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Victor Correa - geógrafo fundador do Grão Coworking. Foto: Divulgação

O Meio ambiente e a vida – Victor Correa

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De Victor Correa, geógrafo, cofundador do Grão Coworking e consultor de resíduos sólidos

Caso tivéssemos dúvidas da intensidade de nossas relações globais, a pandemia nos provou que um vírus consegue, hoje, viajar o mundo inteiro em poucos meses. Isso não significa apenas o reconhecimento do Antropoceno, mas também que para o estabelecimento dessa nova Era, ainda temos que buscar soluções que permitam problemas antigos ficarem no passado.

Esse fato nos ajuda a entender melhor o bem mais valioso que a Terra tem: a vida. Apenas nós, em todo o universo conhecido, temos acesso a ela. E compreender isso é aceitar que toda vida deve ser valorizada e que existem refinadas e complexas combinações que permitem as mais belas formas que encontramos na natureza.

O grande dilema que a sociedade moderna enfrenta talvez seja o encontro do mundo natural, que sempre existiu e tem sido suprimido em detrimento do mundo digital, com realidades virtuais. Não enxergar como essas questões estão diretamente relacionadas com a escassez de recursos naturais em determinados países, surgimento de epidemias, desigualdade social extrema, entre outras mazelas que já deveriam ter sido suprimidas, é cair no limbo do conhecimento. Isso cria vazios difíceis de serem preenchidos.

Talvez somente a fome e a sede sejam capazes de conscientizar aqueles que insistem em negar a relação das ações indiscriminadas em busca de desenvolvimento acelerado com a continuidade das mazelas do nosso tempo. Mas não devemos ser pessimistas. O humano e sua resiliência são testados constantemente em sua história: em geral, aprendem com seus erros. Mas talvez nessa nova Era, devêssemos não precisar ver cidades, população e natureza serem destruídos em segundos e impossibilitados de existirem por décadas, para entendermos que bombas atômicas podem destruir nossa existência.

Por outro lado, vemos algumas pessoas realizando o improvável: negando os problemas, como o próprio perigo de um vírus avassalador. Aqueles que entraram na pandemia negando a intensidade do impacto do humano na natureza, e saem dela com o mesmo pensamento, carecem de racionalidade na compreensão das dinâmicas sociais.

No entanto, enquanto há vida, há esperança. Apesar de tudo, é possível plantar sementes do bem. Para isso, é possível dar os primeiros passos para hábitos sustentáveis, como forma de cada um buscar fazer sua parte. Trata-se de uma rotina que você tem que incorporar no seu dia a dia. Está na maneira de pensar o que está consumindo e para o que está consumindo. É um processo que nos conecta à vida e ao nosso propósito enquanto humanos.

Mas cuidado, a desinformação tem feito seu papel em postergar as mudanças necessárias. Somente o conhecimento vai acelerar esse processo. Em números de 2019, a sociedade brasileira produziu 265 mil toneladas dia de lixo. Caso ache que existe possibilidade da natureza absorver isso, só demonstra o quão desconectado você está com ela. Então, não se trata de algo que deveríamos tratar como uma escolha ou se ainda não houvesse consenso sobre a importância de sermos sustentáveis. A natureza clama por ajuda. Faça sua parte.