Humor: O Laranjão é parado na blitz | | Edgar Lisboa
Inicial / Artigos / Humor: O Laranjão é parado na blitz

Humor: O Laranjão é parado na blitz

Print Friendly, PDF & Email

Lei Seca. Uma da manhã. O Laranjão sai do escritório, cansado, ficou terminando um relatório que estava atrasado. Enviou à 1h03 por e-mail para o seu chefe.

Entra no seu carro. Sai da garagem do escritório. Ao dobrar a esquina é parado em uma blitz conjunta do Detran e da PM.

O agente do Detran faz sinal para ele parar.

“ – Boa noite, documentos do veículo e habilitação”.

O Laranjão abre a carteira e pega os documentos. Entrega para o agente.

“ – O senhor se importaria de fazer o teste do bafômetro?”, pergunta ao Laranjão.

“- Eu não bebi, preciso fazer?”, pergunta o Laranjão.

“- O senhor acredita em Papai Noel?”

“- Não entendi. Por que?”

“- Eu também não acredito. Mas meu filho sempre pede presente para ele e eu digo que ele existe. Entendeu?”, ironiza o agente. “- O senhor se im-por-ta-ria em fazer o teste do bafômetro?”.

“ – Tá bem, tá bem, se é para me livrar logo, faço, vamos lá”.

O Laranjão assopra o aparelho e acusa álcool. Ele se lembra que comeu dois bombons de licor de cereja que a secretária do chefe lhe deu. “Não acredito, vou me dar mal por causa de dois bombons”, pensa O Laranjão.

No carro parado à sua frente começa uma briga entre o motorista alcoolizado e o agente do Detran. O que estava atendendo O Laranjão, antes de auxiliar o colega, olha para O Laranjão, devolve os documentos e libera ele.

O Laranjão sai feliz da vida, primeira vez que se dá bem em uma situação delicada.

Ao passar pelo último carro da blitz, uma viatura da PM, um apito manda ele parar.

Multado por estar com a lanterna esquerda queimada.

Aqui você vai conhecer o Laranjão. No meio jornalístico se reconhece “laranja” como aquela pessoa que utilizam para se colocar a culpa. Um retrato do cidadão brasileiro em si. Suas qualidades, suas virtudes, seus defeitos, seus dramas. Sou eu, é você. Na rotina, no inesperado, não interessa, sempre é ele o culpado de tudo que acontece à sua volta.