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Arthur Lira

Poder político do Centrão

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Os deputados ainda tentam entender o comunicado feito pelos líderes partidários do MDB e do DEM, na Câmara dos Deputados, que anunciaram nesta segunda-feira (27) que as bancadas vão deixar o chamado “blocão” de 221 parlamentares, o Centrão. O Grupo informal de partidos comandado pelo líder progressista, Arthur Lira (AL), recentemente passou a integrar a base do governo Jair Bolsonaro na Câmara. “Vamos seguir carreiras autônoma”, afirmou Efraim Filho (PB), líder do DEM.

Na interpretação de alguns, o objetivo desta separação é a presidência da Câmara, no início do ano que vem. Outros interpretam que o acordo DEM e PMDB é peça central para dar musculatura à candidatura de João Doria, em 2022. Além disso, os deputados já começam a calcular o impacto de decisões desse tipo na sucessão do posto, atualmente ocupado por Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Legendas menores

Com a saída de DEM e MDB, o bloco passa dos atuais 221, para uma bancada de 158 deputados federais. Outros partidos, como PTB e PSL, também já estudam deixar o “blocão” para criar outro, com legendas menores.

Movimento estratégico

O deputado Afonso Motta (PDT/RS), não vê a saída do Democratas e do MDB do Centrão como um movimento de natureza eminentemente política. O parlamentar, avalia a mudança “como um movimento estratégico”.  Na opinião do deputado, “o fato do afastamento do Centrão fragmenta mais a composição e as articulações no Congresso, exatamente com duas perspectivas. A primeira é que o MDB e o DEM continuam com o firme propósito de contribuir para que as reformas aconteçam. Principalmente a Reforma Tributária, que é a pauta que está mais próxima e que pode ter a possibilidade de aprovação, na Câmara, até o final do ano; falando numa visão positiva. A gente não sabe ainda que reforma surgirá. Em segundo lugar, pensando na composição da futura mesa diretora da Câmara”.

Afastamento transitório

Para Motta, do ponto de vista pragmático, uma aproximação do DEM e do MDB para compor uma posição, uma direção na Mesa da Câmara, é algo bem possível”. O congressista ressalva: “Não estou dizendo que vai acontecer, mas é algo que não tem assim um obstáculo. Até porque a oposição fez bastante proximidade com o Rodrigo Maia, e também, porque uma parte da oposição já votou nele”. Por isso, acentua, “vejo esse afastamento como transitório, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. E tem mais o caráter pragmático, que é manter uma postura com as forças do governo para encaminhar a aprovação da Reforma Tributária”.

Volta dos Senadores

Para Motta, hoje, “tem uma sinalização importante. O Senado anunciando que está voltando em agosto de forma presencial. Eu acho que isso é um ponto que está dentro do contexto de dá uma retomada efetiva nas Comissões e nos trabalhos todos”. Argumenta: “a gente sabe que por melhor que esteja indo, é exemplar o trabalho virtual, mas sempre, para as articulações, os movimentos, é fundamental a presença”.

Edgar Lisboa