10 de dezembro de 2018
Inicial / Destaques / Marcos Valério: “Não faz bem para o Brasil o Lula Preso”

Marcos Valério: “Não faz bem para o Brasil o Lula Preso”

Print Friendly, PDF & Email

“Não faz bem para o Brasil o Lula preso” disse neste domingo (22) o publicitário Marcos Valério (Fernandes) o ex-marqueteiro de José Dirceu e pivô do Mensalão do PT. Ele sabia o que falava: um ex-presidente encarcerado é o que de pior pode acontecer a qualquer regime, mais ainda ao governo de plantão.

Homem de marketing, Valério percebeu o erro político: Lula deveria estar vagando pelo mundo falando mal do judiciário, do governo, de quem for, mas longe daqui. Seria mais um, talvez o mais destacado dentre todos, de tantos ex-presidentes que andam por aí mundo a fora com contas a acertar, justa ou injustamente, com a Justiça de seus países.

Mesmo o execrado ex-presidente do Peru, Alberto Fujimori, hoje inimigo político de seus próprios filhos, era uma pedra no sapato do governo de Lima. Na primeira oportunidade encontraram uma forma de libertá-lo, livrando-se do pepino.

Assim como o Palácio do Planalto já sente, os governos peruanos se arrependeram e o Japão teve um alívio quando pode mandar o presidente foragido de volta para a América do Sul. Lula, entretanto, deu a volta por cima e não entrou nesse jogo.

O ex-presidente brasileiro pegou sua escova de dentes e foi se apresentar em Curitiba. Agora não tem solução. Lula se entregou clamando inocência: “Eu estive na divisa do Paraguai como Brasil. Estive em Foz do Iguaçu, vizinho do Uruguai e Argentina. Eu poderia ter ido para alguma embaixada, mas eu não quis fugir, porque quem é inocente não corre, enfrenta”, disse.

Lula, acreditam alguns observadores, poderia ter pensado num exílio, mas nunca numa fuga. Esta oportunidade seria em sua participação no evento da ONU na Etiópia. Lá chagando, poderia declarar-se perseguido político abrigar-se sob proteção das Nações Unidas. Seria uma retirada de seu tamanho. Dar no pé? isto jamais.

Se houve esse plano, ele foi frustrado pela desastrada liminar do juiz, Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF, que,  para ficar cinco minutos debaixo dos holofotes mandou cassar o passaporte do ex-presidente, impedindo seu embarque.

Se fosse fugir, quando sua caravana andava pelo Sul, esteve em Santana do Livramento, separada do Uruguai por uma rua. Ali estaria bem abrigado. O país vizinho é tradicional refúgio de perseguidos políticos brasileiros desde a Guerra dos Farrapos em 1835.

Estiveram exilados no Uruguai os farroupilhas da República Rio-Grandense, os marinheiros da Revolta da Armada, os maragatos da Revolução Federalista, os militares da Revolução dos Tenentes das revoltas dos anos 1920, os trabalhistas expulsos pelo do Golpe de 1964, sem falar dos esquerdistas espantados pelo AI-5.

Nada mais tradicional do que exilar-se no Uruguai.  Entretanto, Lula prefeito ficar no Brasil, como disse: “Não tenho medo das denúncias contra mim porque sou inocente e não sei se meus acusadores são inocentes”. E emenda: “há políticos que não têm honra e não se defendem. Eu tenho muita honra e quero me defender. Por isso eu estou muito tranquilo”.

Certamente o Judiciário, que mandou encarcerar Lula, seguindo a frieza técnica, não opera politicamente, embora o STF seja um poder da República. Pelo andar da carruagem, o Supremo vai tirar da frente vários outros candidatos, além de Lula. Na linha de tiro está o deputado Jair Bolsonaro, segundo lugar nas pesquisas, já denunciado que dificilmente escapará de uma senteça politicamente correta. Outros estão na linha de tiro.

 

No Exterior, mesmo condenado, Lula poderia ser beneficiado com um indulto presidencial. Um exemplo é a trajetória do falecido presidente argentino Juan Domingo Perón, condenado por crimes políticos e comuns. Ele também foi impedido de se candidatar, nas eleições de 1972.

Fora do páreo, Perón indicou um “poste”, o ex-deputado Héctor Campora. Eleito, o novo presidente indultou o ex-ditador e renunciou, junto com o seu vice-presidente, abrindo novo ´período eleitoral.

Livre das penas, Perón foi eleito presidente, governando de 1973 a 1974. Ainda no poder, morreu, deixando o governo à sua mulher e vice-presidente, Isabel de Perón, que, também, depois de pouco mais de um ano, foi deposta pelo seu comandante do Exército, general Jorge Rafael Videla. Na Argentina já havia um ministério da Defesa, ocupado por um civil, o que não impediu o golpe de estado.

Lula podia eleger alguém de sua confiança, Fernando Haddad, Jacques Wagner, ou os dois (um presidente e o outro vice) e depois voltar indultado para ser consagrado em nova eleição. Seria a volta do efeito Orloff?

José Antônio Severo