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Os acertos que assombram Bolsonaro - Blog Edgar Lisboa. Foto: Reprodução/ Evaristo Savia/Getty Images

Os acertos que assombram Bolsonaro

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José Antônio Severo

Os perigos para o presidente Jair Bolsonaro seriam seus acertos, e não seus erros. Isto também se falava do ex-presidente Fernando Collor. É voz corrente que caiu pelas coisas certas que teria feito, enfrentando os monopólios das reservas de mercado da iniciativa privada e, pior de tudo, atacado de frente as corporações que dominam o setor público brasileiro.

Collor bateu de frente com os servidores dos três poderes. O estereótipo que seus marqueteiros lançaram à frente, para marcar a batalha, foi o combate aos marajás. Foi fatal. Hoje esses super-assalariados, grande parte deles inativos, estão sendo chamados de “privilegiados”. Mas é só mais do mesmo. Jogo muito duro, tanto que o presidente já está fraquejando e tentando dar passos atrás, o que só não ocorreu, como no caso dos policiais federais, porque a Câmara travou. Quem diria! Normalmente eram os deputados que pulavam fora deixando o executivo na chuva. Novos tempos.

O primeiro chefe de governo brasileiro que caiu por bater de frente com essas muralhas invisíveis foi o patriarca da independência, José Bonifácio de Andrada e Silva, que foi demitido pelo imperador quando atacou os rentistas que financiavam a dívida pública. Com sua volta a Portugal, Dom João VI levou consigo o tesouro e, principalmente sua dívida pública. Lá adiante o novo império teve de assumir esse passado (para ter o reconhecimento internacional), pois sem isto para refinanciar, como emprestar dinheiro a juros para o governo?

Lembramos de Collor, mas não podemos esquecer de Michel Temer, que foi esterilizado quando já estava com a reforma da previdência tão avançada que, poder-se-ia dizer, já estaria com a nova lei em cima da mesa e a caneta na mão para promulgar, quando levou uma rasteira e recuou para trás da linha da bola, esperando o apito final.

Agora Bolsonaro parece assustado, quer dar um passo atrás. Mas ao sentar  na cadeira presidencial exibindo sua caneta bic, falou tão duro, foi tão macho, que está difícil recuar. Talvez não dê tempo, pois o presidente da Câmara e seus deputados estão com pressa. Não vão deixar a peteca cair. Se protelarem para depois do recesso, como propõem forças políticas que vão da extrema esquerda à extrema direita, a casa cai. Impressionante o Brasil: quem esperava ver que são os parlamentares a segurar a peteca!

As pesquisas são claras: a reforma da previdência tem apoio popular. Isto se deve à campanha do presidente. O parlamento embarcou na canoa e agora não quer deixar o homem saltar fora do barco. As pesquisas divulgadas nesta segunda feira mostram bem o quadro: 33 por cento a favor e os mesmos 33 por cento contra.

Direita e esquerda empatados. No meio aquela massa informe, volúvel, antigamente chamada de “maioria silenciosa” que votou em Bolsonaro para presidente para tirar o PT do governo. Assim como foi para um lado, pode ir para o outro. É com o que contam os postulantes de olho na cadeira de Bolsonaro.

Se quer continuar em 2022, o capitão deve botar as barbas de molho.