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Nova biografia conta história de Roberto Marinho até a criação do ‘Jornal Nacional’

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‘Roberto Marinho: o Poder está no Ar’ narra parte importante da trajetória do fundador da TV Globo que, nas palavras do autor Leonencio Nossa, se mistura com a história do Brasil.

Roberto Marinho em frente ao Museu do Louvre, em abril de 1956 Foto: Arquivo O Globo

‘Após sua fundação por Irineu Marinho, meu inesquecível pai, em 1925, e depois de termos consolidado a posição do jornal, conseguimos emplacar uma rede de rádio cobrindo todo o país; lançamos a montagem da rede nacional de televisão.’
O discurso do jornalista Roberto Marinho em que cita a criação da TV Globo remete ao período no qual começava uma nova empreitada aos 60 anos. É justamente até esse momento, incluindo a criação do Jornal Nacional, que o livro ‘Roberto Marinho: o Poder está no Ar’ conta momentos importantes da trajetória do jornalista. Segundo o autor Leonencio Nossa, eles se misturam com a história do Brasil.
‘A história do Roberto Marinho se confunde com a história do Brasil. Os momentos mais importantes do país se confundem com os momentos mais importantes da vida dele’, afirma.
O livro conta uma corrida recheada de obstáculos até a criação da TV Globo, linhas sinuosas que Roberto Marinho seguiu sem permitir que o legado deixado pelo pai ruísse. Em 1925, Irineu Marinho, pai de Roberto, fundou o Jornal O Globo. Irineu morreu três semanas depois, e a missão de tocar a redação teria ficado a cargo de Roberto Marinho, na época com 20 anos. Mas, ainda inexperiente, o garoto só viria a assumir a empresa em 1931, data que marca o início da ‘era Getúlio Vargas’. O aturo Leonencio Nossa fala sobre os desafios que o jovem jornalista enfrentou durante uma ditadura feroz e sem liberdade de imprensa.
‘Em 1935 ele se opõe aos comunistas. Ele foi atacado pela esquerda e chamado de fascista. Em 1938, ele se opôs aos políticos da direita. O Roberto Marinho que trilha pelo centro nasce no período da era Vargas’, explica.
Entre o lançamento do Jornal O Globo e da TV Globo, a Rádio que leva o mesmo nome teve imensa importância na vida de Roberto Marinho. Numa entrevista à própria Rádio Globo, em 1996, ele lembrou da inauguração do veículo.
‘Tenho bem na memória que o show de inauguração da Rádio Globo foi com um recital de Madalena Tagliaferro. Lembro que Madalena me fez várias perguntas, porque ela nunca tinha falado para o rádio. E eu a tranquilizei.’
Para escrever o livro, Leonencio Nossa garimpou acervos e entrevistou mais de cem fontes, durante seis anos de pesquisa. A obra conta com imagens de diversas fases da vida pessoal do jornalista e trata também da relação dele com o pai. O autor conta que Roberto Marinho tinha em Irineu a imagem de um homem forte.
Em depoimento ao documentário ‘Roberto Marinho, o senhor do seu tempo’, o jornalista se emocionou ao lembrar da morte do pai.
‘Às seis horas da manhã ouvi gritos de minha mãe. Ela estava batendo na porta do banheiro que estava fechada. Eu subi numa cadeira, meti-me pela bandeira da porta para abrir a porta para minha mãe e tentar acudir meu pai.’

Blog Edgar Lisboa/CBN/ Arthur Neto