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Izalci imprime novo estilo no Senado

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José Antônio Severo

O senador Izalci Lucas, do PSDB do Distrito Federal, apresentou um balanço de seus primeiros 100 dias de mandato na Câmara Alta do Congresso, como se fosse uma prestação de contas ao eleitorado de Brasília. Isto não é normal entre parlamentares. Habitualmente são os executivos que fazem essas contabilidades. Entretanto, Izalci não é um parlamentar comum.

Embora tivesse dois mandatos como deputado Federal, o senador de Brasília chega à Casa como se fosse um estreante da “nova política”, por seu estilo jovial e pela estratégia ortodoxa que adotou. Numa bancada como a do PSDB, de grande peso, com forte participação de verdadeiras “vacas sagradas” da política, como José Serra e Tasso Jereissati, ele se destaca pela atuação intensa em todos os espaços da área parlamentar.

Nesses primeiros 100 dias, Izalci compareceu a 99% das sessões plenárias (é praxe a presença contínua apenas nas sessões deliberativas – em que se votam projetos), fez 54 pronunciamentos (mais de um por dia) e apresentou 50 proposições. É um desempenho fulminante num parlamento conhecido por sua lentidão.

Tamanha agressividade atrai temores. Neste sentido, seus competidores plantaram na mídia a acusação de que Izalci tem 78 funcionários a seu serviço, uma acusação habitualmente ligada ao nepotismo ou apadrinhamento. Entretanto, o senador candango confirma o número, mas rebatendo que tantos profissionais são, em sua esmagadora maioria, consultores e especialistas capacitados para atenderem à sua atuação em áreas especializadas da vida nacional. No gabinete pessoal, para seu atendimento, conta apenas com o núcleo base, necessários a seu expediente.

Os demais servidores desse time produzem conteúdos para sua atuação em nada menos do que oito comissões permanentes. Uma subcomissão e nove comissões temporárias. Isto é essencial porque ele é presidente da Comissão de Desenvolvimento Regional e turismo, a CDR, que trata de interesses e demandas de todos os estados e regiões do País. Não é pouco fazer tudo isto andar em frente.

Além disso ele administra funcionários no suporte aos cargos de vice-líder do Governo, vice-líder do bloco PSDB/PSL, Podemos e liderança do PSDB, cada uma dessas funções com gabinetes próprios e funções diferenciadas. É uma grande carga. Não bastasse, o senador integra duas frentes parlamentares, uma atividade que demanda atenção e presença semanal em debates pluripartidários.

Entretanto, isto não é uma novidade em sua carreira política. Nos seus dois mandatos como deputado federal participava simultaneamente de cinco comissões na Câmara. É seu estilo de fazer política.

Estar ligado nos grandes temas nacionais não impede que continue atuando fortemente nos interesses específicos do Distrito Federal. Ligado ao setor educacional (foi cotado para ser ministro da Educação), opera esforços no sentido de aproximar o mundo acadêmico do setor produtivo, articulando todas as universidades da capital com as áreas de desenvolvimento econômico, objetivando criar receita própria para o Distrito Federal, hoje inteiramente dependente de repasses da União. Esse era um projeto dele nos tempos em que foi pré-candidato ao governo do DF, agora retomado no Senado Federal.

Blog Edgar Lisboa / José Antônio Severo