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crédito bancário são discutidas

Medidas do governo para restringir
crédito bancário são discutidas

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As medidas do governo para restringir o crédito bancário de longo prazo para pessoas físicas foram bem aceitas pelos parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

Mas o deputado Guilherme Campos, do DEM de São Paulo, criticou o fato de elas terem sido adotadas após as eleições.

O governo elevou o total de dinheiro que os bancos devem reservar para garantir operações de crédito de prazos superiores a 2 anos, o que deve elevar o custo desses financiamentos.

A medida alcança empréstimos consignados de prazo superior a 3 anos. Hoje, esse empréstimo com desconto em folha pode ser de até 5 anos.

No caso dos financiamentos de veículos, poderá haver aumento de juros para os prazos de 2 a 3 anos quando o valor da entrada for inferior a 20%.

Se o financiamento for de 3 a 4 anos, a entrada terá que ser de 30% para não sofrer impacto com as mudanças. Já os prazos de 4 a 5 anos, exigirão uma entrada de 40%.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que foi observado um aumento da inadimplência para prazos longos, saindo de 1,5% em financiamentos de 1 a 2 anos para 8% nas operações de 5 a 10 anos.

Para os bancos, esta situação é ruim porque os bens dados em garantia já não têm o mesmo valor de antes.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, explicou que as medidas também deverão ter impacto positivo sobre a inflação:

“É claro que isso vai encarecer um pouco o crédito, mas, neste momento em que há uma expansão, é oportuno fazê-lo. Passamos por um período de restrição de crédito no passado e isso foi totalmente superado. O setor privado já voltou com força no crédito, então eles estão aumentando o crédito com bastante força e, então, nós temos que evitar que haja exageros, então, as medidas foram bastante adequadas”

Para o deputado Guilherme Campos, do DEM de São Paulo, é bom colocar um freio agora porque muitos consumidores estavam se endividando, acreditando que o futuro já estava certo:

“O próprio governo admite que aquilo que nós estamos vivendo não faz parte de uma realidade sustentável, faz parte de uma realidade fabricada em cima do crédito, fabricada da imagem que o Brasil é um país que já deu certo. Não, nós vamos dar certo. Nós estamos em processo de crescimento e de consolidação”

O deputado Luiz Carlos Hauly, do PSDB do Paraná, tem uma avaliação semelhantes, mas afirma que o governo tem instrumentos para controlar a situação:

“Nestes 8 anos do Lula, ele aumentou o endividamento das famílias de 7% para 29%. Realmente, uma das coisas que aumentou o consumo interno e a sensação de bem-estar foi o aumento dos empréstimos, especialmente do crédito consignado, que não existia. Então, tem que tomar cuidado”.

Quanto ao fato de as medidas serem adotadas após as eleições, o deputado Pepe Vargas, do PT do Rio Grande do Sul, presidente da Comissão de Finanças e Tributação, afirma que elas já eram esperadas pelo mercado e devem evitar uma pressão maior sobre a taxa de juros básica, a Selic:

“Não é uma medida pós-eleitoral. Se tivesse que ter sido tomada antes da eleição, não teria problema nenhum. O importante é que as autoridades econômicas agem no momento que têm que agir”.

O governo também elevou os depósitos que os bancos têm que fazer sobre a quantidade de recursos captados, o que deve retirar do setor de empréstimos R$ 61 bilhões.

Segundo Meirelles, o governo estaria apenas voltando com a situação existente antes da crise financeira de 2008/2009.

Também foi elevado de R$ 60 mil para R$ 70 mil o total de depósitos bancários garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito. Ou seja, em caso de quebra de banco, é garantido um total de R$ 70 mil por CPF.

Da Rádio Câmara em Brasília, Sílvia Mugnatto