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Maximizar os lucros dos acionistas não pode ser o objetivo principal das empresas - Blog Edgar Lisboa. Foto: Divulgação

Maximizar os lucros dos acionistas não pode ser o objetivo principal das empresas

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*Gilberto Severo

Recentemente, o jornal Washington Post publicou uma grande reportagem ouvindo alguns dos executivos mais poderosos dos Estados Unidos. Na pauta: “A “Ditadura dos Lucros dos Acionistas”. Os entrevistados integram um grupo de quase duas centenas de CEOs, contrários à ideia de que as empresas devem maximizar os lucros para os acionistas acima de tudo, uma crença de longa data que, segundo seus defensores, impulsionou o retorno do capitalismo, mas fez aumentar a desigualdade e outros males sociais.

Em uma nova declaração sobre o objetivo da corporação, a “Rodada de Negócios”, que representa os principais executivos de 192 grandes companhias, reafirmou que os líderes empresariais devem se comprometer a equilibrar as necessidades dos acionistas com clientes, funcionários, fornecedores e comunidades locais.

“Os americanos merecem uma economia que permita a cada pessoa ter sucesso por meio de muito trabalho e criatividade e levar uma vida de significado e dignidade”, disse a declaração da organização, presidida pelo CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon. “Temos que agregar valor a todos eles, para o sucesso futuro de nossas empresas, comunidades e país”, complementa.

O movimento ocorre em meio a um crescente debate nacional sobre a responsabilidade das empresas em um momento de forte desigualdade econômica. Por décadas, os salários subiram apenas moderadamente, à medida que os ganhos dos principais executivos de corporações públicas aumentaram. Vários legisladores tentam forçar as companhias para que estas considerem os objetivos maiores da sociedade quando fazem negócios ou são penalizados.

Bernie Sanders, senador democrata com forte atuação no partido, disse que – caso chegasse à Casa Branca – proibiria as empresas de recomprar suas próprias ações – uma medida que eleva os preços das ações – a menos que ofereçam remuneração e benefícios aos trabalhadores.

As empresas também enfrentam crescente pressão – seja de clientes, funcionários ou grupos públicos – para se posicionarem sobre questões que afetam a sociedade em geral. O Walmart, por exemplo, enfrentou centenas de pedidos para parar de vender armas após um recente tiroteio em massa em sua loja em El Paso.

Os líderes corporativos têm cada vez mais dado atenção às questões sociais que vão do racismo aos direitos LGBT, à medida que os consumidores procuram cada vez mais gastar dinheiro com empresas que compartilham suas opiniões. Que esses ventos também soprem para o lado de cá da linha do Equador.

Blog Edgar Lisboa