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Nenhum presidente excêntrico foi derrubado no Brasil 

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José Antonio Severo

O Brasil e, principalmente, os adversários do presidente Jair Bolsonaro, devem se preparar para quatro anos sob um chefe de estado um tanto bizarro. Não será novidade nem no Brasil nem na América Latina cumprir na íntegra seu mandato. Já houve outros mais, outros menos excêntricos. Nenhum deles sofreu golpes ou impeachment.

Por exemplo: a experiência histórica do Brasil como sede de um governo que começa (janeiro de 1808) com uma rainha louca chegada ao País à frente de sua corte, como aliada de outro rei demente, Jorge III da Inglaterra, ambos em guerra contra um dos gigantes da História Universal, nada menos do que Napoleão Bonaparte de França. Deu tudo certo.

Na república Velha, o presidente Delfim Moreira foi atacado por demência, mas assim mesmo ficou no governo entre 15 de novembro de 1918 e 26 de julho de 1919. Até a posse de seu sucessor, Epitácio Pessoa, o país foi governador pelo ministro da Viação (hoje Transportes), Afrânio de Melo Franco. O governo enfrentou dentro da Lei turbulências sociais e políticas sem ameaça à estabilidade institucional.

Jânio Quadros, outro presidente esquisito e boquirroto, teve a sensatez de renunciar no sexto mês de um governo que, entre outras coisas, proibiu o uso de maiô biquini e as rinhas de galos, medidas tidas como descabidas naqueles tempos. Seu governo foi institucionalmente normal. Ao sair, deixou a presidência na mão do presidente da Câmara, deputado Ranieri Mazzilli (PSD/SP), pois o vice, João Goulart, estava em viagem ao Exterior.

Na América Latina houve vários exemplos. O mais caricato foi o ditador boliviano Mariano Melgarejo (1864/71) que fez o embaixador inglês desfilar só de cuecas pelas ruas de La Paz, atraindo a raiva da Rainha Vitória, que mandou riscar a Bolívia do mapa, já que a esquadra britânica não tinha como chegar ao país para dar uma lição bombardeando sua costa, como era costume dos ingleses. Também vale lembrar o ex-presidente Pepe Mojica, do civilizadíssimo Uruguai, que morava num sítio nas redondezas de Montevidéu e dirigia seu fusca 1982.

Atualmente o continente americano tem duas figuras que se encaixam no figurino, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o norte-americano Donald Trump. Embora seja um estadista, pela figura, também Evo Morales, da Bolívia, seria um deles. Tudo como dantes.

Blog Edgar Lisboa/ José Antonio Severo

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