23 de outubro de 2018
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Salvador. Nordeste pode fazer a diferença

Haddad sobe; começa a batalha do Nordeste

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Salvador. Nordeste pode fazer a diferença

Começa nesta quarta-feira a Batalha do Nordeste. Fernando Haddad, Ciro Gomes e, pasmem, Jair Bolsonaro se lançam a pegar o que der do espólio de Lula no quinhão estimado em 50 por cento do eleitorado do ex-presidente Lula, estimado em 60 por cento das intensões de votos nessa região. 10 por cento são petistas ou assemelhados e vão com o partido. Cada qual com suas armas.

Até terça-feira, as abóboras ainda se acomodavam na cesta. Com a revelação de que Haddad chegava aos 20 por cento, concluiu-se a primeira fase do embarque o eleitorado petista. Estão todos dentro do carro. O próximo passo é captar simpatizantes não partidários e incorporar um máximo do eleitorado nordestino.

Já o candidato Ciro Gomes, identificado no Nordeste como candidato regional, deve potencializar ao máximo sua identidade para expor a imagem desjeitosa de seu oponente “Andrade”, que é a pronúncia mais próxima de Haddad nos sertões.

Já o candidato Jair Bolsonaro, anti-petista ferrenho, terá de reforçar seus discursos de “prendo e arrebento”, que tem grande apelo na região, como comprovam pesquisas que identificaram migração de segmentos lulistas para suas bandeiras tanto de segurança como moralistas.

O crescimento vertiginoso da candidatura de Fernando Haddad veio do embarque em massa dos petistas devido à sua atuação na televisão e do ex-presidente no horário obrigatório. Nos programas eleitorais a presença da imagem e da inconfundível voz de Lula não deixam dúvidas de que é o ex-presidente o candidato de fato. Embora os seguidores de Haddad se irritem com a comparação com Héctor Cámpora, o “poste” de Juan Domingo Perón, não há como disfarçar. O candidato é Lula. Convencidos, os partidários petistas completaram os 20 por cento que constituem a base de lançamento do partido. Daqui em diante Haddad deve diminuir sensivelmente o crescimento, mas pode, tranquilamente, chegar os 30 por cento, que lhe garantem um palanque no segundo turno.

Já Ciro Gomes terá uma tarefa de contorcionista se quiser chegar ao segundo turno: No centro/sul deverá convencer à direita anti-petista e aos segmentos de centro das grandes cidades que será a única saída para evitar a vitória do PT no primeiro turno. No Nordeste terá de dizer que é um herdeiro de Lula mais autêntico que Haddad e que sua figura física de cearense é o legítimo Nordeste no poder. Direita no Sul, esquerda no Norte. Só assim chegaria à frente de Haddad para bater-se em duelo com o capitão. Haja saliva.

Já o candidato do PSL não tem que buscar apoios nesse espaço regional e ideológico. Com sua imagem de oficial do Exército ele é intrinsecamente nacional. Ninguém pode dizer que um militar é sulista ou nortista, assim como padres e petistas também não se prendem a regionalismo. Seu discurso é o da segurança. Isto é que pega muito bem. Se não tem Lula, então vale o cassetete, dirão.

Mais uma vez os debates ao vivo nas redes nacionais de televisão aberta serão decisivos. Nesta primeira fase Ciro Gomes e Fernando Haddad serão os contendores. É muito improvável que Bolsonaro perca sua posição de liderança. No entanto, desprezando a tradição de eleições anteriores, o primeiro turno não será a amostra da partida final. As pesquisas quantitativas deste momento indicam que o radicalismo de Bolsonaro pode ser batido no segundo turno, antevendo, assim, que o voto útil vai favorecer o adversário do capitão. Para tanto, é preciso chegar ao sítio do duelo.

A batalha do nordeste promete grandes emoções, porque aí está de fato a configuração do segundo turno.

Agência Digital News