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Lei dos Agrotóxicos: o incrível diálogo de surdos - Blog Edgar Lisboa. Foto: Reprodução

Lei dos Agrotóxicos: o incrível diálogo de surdos

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José Antonio Severo

Diálogo de surdos:  uma sessão patética da comissão especial de Agricultura da Câmara, nesta segunda-feira, organizada pelo deputado federal Luiz Nishimori (PR/PR) para debater, com técnicos e ativistas, a nova legislação para o uso de defensivos agrícolas no País.

De um lado, industriais, produtores, técnicos e cientistas de universidades e órgãos especializados em agroquímica do governo; do outro ativistas de ONGs ou lideranças de segmentos ligados aos partidos de esquerda, como MST e outros, tais como o Greeenpeace. Tais posicionamento essas pessoas enunciavam ao subir à tribuna, agradecendo ao convite da deputada federal Cristina Feghali, (PCdoB/RJ), que integra a comissão.

O tema do encontro, organizado pelo parlamentar paranaense, que é o relator da nova lei dos pesticidas, para os produtores, ou lei do veneno, para os ativistas de esquerda, era dar uma passada geral na polêmica.

A proposta do encontro, realizado nessa tarde de segunda-feira, no plenário da Câmara, pelo deputado NIshimori, relator do projeto em tramitação, que está em vias de ser enviada ao plenário da Câmara para votação.

O parlamentar paranaense é o autor do substitutivo ao PL 6299/02 e 29 apensos, que flexibiliza o uso desses produtos tecnicamente chamados de defensivos, mas denominados, pelos ativistas de “agrotóxicos” e pelos técnicos e acadêmicos de “pesticidas”. O locutor da TV Câmara que transmitia a sessão, em cima do muro, denominando de “agroquímicos”. E assim foi a sessão.

O deputado Nishimori chamou à tribuna e deu a palavra a um a um dos inscritos convidados, representando todos os segmentos envolvidos na polêmica. Com paciência oriental ouviu sem mover um músculo da face o inacreditável diálogo dos antagonistas. Nem para o risinho irônico, nem para o espanto. Impassível, ouvia e da apalavra a todos.

Sua habilidade foi intercalar as participações. Subia um ativista, logo em seguida um técnico. Cada qual com seus argumentos, sem nenhum refutar o outro, embora apresentassem dados e informações frontalmente contrários e conflitantes. Os ativistas verberavam ameaças à saúde e ao meio-ambiente; os técnicos apresentavam números nacionais e internacionais, impassivelmente, dizendo que tudo o que se faz e se pretende fazer no Brasil está dentro das medidas mundiais dos organizamos de saúde e de agricultura.

O curioso é que nenhum deles referia ao que dissera o seu antecessor na tribuna, ou sequer duvidava do que se  afirmara há poucos momentos. E assim foi até o final. Um diálogo de surdos. Ninguém quer ouvir o antagonista. O deputado Nishimori, encerrando a sessão, apenas ponderou que tal veneno não poderia ser tão letal, pois nos tempos da agricultura totalmente orgânica, antes do uso de agrotóxicos, nos anos 1950, a expectativa de vida no Brasil era de 49 anos. Agora com comida envenenada passa dos 70 anos e, no seu estado, o Paraná, o que mais usa os agrotóxicos, está em 79 anos. A lei vai passar no plenário, pois, como ficou claramente demonstrado, não é uma questão técnica, mas política.

Blog Edgar Lisboa