16 de novembro de 2018
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Haddad tenta repetir Lerner na síndrome de Curitiba - Blog Edgar Lisboa. Foto: Divulgação

Haddad tenta repetir Lerner na síndrome de Curitiba

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O candidato Fernando Haddad repete em Curitiba um episódio análogo ao da candidatura do ex-governador Jaime Lerner, no Paraná, que, em 1988 entrou na disputa a 12 dias do pleito e venceu com larga margem.

Impedido pela Justiça de registrar sua candidatura, o arquiteto (hoje mundialmente conhecido) curitibano ganhou seu recurso no Superior Tribunal Eleitoral, anulando as impugnações de duas instâncias da justiça local, voltando a competir na reta final.

Tal qual Lerner, que chegou ao dia das eleições inteiro, sem as chagas de uma campanha acirrada, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, entra no páreo sem muito tempo para ser abatido pelas habituais acusações que pesam sobre ex-mandatários.

Ocorrido também em Curitiba, como o lançamento da candidatura do candidato petista que assume o lugar se seu chefe Lula da Silva, o episódio de Jaime Lerner é elucidativo, como relata o jornalista Valério Fabris, ex-correspondente de Veja e diretor regional da Gazeta Mercantil no Paraná.

Lerner tornou-se legalmente candidato faltando 12 dias para a eleição de 1988. E, assim, o tempo foi curto para que sofresse desgaste com os ataques dos adversários, que eram Maurício Fruet (PMDB) e Claus Germer (PT).

Ele estava filiado ao PDT, no Rio.  É que sonhava um dia ser o prefeito dos cariocas. Quando tentou se candidatar em Curitiba, a primeira instância da Justiça Eleitoral e, depois, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) negaram-lhe o título.  Recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que lhe foi favorável.

Maurício Fruet, do PMDB, até então liderava as pesquisas, com 28%. Claus Germer (PT) estava com 3%.   Lerner venceu com 48,5%.  Fruet ficou praticamente com o mesmo percentual da pesquisa.  Recebeu 29,4% dos votos.

Houve uma frente pró-Lerner.  Dois candidatos de outros partidos saíram da disputa, em favor dele: Aírton Cordeiro (PFL) e Enéas Faria (PTB).

Algaci Túlio, que era o candidato a prefeito pelo PDT, abriu mão, aceitando ser vice de Lerner.  E assim ficou a chapa:  Jaime Lerner/Algaci Túlio.

Mas o curto período da campanha de Lerner – 12 dias – acabou sendo uma vantagem: não houve tempo suficiente para ele se desgastar; apenas para a população se encantar com as palavras do arquiteto e urbanista. O mote da campanha de 85, o “Coração Curitibano”, lançado pelo publicitário Sérgio Mercer, foi reeditado. E, desta vez, saiu vitorioso. Lerner obteve 48,5% dos votos contra 29,4% de Fruet.

Será que com Haddad vai se repetir a Síndrome de Curitiba? A conferir.

Blog Edgar Lisboa / Agência Digital News