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Melhor idade quer gastar

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“Com a idade, a gente vai ficando mais exigente”, comenta o médico, de 65 anos, Humberto Frazão. A chamada terceira idade está mais exigente e com mais dinheiro para gastar. O mercado brasileiro, aos poucos, desperta para essa demanda de consumidores com um enorme potencial comercialmente e detentora da maior renda per capita do país. De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada em setembro, no Distrito Federal são 198 mil pessoas nessa faixa etária, sendo que 60% estão na condição de chefe de família.

O mercado brasileiro se movimenta com investimentos em produtos e serviços nesse novo público-alvo. As farmácias criam cartões de desconto para os clientes de idade avançadas, faculdades abrem turmas específicas para esse grupo e agências de viagem oferecem pacotes turísticos e cruzeiros em baixa temporada. O presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens do DF (Abav-DF), Carlos Alberto de Sá, estima que os clientes com mais de 60 anos representam 60% da demanda dos cruzeiros marítimos. “As pessoas de idade mais avançada não gostam de ficar pegando ônibus, carregando mala de um lado para o outro. O navio proporciona o conforto que eles querem”, observa.

cidade de Brasília Foto: Divulgação
cidade de Brasília Foto: Divulgação

Os profissionais de arquitetura de Brasília entenderam as necessidades e aplicam novas adaptações como: vasos sanitários mais altos, piso antiderrapante e tapetes mais finos que evitam quedas. “São detalhes, muitos, inclusive, valem para qualquer idade. Mas o mercado percebeu que esse é um grande caminho. Essas pessoas estão em uma fase da vida em que podem se permitir gastar um pouco mais”, avalia Hélio Albuquerque, sócio-fundador da Associação Brasiliense dos Designers de Interiores (Abradi).

Mas, em relação a países da Europa e dos Estados Unidos, o desempenho nacional é considerado pífio. Pois, o mercado mundial tem readequado o que existe (como celulares com dígitos maiores e porta remédios que avisam a hora de tomá-los) para atender os consumidores mais velhos.

O mestre em administração de empresas e professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie em São Paulo, Marcos Morita, explica que os idosos são os menos inadimplentes, voltam a usar o produto ou serviço quando ficam satisfeitos e têm uma poderosa rede de contatos. Dessa forma, não tem mais como o mercado ignorar esse grupo. “Se eu fosse abrir um negócio para a terceira idade, abriria na capital federal”, comenta Morita pelo grande número de servidores públicos aposentados.

“O número de pessoas com idade mais avançada e com dinheiro vai crescer ainda mais. A terceira idade pode, em pouco tempo, se tornar o público mais importante do mercado”, analisa o professor da Universidade Mackenzie. As previsões apontam que em 2020 dobre a quantidade de idosos e que se transforme no nicho de consumidores mais importantes do país.