19 de dezembro de 2018
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Os caminhos de Ana Amélia

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A senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) deixa o Congresso Nacional no final da legislatura, após quatro anos de intenso trabalho e uma presença marcante no Senado Federal. Com uma eleição garantida, segundo as pesquisas, não concorreu à reeleição para sair candidata a vice-Presidente da República, na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). Agora, a senadora gaúcha parte para novos desafios: alguns garantem que vai para o governo, outros, dão como certo o caminho para a iniciativa privada. Enfim, para pessoas de talento, existe mercado para qualquer uma das áreas, apenas um problema simples para resolver, decidir para onde quer ir. Na minha avaliação poderá dar uma enorme contribuição ao novo governo junto com o time de talentos convocados por Jair Bolsonaro. Entre eles Sérgio Moro, general Augusto Heleno, Gustavo Bebianno e Onyx Lorenzoni. Nunca se afastou de sua especialidade, a comunicação, mesmo no Senado. Sabe atuar como ninguém no trato com os jornalistas e acompanhamento da comunicação como um todo.

Governo e Congresso

Com a tranquilidade de quem está com os pés no chão e sabe o que está fazendo, a senadora gaúcha disse que primeiro, queria agradecer a oportunidade, e dizer que o presidente Bolsonaro, pelas escolhas que fez para a área técnica, está surpreendendo; e a surpresa maior, sem dúvida, é Sérgio Moro como ministro da Justiça e Segurança Pública, cumulativamente, e, foco e prioridade no combate à corrupção, acho que esse é o divisor de águas inclusive que o Brasil viveu com a operação Lava Jato.

Lava Jato Fortalecida

Ana Amélia revelou que temia pelo enfraquecimento da Lava Jato quando Sergio Moro saiu do comando, quando ele aceitou o convite de Bolsonaro. “Eu me preocupei, porque defensora que sou, não só das instituições, mas das instituições que integram essa operação; por ver aí algum risco de fragilidade”. Ana Amélia assinalou logo em seguida que, “ao contrário, agora com a escolha de Moro, da equipe, que é toda ela egressa praticamente da formação daquilo que fez o comando e coordenação da Lava Jato; seja na Polícia Federal, seja no próprio Poder Judiciário, o recrutamento que ele fez destas pessoas mostra claramente que aquela operação vai continuar fortalecida, talvez até com mais condições. ”

Volta Moro 

Na avaliação de Ana Amélia, a juíza substituta de Moro, no primeiro depoimento que fez também com o Lula, se mostrou com tal independência e competência que chamou atenção do Brasil. Tem até uma brincadeira, lembrou a senadora, “volta Moro”, o Lula está louco que o Moro volte porque ele foi mais cuidadoso, foi respeitoso. A juíza também foi, só que a juíza por ser mulher, ela, digamos, houve uma invertida, uma tentativa de intimidá-la por parte do Lula e ela reagiu à altura se colocando como juíza, “aqui quem está fazendo as perguntas sou eu, não é o senhor, o senhor é que terá que responder”. Então ela foi extremamente habilidosa e isso sinalizou o que vem por aí.

Retomada do Crescimento

Continuando sua avaliação sobre os integrantes do novo governo e suas equipes que estão sendo montadas, a senadora e jornalista disse que a “escolha do Paulo Guedes também para a área econômica, as pessoas que ele já escolheu para os postos chaves, Banco Central, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, BNDES; também o mercado teve uma reação muito positiva”. Ana Amélia enfatizou que “entre os agentes que são os protagonistas da economia, empresários e tudo, há uma expectativa muito favorável. Você também vê sinais da economia, a economia se move por perspectivas, se move por confiança. Então ela está reagindo já como decorrência desse processo numa retomada de crescimento”. A senadora afirmou que hoje os voos estão lotados, “você já está vendo uma confiança maior, no mês de setembro teve uma situação muito importante do ponto de vista de carteira assinada, derrotando até aquela narrativa destruidora do PT sobre a reforma trabalhista, que se revelou extremamente útil no número de carteira assinada e menos informalidade. ”

Reformas Política e Previdenciária 

Do lado político, que vai em conta, afirmou Ana Amélia, “porque para fazer as reformas serão fundamentais e inadiáveis, especialmente Reforma Política e Reforma da Previdência Social. Ana Amélia exaltou que para isso, já existe uma equipe, que é comandada pelo futuro ministro, Onyx Lorenzoni; mas o assessoramento que tem ele próprio como parlamentar experiente, mas acho que também o próprio vice-presidente, tem, digamos, essa habilidade de um relacionamento que ele já tem com outros líderes partidários. Ele não terá dificuldade de fazer essa articulação com o Congresso Nacional”. Então, “por aí eu acho que ele vai se empenhar. Como isso vai ser feito, isso é o presidente que define. Como é que isso vai ser, se vai ser articulação com os líderes, se a articulação é com os partidos, se a articulação é individual com cada deputado; só não será um toma lá dá cá, ele não vai usar critério fisiológicos, porque não tem sido a regra e a cultura nossa. Vai ser uma forma diferente de articulação política. ”

Tirando o contágio da Corrupção

“E isso eu acho que é muito bom, é inovador”, avaliou Ana Amélia, acrescentando que “o que isso pode trazer para a economia é a redução também na questão da relação promíscua entre o Executivo e o Legislativo, e retirando daí o contágio do viés da corrupção, que foi o que deu no Mensalão e no Petrolão”. Então, diz a senadora, “todos eles contaminados por uma manobra, eu diria assim, muito ruinosa para a política, que foi determinada pelas ações que o PT comandou. Foram essas duas operações, o Mensalão e o Petrolão. ”

Decisão do Presidente 

Ao ser perguntada sobre o quê o governo deveria fazer para costurar uma relação melhor com o Congresso? Disse que isso é decisão dele, Bolsonaro. “O presidente, ele sabe, na hora certa ele vai sinalizar a forma como ele vai conduzir esse processo. O próprio ministro da economia, Paulo Guedes, na reunião que manteve com os parlamentares da Comissão Mista de Orçamento, entre as quais eu me incluo, ele foi muito claro em reafirmar o respeito e o diálogo que manterá com o Congresso. Então, mesmo que tenha um articulador político o ministro precisará vir aqui, o Paulo Guedes, para prestar esclarecimentos, assim como ele veio para a Comissão Mista de Orçamento falar sobre orçamento, sobre as prioridades deles, sobre as questões que eles têm interesse; da mesma forma o coordenador político, que é o Onyx, mas o ministro das áreas, quer dizer, uma hora vai ser a ministra Tereza Cristina que vai vir explicar aqui como vai fazer a pauta, vai ser chamada pela Comissão de Agricultura do Senado, da Câmara, e assim sucessivamente. Então essa relação, o governo terá certamente um tratamento muito diferente do que foi o governo do PT, com mais atenção, com mais cuidado, com mais respeito, um relacionamento muito equilibrado”, comentou.

Comunicação do Governo

Perguntei o que ela pensa da comunicação do governo? Ana Amélia respondeu que o presidente é um comunicador. Primeiro, ele é um comunicador nato, e ele tem um estilo próprio de comunicar, então isso é uma coisa que está nele, ele é um ativista de rede social, hoje as redes sociais caíram no gosto do brasileiro, e hoje, grande parte da campanha foi movida a rede social. A política de comunicação, de novo a equipe está lá, é ele que vai definir que caminho ele vai tomar, como é que ele vai fazer. Então, ele é um especialista.

Direto ao ponto

Para Ana Amélia o presidente Bolsonaro “não é um jornalista, mas ele se portou ao longo do tempo como se ele fosse jornalista, não é! Pela forma e pela linguagem que tem usado. Nós jornalistas sabemos que quando você fala para um veículo de massa como o rádio, ou como televisão, não adianta se usar palavra difícil, termo técnico, não adianta; você tem que falar a linguagem que o povo entende. Então é por isso que se compara muito a linguagem que Lula usava, conhecimento da linguagem popular, e o Bolsonaro usava o mesmo tom de fala, é o tom da comunicação fácil que todo mundo entende. E essa comunicação não subestima quem sabe e não superestima quem sabe pouco. Então ela vai direto ao ponto, e quem houve, poxa! É isso mesmo, é a linguagem popular, a linguagem do povo. Ele não tem preocupação, como o Lula não tinha preocupação. E o Bolsonaro tem essa preocupação de lidar com uma comunicação de massa, e é por isso que fazem um contraponto nesse grau de talento. ”

Comunicação passa pela transparência

Perguntei se a comunicação passa pela transparência. A senadora jornalista respondeu com convicção: “Sim. Ele próprio (Bolsonaro), ele próprio tem insistido sobre a questão da honestidade. A honestidade é a transparência. É fazer as coisas certas. A questão da responsabilidade, a questão da ética na administração e a questão também de todas as coisas que são feitas do ponto de vista formal. Por exemplo, o governo faz uma operação de x milhões de reais para determinado programa. Então aquilo tem que ser explicado para a população, da onde vai sair o dinheiro, para onde vai o dinheiro, quem vai ser beneficiado com o dinheiro; isso é uma coisa. Digamos assim que qualquer um governo, independente dele, tem critérios éticos bem acentuados, combate à corrupção bem acentuado, independente de tudo isso, transparência vai ser a ferramenta principal. ”

Nomes atestam transparência

Quando perguntei se os nomes que compõem a equipe de governo, atestam essa transparência, Ana Amélia disse: Claro. Claro, a própria AGU, a Advocacia Geral da União que tem essa função também meio de ombudsman das coisas do governo, fazer a assessoria direta dele, o GSI, parte da secretaria executiva também que ele está criando, que é uma figura nova, e no gabinete Civil será o nosso Onyx Lorenzoni, que é nosso conterrâneo, e tem a Secretaria Executiva também. Então essa estrutura que ele está montando, você vai ver que tem uma preocupação de eficiência também. ”

A coluna Repórter Brasília é publicada também no Jornal do Comércio, o Jornal de Economia e Negócios do Rio Grande do Sul.