Humor: O Laranjão visita a Câmara dos Deputados | | Edgar Lisboa
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Humor: O Laranjão visita a Câmara dos Deputados

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O Laranjão recebe em Brasília na sua casa o seu tio do interior do Rio Grande do Sul. Seu Bento.

Seu Bento quer conhecer a Câmara dos Deputados.

Visita orientada pelo pessoal do Cerimonial da Câmara, lá vão os dois.

“- Bento, de Papa Bento XVI?”, pergunta brincando o funcionário de credenciamento.

“- Não, tchê, de Raimundo Bento de Albuquerque Assis da Costa Fagundes”, responde com orgulho o nome quilométrico Seu Bento.

Caminham entre os corredores das Comissões, Biblioteca, Salão Verde, Lideranças, Presidência da Câmara, e Seu Bento muito mais deslumbrado que o Laranjão.

Entram no Plenário.

“- É aqui que os parlamentares debatem e votam as leis que vão mudar a vida de milhões de brasileiros…”, vai explicando o guia.

“- Mudar pra pior, né?”, fala Seu Bento para o Laranjão alto a ponto de incomodar o guia e os outros turistas rirem.

“- Esse painel registra os votos dos deputados e a indicação das lideranças. Os votos são secretos…”, continua o guia da visita.

“- Não foi esse painelzinho secreto aí, tchê, que o cara baiano aquele e um que virou governador daqui burlaram? Secreto só se for a marca da cueca que esse vivente tá usando”, fala alto novamente e cutuca com o cotovelo o Laranjão duas vezes.

“- Aqui os parlamentares ficam muitas vezes até altas horas da madrugada decidindo e revendo os projetos para serem votados…”, continua a história decorada o guia.

“- Estão servindo whisky aqui, tchê? Não, porque para ficarem até altas horas da madrugada, só se tiver benefício…”, gargalha estrondosamente o Seu Bento olhando com seu bigodão para o Laranjão.

O Laranjão, já meio envergonhado, olha para Seu Bento e fala: “- Tio, se comporta”.

Seu Bento tira da mateira a cuia e a bomba. O chimarrão já ta montado. Coloca água quente. Puxa em um gole só e diz: “- Sobrinho, lá pelas minhas bandas, lá na fronteira, a gente teve um prefeitinho sem-vergonha que virou estadual. Depois virou federal. Tenho medo que vire governador e queira eu estar enterrado lá perto do rio para não ver esse desgraçado virar presidente. Eu que tenho que me comportar, tchê?”

A visita acaba e todos começam a sair.

O Laranjão esbarra em uma lixeira vertical e ela cai. Estava solta e as duas peças se separam.

O segurança da Câmara olha e pergunta: “- O senhor que quebrou?”

O Laranjão responde que não.

“- Viu, eles sempre querem colocar a culpa na gente”, brinca Raimundo Bento de Albuquerque Assis da Costa Fagundes.

Aqui você vai conhecer o Laranjão. No meio jornalístico se reconhece “laranja” como aquela pessoa que utilizam para se colocar a culpa. Um retrato do cidadão brasileiro em si. Suas qualidades, suas virtudes, seus defeitos, seus dramas. Sou eu, é você. Na rotina, no inesperado, não interessa, sempre é ele o culpado de tudo que acontece à sua volta.