19 de dezembro de 2018
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Paim articula aliança para as eleições municipais do RS

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O senador Paulo Paim está propondo ao PT integrar uma frente ampla de partidos de centro-esquerda para entrar com força total nas eleições municipais de 2020 e assim reiniciar a caminhada do Partido dos Trabalhadores para reconquistas os governos estaduais e federal:

“Acho que dá para nós construirmos uma proposta ousada para daqui a quatro anos. Com muita de sincronia, inclusive nos estados, a gente pode mudar o cenário do país”. No entender o senador, o grande teste para a rearticulação da esquerda será a capacidade de construir alianças entre os diversos partidos nas eleições municipais de 2020: “Para mim o laboratório é daqui a dois anos. Se souber trabalhar a nesse laboratório podemos recuperar nosso espaço”.

Ele lembra que o PT já deteve espaços importantes na esfera municipal: “No RGS já tivemos na mão a capital e quase todas as grandes cidades: Santa Maria, Pelotas, Rio Grande, Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Gravataí, Viamão, Caxias., Cruz Alta. Houve o desgaste, houve essa onda que a grande mídia, queiramos ou não, capitaneou. Hoje temos só São Leopoldo e Rio Grande”.

Esta reabilitação do PT no estado, pensa Paim, seria possível com a composição da “Frente ampla Pelo Brasil”, seu projeto de aliança política para todas as forças da esquerda, já nas eleições municipais. “O partido está com problema a nível nacional. O PT tem que se reciclar, apontar para novos horizontes. As pessoas querem saber qual a política desse segmento, no que vai resultar positivamente para melhorar a vida das pessoas”.

A renovação do Partido dos Trabalhadores não seria apenas de teses e programas, mas de pessoas. “A minha é uma geração que está passando. Olívio (Dutra), (Paulo) Paim, Tarso (Genro), Raul (Ponte), essa geração que nós representamos, fizemos o que tínhamos de fazer. Uma experiência que nós acumulamos que nós podemos ajudar a formar novos quadros que venham avançar. O outro lado está fazendo isto. O outro lado elegeu uma série de pessoas novas:  o prefeito de Porto Alegre, o governador, o deputado mais votado, o próprio outro senador (Luís Carlos Heinze) é novo. O outro lado está formando quadros. E nós, qual a novidade? Não elegemos nenhum senador novo, que eu saiba nenhum deputado novo. Sempre os mesmos. Então está na hora de esta geração que passa mostrar o que estamos deixando de legado para a geração futura. Eles terão e assumir, ali na frente”.

Paim faz um balanço do desempenho do PT nas últimas eleições: “De 11 estados o único senador que voltou fui eu. Só voltaram oito, de 54 vagas. De Minas para baixo só eu me reelegi. Eu fiz política para dentro e para fora do PT”. Acrescenta para justificar seu projeto de frente ampla. Ele acrescenta: “Quem não fez política ampla se deu mal. A esquerda venceu onde fez alianças: Pernambuco, Ceará, Bahia e Maranhão. Mesmo a votação do Haddad, que a gente tem que respeitar, teve muito voto anti-Bolsonaro. Como também o Bolsonaro teve muito voto que não queria o PT. Temos de ir devagar com o andor na análise dos resultados eleitorais, tanto para um lado quanto para outro”.

Ele completa: “A política é muito dinâmica. Eu penso muito que o PT não pode continuar achando que só ele tem de ser cabeça de chapa, a nível estadual e a nível nacional. Podemos caminhar para uma composição mais ampla que olhe para todos e saiba ceder para avançar, quando você dá um passo atrás para dar depois dois três à frente”.

O senador sugere um clima de pacificação: “Eu estava num debate na Federasul e um candidato disse que a esquerda brasileira estava muito poética. Já eu, na minha vida, digo que oxalá que tivéssemos mais poetas fazendo política. Poesia lembra muito a palavra amor e não ódio. Não se vê nenhum poeta que fale em ódio”.

Paim pondera que não é oportuno movimento anti-São Paulo que começa a permear o PT: “Eu vejo falar isto, mas tenho dificuldade para rotular que este ou aquele estado fosse culpado. A política é dinâmica e as divergências muito fortes. Pode ser que no debate interno São Paulo seja vitorioso. Onde é que surgiu o PT? foi em São Paulo. Onde surgiu a contestação da ditadura? Foi nas greves do ABC paulista. São Paulo tem os seus méritos. As pessoas começam a procurar culpados. Não dá para fulanizar a culpa. Os culpados são os paulistas?

No Rio Grande do Sul o PT foi para as eleições com chapa trabalhista pura. Os dois candidatos são líderes sindicais. O candidato ao governo do estado, Miguel Rossetto foi presidente do Sindicato dos Petroquímicos do RGS; Paim foi presidente do sindicato dos Metalúrgicos. Dois formatos de sindicalistas. Rossetto, graduado em sociologia na Unisinos, fez concurso para operador de petroquímica, trabalhando atrás de um painel de controle numa indústria altamente automatizada, no Polo Petroquímico de Triunfo. Paim um metalúrgico de chão de fábrica. Paim lembra que sua origem é o chão de fábrica (como Lula?). “Eu vim de fábrica, fui operário de indústria até os 33 anos. Nos exames de saúde, os médicos me perguntavam se eu fumava muito. Eu nunca fumei, respondia.  Mas meu pulmão era comprometido. Eu trabalhava na fundição. Era aquela fumaça que sai do forno, ferro fundido com terra. Eu venho das forjarias. Tirei o curso no Senai e aí surgiu uma profissão que era escassa, o fazedor de moldes. Vou dar só um exemplo: pensa num motor de carro, aquela parte fundida, ferro. O modelista pega um desenho que é uma loucura, ele vai fazer uma conexão mecânica. Faz o molde de madeira, funde o primeiro e depois com esse modelo se fazem milhões. Foi bom porque era uma especialidade muito bem paga”. Ele se refere a esse segmento industrial coo matriz de sua postura: “Venho da indústria automobilista. Perguntaram para o Henry Ford como tirar o pai da crise. É só pagar bem, ele disse. Os EEUU saíram da crise ouvindo o conselho dele”. No governo Lula também foi o incremento da indústria automotiva de alavancou a economia.

Os dois tiveram votações quase iguais, em torno de 18 por cento do eleitorado gaúcho.