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Paulo Paim

Palavras de alerta de Sarney são um chamamento à responsabilidade, diz Paim

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Na opinião de parlamentares, as palavras de Sarney, em entrevista às jornalistas Ana Dubeux e Denize Rothenburg, do Correio Braziliense, “soam como um alerta”. O senador Paulo Paim (PT-RS), que foi vice-presidente do Senado quando José Sarney era presidente, afirmou que “Sarney faz um relato da inércia do Congresso Nacional num momento de conflito entre o Executivo, o Judiciário e o próprio Legislativo”. Na opinião do senador, “num momento de crise como essa, o Congresso deveria se movimentar mais”. Disse que os investidores lá fora vendo “as lambanças que está virado esse país, pelas posições assumidas de forma precipitada, extemporânea, em relação ao próprio Executivo, o Judiciário e o legislativo. Além disso, aquele cidadão lá nos Estados Unidos (Olavo de Carvalho), promovendo uma série de intempéries”. Segundo Paim, “o que Sarney está fazendo é um chamamento à responsabilidade dos poderes constituídos, tema eu abordei, da tribuna, na última semana”.

No meio de um furacão

Com argumentos de quem conhece o poder, pois passou pelos principais cargos políticos do País, o ex-presidente José Sarney disse que Bolsonaro está no meio de um furacão. Avalia que a atitude do presidente acirra os problemas que vivemos. Sarney afirmou, em entrevista especial ao Correio Braziliense, no final de semana que “o Brasil vive um momento imprevisível”.

Maioria no Congresso                                                         

Para o ex-presidente, “tem que se lidar com realidades e a realidade atual é que o presidente não tem maioria consolidada dentro do Congresso, nem nós temos hoje partidos ou lideranças políticas. José Sarney, com 89 anos, é um dos últimos dos políticos de sua geração ainda “na ativa” e, mantém seu prestígio no atribulado cenário político do país.

Fraturas nos Poderes

Com sua experiência de senador, Presidente da República e com 120 livros publicados, José Sarney disse que estamos num momento imprevisível. “Fratura no Judiciário, no Legislativo e no Executivo. Todas essas estruturas estão trincadas”, acentuou.

Elogios à Lula e FHC

Com tanto tempo de janela, Sarney viu pedras virarem vidraças e vice-versa. Hoje, é só elogios a aliados que já foram adversários, caso de Lula, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Militares no governo

“A minha experiência com militares sempre foi muito boa, encontrei sempre da parte deles o melhor procedimento”, salientou José Sarney.

Faltam lideranças

Segundo o ex-presidente da República, “nós não temos hoje partidos, nem lideranças políticas. O Brasil vive uma crise sem partidos, porque quando temos 60 partidos, não se tem nenhum”, considerou José Sarney. “Estamos com uma classe política vivendo a crise da democracia representativa, isso é no mundo inteiro, os políticos estão demonizados”.

Brasil tem mais um poder

Para Sarney, “os ingleses levaram 700 anos para construir esse sistema atual em que vivemos, da democracia representativa, dos Três Poderes, cada um controlando o outro”. Segundo Sarney, “o Brasil acrescentou mais um poder, destruindo e desestabilizando todos os três: o Ministério Público”.

Cartas na Mesa

Na interpretação de Sarney, “Jair Bolsonaro está colocando todas as cartas na ameaça do caos. E isso, na realidade, aumenta os problemas que nós vivemos, porque desapareceram as utopias e nós não podemos matar a esperança”.

Necessidades das reformas

A reforma da Previdência é extremamente necessária, assinala o ex-presidente. Lembra que deve estar também ao lado da reforma administrativa, da política, da tributária e da fiscal.