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Damares Alves

Ministra Damares em ação

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A ministra Damares Alves teve destaque na cena diplomática internacional nesta quarta-feira, quando repercutiu seu afastamento gongórico da conferência do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que se realiza em Genebra. A titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, do governo do presidente Jair Bolsonaro, retirou-se do plenário com toda a delegação brasileira, em protesto contra a participação da Venezuela nesse conclave que reúne representações de nível ministerial demais de 100 países. Foi o mais retumbante ato político nesse evento.

Não, “a regime ilegítimo”

O fato em si, defendido pela própria ministra em suas redes sociais (“Não daremos palanque a regime ilegítimo e sanguinário. Chega. O povo venezuelano não aguenta mais. As crianças daquele país pedem socorro”, escreveu em sua postagem), foi absorvido como mais um desses atritos dos novos governos sul-americanos contra o regime do presidente Nicolás Maduro (O Brasil reconhece o autoproclamado presidente Juan Guaidó). Entretanto, na política interna, vale observar a nova projeção da desenvoltura diplomática da ministra.

Desfazer equívocos

Em meio à distração do noticiário, concentrado na cobertura do Carnaval, a ministra realizou movimentos de grande significado nas relações internacionais, além das atribuições normais de seu quadrado administrativo. Tal qual outros ministros, que atuam em paralelo para compensar repercussões negativas da linha do governo, no cenário, internacional, a ministra Damares se coloca ao lado da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do ministro da Economia, Paulo Guedes, do ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, e outros que saem pelo mundo a desfazer equívocos e apagar incêndios diplomáticos causados pela diplomacia profissional do Itamaraty.

Controvérsias políticas

Em Genebra, Damares realizou uma manobra tática de bom efeito estratégico, retirando-se da Conferência antes que no Brasil virasse alvo de ataques e suspeitas na área de direitos humanos, por causa das controvérsias sobre novas políticas para indígenas, quilombolas e questões identitárias. Na semana anterior, ainda encoberta pelo massacre midiático do carnaval, a ministra reuniu-se com a cúpula católica da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também uma manobra de grande significado político. Aparentemente, os resultados foram positivos.

Aproximação com católicos

Na aproximação com os católicos, a ministra apresenta-se  como enviada da fração evangélica  no sistema político, incluindo governo e parlamento, onde se debatem temas de grande interesse para os cristãos como um todo, tais como legislações  sobre aborto, células tronco e outros temas controvertidos na área teológica, que têm convergência de ideias, além de outros de ordem prática, como tributação de templos, mudanças na áreas educacional e  outras em que as igrejas tradicionalmente atuam no Brasil desde o início do Século XX.

Nova Estrela da negociação

O encontro com a CNBB foi conduzido, pelo lado dos católicos, pelo arcebispo de Porto Alegre, D. Jaime Spengler. Mas não foi só isto. Em dezembro a ministra esteve com o Papa Francisco, em Roma, e recebeu no seu gabinete do presidente da entidade, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte.  É uma nova estrela no firmamento.

Edgar Lisboa