que pode desembocar numa candidatura à presidência da República em 2022.

Tucanos voando longe

Já confirmaram participação, frente ao empresariado de seus estados, os governadores Wilson Witzel (PSC) Rio de Janeiro, Romeu Zema (Partido Novo), Minas Gerais e Renato Casagrande (PSB) do Espírito Santo. Dentre os tucanos, Reinaldo Azevedo, de Mato Grosso do Sul, ainda não aparece na lista. Pode ser cautela.

Relações com Pequim

Doria anunciou a manobra num evento no Palácio Bandeirantes, que ele abriu para lançamento oficial, no Brasil, da edição em português do livro do presidente Xi Jinping. Habilmente, aliou esse movimento à intensificação das relações com Pequim, sem demonstrar que o tema, neste momento, obscurece a missão do presidente Jair Bolsonaro, recém encetada aquele país.

Duas missões à China

No ano passado Doria realizou duas missões empresariais à China, patrocinadas pelo governo do Estado. Uma delas comandada pelo próprio; a outra pelo vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). A comitiva chinesa presente ao evento era chefiada por nada menos que, pelo vice-ministro Liana Yanshum, chefe do Departamento de Comunicação do Partido Comunista da China, um cargo que, nos regimenes comunistas, é de grande importância política, gestor da ideologia oficial.

Cúpula do Brics

Na semana que vem o presidente Xi Jinping estará no Brasil para a reunião de cúpula dos BRICS. Com isto, entretanto, Doria roubou a cena. É um início de caminhada. Como dizia Mao Tse-Tung, “para uma grande marcha de 10 mil quilômetros é preciso dar o primeiro passo”.

Guerra Fria no Cone Sul

O bate-bocas entre os presidentes Jair Bolsonaro, do Brasil, e o eleito na Argentina, Alberto Fernández, pode reabrir uma velha chaga no Cone Sul, a guerra fria entre Brasil e Argentina que, desde o pós-Guerra do Paraguai vem obscurecendo as relações políticas entre os dois países.

Lanças e trabucos

No passado remoto, desde os tempos da Colônia do Sacramento, lusitanos e hispânicos batiam-se de lanças e trabucos. Atualmente essas disputas integram o repertório épico dos dois países. Em 1825/27 já foi guerra quente entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, insuflados pelo imperador D. Pedro I e pelo presidente Bernardino Rivadavia. Os portenhos invadiram o Rio grande duas vezes. Em 1851 foi a vez de o Brasil invadir Buenos Aires para derrubar o ditador Juan Manuel Rosas, comandados pelo então presidente do RGS, Duque de Caxias.

Volta à guerra fria

Desde então trocaram-se muitas farpas, até os presidentes José Sarney e Raul Alfonsín darem por encerradas as querelas e criarem o MERCOSUL. Agora volta a guerra fria. Com isto, pode ser que o Rio Grande do Sul volte a ser o pivô da defesa nacional, hoje concentrada na Amazônia.